Definir para discutir

O tema que eu gostaria de fato de abordar nessa coluna é a respeito do design como linguagem, mas minha pesquisa ainda é inconclusa, ou por demais rasteira para valer a pena apresentá-la a público já. Portanto, trago antes, algo que já assumo um posicionamento faz algum tempo, mas sem nunca ter empreendido um debate de fato sobre o assunto. Pra variar, o assunto gira em torno da bendita definição do design. Ou melhor, não do design, mas do designer. Quero, então, aqui, colocá-la à prova, justamente para que ou ela evolua, ou eu a chute de uma vez para escanteio. Agora, a definição.

Designer faz projeto de interface funcional pragmática.

Explicando um pouco melhor o que entendo a partir disso talvez torne uma possível réplica a ela mais aguçada ainda. Penso, pois, que é de competência intrínseca do designer atuar como projetista de interface funcional pragmática porque: 1. projeto: atua de maneira metodologicamente focada numa produção com começo e fim minimamente claros; 2. de interface: pois tal projeto resulta em produto destinado a possibilitar comunicações e ações, quer sejam eu comigo, eu com outrém, ou eu com o mundo. É, assim, mediação, não finalidade. 3. funcional: porque ataca sempre a propor objetos com uma função, função essa que, segundo entendo e assumo o pensamento da escola de Offenbach, passam por função prática e função linguística. Essa última divide-se em função formal-estética e função simbólico-semântica, que por sua vez divide-se em função metonímica e função simbólica (Bürdek, 2010); 4. pragmática: porque tal foco funcional é objetivo em sua meta, em seu problema a ser resolvido.

Imagem 1. Apresenta em forma de diagrama os itens elencados no ponto 3 acima.

Sendo essa a definição da atuação do designer, portanto tudo que possuiu projeto, é interface, é funcional e objetivo naquilo que se propõe é design. Assim, não necessariamente precisamos de um designer para que o design aconteça, mas do designer espera-se que, por ter essa “autoridade”, saiba ele lidar com esse tipo de problema.

Enfim. É isso que tenho a oferecer, não vou expor exemplos aqui porque, a meu ver, são desnecessários e direcionam por demais possíveis analogias a outros exemplos, e não quero isso, quero que o leitor interprete essa definição da maneira que lhe vier à cabeça. Finalizo apenas com uma pequena ressalva: o designer não precisa fazer apenas projetos de interface funcionais pragmáticos. Não, muito pelo contrário, tenho assumido a posição de que cada um faz o que quer da vida, e trabalha com aquilo que tem vontade/gosto/desejo/qualquer-coisa. No entanto, vejo uma necessidade ainda assim de minimamente delimitar uma atuação como a do designer (e das demais profissões também) porque em nosso meio social existe uma intituição chamada universidade, que propõe-se a fornecer o ambiente e tornar aptos ao exercício de determinada tarefa a pessoa que frequentou tal meio. Essa instituição serve a fornecer uma maneira melhor articulada dessa pessoa adquirir as habilidades necessárias a isso, e também emite uma espécie de atestado que garante que essa pessoa encontra-se capacitada e exercer tal profissão. A definição, para mim, portanto, serve para fins principalmente formativos e (não sei se essa é a melhor palavra) didáticos ao ambiente universitário. E o fornecimento de um diploma garantindo que aquela pessoa encontra-se capacitada ao exercício daquela profissão é, no mínimo, uma questão ética importante. Afinal, se tal diploma for fornecido mas a pessoa não se encontra capacitada para aquilo, sinto muito, mas tal diploma atesta uma mentira grave perante o que a sociedade espera dele e da pessoa.

Agora eu quero é que tasquem o pau.

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Bibliografia

Bürdek, Bernhard. Design – história, teoria e prática do design de produtos. Editora Blucher, São Paulo: 2010

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Acerca Eduardo Camillo K. Ferreira
Graduado em Design pela FAUUSP. Editor do Design em Artigos, colunista no Filosofia do Design e no Design Simples, editor da Revista Ciano, e sócio fundador da Mínimo Design.

17 Respostas a Definir para discutir

  1. Ae!

    Antes de mais nada, parabéns! Acho foda você propor uma coisa em aberto para que seja discutida por aqui, e isso me deu vontade de fazer um post com a mesma intenção; afinal de contas, porque não utilizar esse espaço não apenas para expor pensamentos, mas para também construí-los?

    Com relação à definição, pelo que eu penso, acho que é uma definição válida, para qual não consegui encontrar nenhuma exceção. Por outro lado, talvez isso se estenda para além do design. Por exemplo um projeto de uma construção; um prédio. Ele atende a todos os requisitos da definição. 1) É um projeto, segundo a descrição; 2) é, em maior grau, uma interface, uma mediação; 3) é funcional ambos como prática e linguística e 4) e, para o engenheiro, é o objetivo.

    Talvez a componente que falte para restringir seja as condições a partir das quais o projeto se faz necessário. Tá rolando um curso de design no Coursera – se não conhece, googla aí, muito bom! – e, segundo a definição do professor, o design surge da necessidade de suprir um gap na experiência do usuário. Há uma deficiência – seja ela de cunho econômico, ergonômico, estético, etc – no uso de algum artefato e aí que o designer vai reconhecer o problema e atuar. Acredito que invalida ao menos o caso do prédio: não há experiência do usuário com o artefato-prédio… esquece.

    Tava pensando, a falta do prédio em uma determinada área pode ser considerada um gap na experiência do usuário? Ou isso seria um insight de mercado? Se sim, o gap não poderia ser mercadológico? Se sim, poderíamos até considerar isso um design empreendedor, não?

    Acho que outras definições acabaram pegando esse caminho, mas talvez o segredo esteja na intenção do projeto, não nas características do projeto em si.

    Desculpe se falei besteira, mas precisava comentar algo. A oportunidade de discussão era boa demais.

    Abraços ae!

  2. Certo, muito bom o contra-exemplo do edifício, Eduardo, muito bom mesmo! Me faz lembrar inclusive um ponto que certo professor meu disse uma vez, e que nunca averiguei com a devida seriedade. Para ele, design no começo era interno à arquitetura, mas hoje passou a ser o contrário; a arquitetura passou a ser uma sub-área do design, veja só. Há a ressalva, se não me engano, de que a visão desse professor com respeito ao design é muito mais um sinônimo do branding do que qualquer outra coisa, ou seja, o projeto do edifício está submisso a premissas de mercado e construção social de uma marca, e por isso submete-se ao design. Falo isso mais como curiosidade, porque não creio que tal pensamento quando ao branding se encaixe nem perto da definição que tentei apresentar aqui.

    Então, retornando à sua ressalva de que falta uma restrição sobre as condições de quando o projeto se faz necessário parece bem pertinente! Esse gap de experiência é uma pista boa por onde procurar, e me faz lembrar outro professor que afirmava (retomando a ideia de interface) que o design está para solucionar problemas de interface tecnológica (em especial para PP) e comunicativa (para PV e Serviços). Tecnológica, o exemplo dele era simples: deixa na mão de um engenheiro projetar sozinho um ar condicionado e o usuário vai levar choque quando for ligar (entendamos o exagero dele, hehe). E comunicativa, deixemos na mão do empresário fazer a própria marca gráfica e identidade visual, e vai sair aquela coisa (exemplos não faltam).

    Isso já é, de fato, um tipo de direcionamento como o que sugere, Eduardo. E não discordo de o Gap poder ser igualmente mercadológico, acho bem plausível. Só tenho que pensar melhor no que um caso ou outro implicam, e como “atachar” isso na definição, hahaha.

  3. Renata Ribeiro diz:

    O “design no começo era interno à arquitetura”? Se fincarmos o início da história do design na Bauhaus (como faz Munari), faz sentido. No Brasil, mais ainda: antes do conceito de design existir na mentalidade brasileira, o design era feito principalmente por arquitetos.

    Mas será que em outros contextos esta afirmação também é válida? Se tomarmos o design em sua etimologia, seu sentido original —na língua inglesa, três séculos antes de referir-se a uma disciplina, a um ofício— é o de “plano ou esquema concebido na mente com intenção de execução subsequente” (tradução livre minha a partir do OED), que, desde então, já aponta para o sentido mais fundamental do design, resistente até a contemporaneidade: o de projeto. Por esta razão, talvez, a língua inglesa conceba a ideia de ‘architectural design’.

    O design seria, assim, um campo que pode englobar ao mesmo tempo que pode ser englobado pelos campos adjacentes —inclusive pela arquitetura— dependendo da situação-problema.

  4. Observação foda, Renata! Quando eu li o comentário de Eduardo, eu pensei no design como projeto e, sim concordo que se iniciou na arquitetura. Mas seu apontamento foi muito coerente.

    Com relação ao comentário desse professor, Eduardo, será que ele também nos joga a pista de que o designer tenta ter uma visão global com relação ao projeto?
    Porque, por exemplo, se o engenheiro projetar o ar-condicionado, ele vai projetar para que ele funcione; e ponto. Claro que isso é uma generalização, mas acho que todos entendem o ponto. Arquitetos até brincam com isso, dizendo que “parece que tal casa foi projetada por um engenheiro”, porque ela “apenas” funciona.

    Minha questão é que um gap mercadológico, por exemplo, pode ser encarado por um designer ou um empreendedor. Um gap de ergonomia pode ser encarado por um designer ou um engenheiro. Um gap de fluxo de pessoas pode ser encarado por um designer ou por um arquiteto. Será que o designer também não possui intrinsecamente – como o último post de Beccari sugere – essa natureza transitória?

  5. Tá certo sim, Renata, obrigado por me corrigir! Eu acho que eu que usei a palavra errada. Tenho tentado não falar ou definir o “design”, mas sim o “designer” mesmo. E designer, eu acredito, como atividade profissional, começou interno à arquitetura, bauhaus, etc (como acho que concordamos). Projetos de design existiram antes, como até coloco no texto, já que precisam apenas ser projetos de interface funcional pragmática (com o plus que ainda não fechamos) feitos por qualquer um. No final, qualquer um pode fazer design, mas o designer existe para saber fazer isso direitinho, hehe.

    Da natureza transitória, Eduardo, não sei ainda. Porque, me parece, se o gap mercadologico pode ser encarado por um designer ou por um empreendedor, assim como um gap de fluxo de pessoas, é porque eles dão conta de tratar de uma interface funcional etc e tal. Ou seja, há um núcleo duro aí onde o que é transitório (eu acho que chamaria melhor de maleável) é justamente o projeto, ou as demandas do problema para solucionar-se. Se o gap fosse, por exemplo, de especificidades eletrônicas, não há a priori, uma natureza maleável para encaixá-lo na tarefa do designer. Então não sei se é tanto questão de natureza transitória do designer ou, pelo contrário, por ter uma epistemologia tão precisa, ele dá conta (ou daria conta) se bem trabalhado na sua especificidade.

  6. Chegando atrasado, mas vamos lá.

    Eduardo, gostei muito do seu raciocínio (suportar sistema de ensino) para a necessidade de definição do papel do designer, e a definição encontrada é excelente, senão pelos contra-exemplos citados pelo Eduardo.

    A grande definição do designer, a meu ver, vem de sua visão holística, como insinuado por ele. Em Tecnologia, por exemplo, temos as funções de programador e analista, que se diferenciam pelo foco deste último em sistemas, enquanto o primeiro foca em construir os componentes deste. Sou um analista de sistemas que lentamente se voltou ao branding (carreira bizarra), e foi um processo bem natural, pois as habilidades necessárias coincidiram bastante.

    Ou seja, o designer exibe uma visão sistêmica que, mesmo quando este está trabalhando em uma parte específica de um todo (eg. design gráfico), o faz utilizar o contexto e conhecimento adquirido com este “todo” (que o habilita a criar ar-condicionados que não dão choque). Ao mesmo tempo, esta visão holística o permite perfeitamemente trabalhar com o todo diretamente (eg. branding).

    A combinação de pragmatismo e holismo é o que habilitam o designer a realizar projetos funcionais de interface.

    Eu arriscaria que:

    Designer faz projeto de interface funcional, sob uma ótica holística e pragmática.

    Atende bem os contra-exemplos citados pelo Eduardo.

    Quanto à natureza transitória, discordo; o que ocorre é que o designer, sendo especialista justamente em “ver o todo”, de fato exibir esta habilidade em uma ampla gama de oportunidades.

  7. Oi pessoal, queria deixar marcado que passei por aqui, li tudo o que falaram e concordo em grande parte com o que foi dito. Como um certo relativista, fico confortável em aceitar variações sobre um mesmo conceito, desde que variem os pontos de vista.

    Se eu for definir design de acordo com a prática de mercado que conheço e na qual atuo, e também levando em conta minha formação, esse conceito proposto pelo Eduardo K. é bastante válido.

    Por outro lado, acho que entendo o que o Eduardo S. quis dizer com a variação da necessidade de projeto, por exemplo, às vezes o trabalho do designer se dá por uma deficiência do artefato, e às vezes por um insight mercadológico, ou seja, não necessariamente o designer está aí para resolver problemas, e sim para gerar lucro. Se levarmos em conta a inutilidade aparente de uma série de produtos, vemos que o design atua quase que principalmente na segunda vertente.

    Mas admito que não entendi o que o Eduardo S. quis dizer quando questionou “Tava pensando, a falta do prédio em uma determinada área pode ser considerada um gap na experiência do usuário?”

    Eu considero um prédio como algo não diferente de um artefato qualquer. Na verdade, é uma das formas de manipulação da natureza mais antiga que conhecemos, a fim de dar abrigo contra as intempéries. Dessa forma, não vejo porque o design de um prédio ficaria de fora do conceito proposto pelo K.

    Abraço

  8. (Desculpem a demora em responder, mas não recebi emails falando que tinham novos comentários, e chequei hoje apenas por curiosidade)

    Matheus Muller, muito interessante o paralelo com o programador e o analista, e acho que concordo sim com ele. Essa parte da visão holística é importante e acho que faz sentido, em especial por estarmos falando do Designer, do profissional generalista, e acho que a contribuição à definição é boa, não sei se tanto para já incluí-la em definitivo, mas talvez para observar por outro ângulo também.. Ela me mostra uma possível continuidade nessa “pesquisa”, que é pensar assim qual o papel da especificidade no profissional designer. Explico melhor: o fato de o designer ser esse especialista em “projetos de interface funcional pragmática” (como até agora vinha defendendo), trata-se que sua especificidade perante outras profissões é justamente ele saber fazer isso, e isso ter um conteúdo de abordagem e de “trabalho” que outros tratam de maneira diferente (quer seja apenas tangenciando, ou mesmo por outra abordagem, não sei, como um cartaz feito por um designer e por um publicitário). Assim, essa visão holística por parte do designer, apesar de holística, me pareceria a princípio ser formada por habilidades menores que o permite tratar de problemas muito precisos de interface, como refinamentos de uso tipográfico, usabilidade como parte da experiência de uso, ergonomia, escolha entre possíveis ações de resposta para um serviço, pensar uma excelente combinação cromática para melhora de legibilidade de alguma comunicação, avaliação do impacto de determinado material e processo de fabricação no desenho de um artefato, impacto “insconsciente” de alguma sinalização no ambiente alocado, etc etc etc. Enfim, coisas que são miudezas. Miudezas que certamente fazem parte de um pensamento holístico, mas este não se resume a generalidades. Pelo contrário, alcança fortes especificidades.

    Eu aceito o argumento do pensamento holístico, mas queria averiguar por esse lado da especificidade para ver como tudo se comporta.

    Quanto ao ponto que levanta, Leonardo, seu comentário me tornou talvez um pouco mais clara a ideia por detrás dessa definição.

    ” às vezes o trabalho do designer se dá por uma deficiência do artefato, e às vezes por um insight mercadológico, ou seja, não necessariamente o designer está aí para resolver problemas, e sim para gerar lucro.”

    Em cima dessa frase me ficou claro que a definição que estamos “desbastando” não toca numa coisa (meio sem querer) que eu nunca fui com a cara e nunca gostei como uma definição, que é o “designer como solucionador de problemas”. Inclusive fiquei feliz, relendo a explicação da definição lá no texto lá em cima, que eu falei a palavra “problema” apenas no finalzinho e uma única vez, hehehe. Estou, assim, em pleno acordo com você: designer não necessariamente soluciona problemas, mas também gera lucro por si. Isso não muda, entretanto, o fato de ele trabalhar com “projetos de interfaces funcionais pragmáticas (sob um olhar holístico?).

    • andrenoboru diz:

      desde já me desculpem não aprofundar muito na minha fala, quero mais é atiçar o debate:

      Eduardo Camillo e Leonardo (e quem mais quiser se manifestar), neste ponto do “designer como solucionador de problemas”, “gerar lucro” não seria uma categoria de “problema”? O “problema” do empresário/cliente/quem-quer-que-seja em obter mais dinheiro em cima de um “produto”, quer seja pela otimização da produção, pela redução de uso de materiais, pelo maior apelo estético, ou por qualquer outro “valor agregado”?

      • @Eduardo K – na minha opinião essa atribuição do designer (gerar lucro) realmente não muda a definição que criaste.
        @andrenoboru – concordo contigo: gerar lucro pode sim ser considerado um problema, mas levanto um aspecto desse objetivo que talvez o diferenciem um pouco:

        Gerar lucro é um problema tão intrínseco do capitalismo, que, em tese, qualquer pessoa que trabalhasse com a geração de lucro seria um designer. Além disso, gerar lucro é uma finalidade última, da atividade do design, mas a finalidade imediata seria a criação de outra coisa que geraria lucro, ou seja, EM GERAL, o designer trabalha pensando “preciso solucionar um problema x, gerando assim lucro”, em vez de pensar “preciso gerar lucro”.

        Acho que as definiçoes de design deveriam mesmo ser mais específicas, pois sempre que voltamos pras ess^encias do design, descobrimos que todos são designers heheh

  9. Puxa vida, um puta-texto que tem relação com o que escrevi aqui, mas que ainda estou digerindo. E acho que a relação que tem está mais para alterar algumas coisas da proposta do que para corroborar com a tese central.

    http://nelgraf.org.br/NelGraf-Aacademiaqueelesqueriamequenaonosserve.pdf

    (ps.: Noboru, tento te responder depois que digerir esse artigo, porque ele toca também nesse ponto, então posso falar algo agora que daqui a algum tempo vou ter mudado de ideia).

    • Leo.Lopes diz:

      Baixei aqui o texto pra ler. Vamos ver no que ele contribui :)

      Mas gostaria de saber tua opinião sobre minha colocação à respeito da finalidade imediata e da finalidade última do design no capitalismo :)

      Abraço

    • Li o texto!

      O que entendi do artigo, em linhas gerais, é que o autor critica duramente o posicionamento dos profissionais “de mercado” em exigir da academia que se cumpra um papel de “profissionalizadora”, ou seja, de instituição preparatória para a prática. Vejo aí uma tendência à visão do design como um conjunto de técnicas específicas de projetação.

      O autor se queixa da falta de queixa do corpus de que a academia cumpra seu papel clássico de delimitadora de campo teórico e, consequentemente, de atuação profissional. Vejo aí uma percepção do autor de que a teoria deva delimitar a prática. Porém, não consigo identificar a tendência do autor: ele procura limitar o design a um conjunto de técnicas, ou espera que a academia mantenha a delimitação sempre em aberto?

      Não sei se era com esse tipo de viés que estavas lendo o artigo, mas foi como consegui relacionar a esta postagem. Talvez tenha dificuldade em fazer essa relação porque o artigo não chega às minúcias de descrever a práxis profissional do designer, que imagino que seja o tópico aqui, não?

      Abraço!

      PS: gostei da ironia do texto no final!

      • Leolopesdesign, desculpa a demora na resposta!

        1. como me parece que o cerne da profissão do designer não esteja na frase “solucionar problemas”, então se “gerar lucro” é um problema ou não, não sei se muda em algo essa essência do designer. Numa conversa que tive com alguns amigos no final do ano passado sobre essa definição que ainda estou meio que defendendo, eu a expus, e eles me deram uma série de contra-exemplos. Como: “mas e um quadro? é uma interface entre um artista e um leitor”, e eu respondi: “pode até ser visto assim, mas a definição que dou é um conjunto de premissas, e não uma única pontual. É projeto de interface funcional pragmática, e precisa adequar-se a esses 4 pontos, sendo que um quadro cai no _funcional pragmático_.” Pois bem, mesmo que gerar lucro fosse um problema, e isso fosse algo que definisse a prática do designer, haveriam outros pontos que não são cobertos, então não é apenas porque alguém trata de problemas que ele seria um designer. Há uma série de outros parâmetros que deveriam ser cobertos para ele ser um especialista na prática.

        2. Sobre o texto que eu colei, achei ele importante por outro fator, e que eu não havia percebido quando expus minha definição.

        O texto de André Villas-Boas fornece um ponto interessante ao debate na medida que ele inicia seu artigo expondo a academia como aquela que deveria delimitar o campo e que contribui na forma(liza)ção da profissão, e reclama da forma como os profissionais não reconhecem nela tal valor, senão apenas como uma formadora de mão-de-obra para o mercado, esse sim o delimitador da prática.

        Na definição que apresentei acima sobre o designer, ela se pauta quase exclusivamente na prática do profissional designer, e não leva em conta a princípio a academia em momento algum, senão apenas na formação desse profissional, que inclusive apontei como a função social da academia e do ensino, que é fornecer uma base sólida para a avaliação e legitimação do profissional, quando falo: “essa instituição [a faculdade] serve a fornecer uma maneira melhor articulada dessa pessoa adquirir as habilidades necessárias a isso, e também emite uma espécie de atestado que garante que essa pessoa encontra-se capacitada e exercer tal profissão”.

        Não sei se estou caíndo nesse ponto que o André Villas-Boas fala no artigo, mas ele me deixou um pouco alerta nisso.

  10. leolopes diz:

    Eduardo, desta vez eu que demorei. É que com a tua demora, eu acabei saindo do assunto e não consegui voltar a discutir sobre isso.

    Não tenho muito mais a acrescentar senão o fato de que acho tua definição de design interessante, apesar de ser mais outra delimitação e, como qualquer delimitação do design, é imperfeita. Acho que é uma forma interessante de colocar aos novos alunos e pode vir a substituir alguma definições mais simplistas ou radicais.

    Por falar nisso, queria saber se viste o documentário Arte x Design do Anticast e se ele implicou em alguma mudança na tua maneira de abordar este assunto.

    Sobre o artigo do Villas-Boas, neste momento, só consigo demonstrar minha preguiça em relação ao antigo debate Academia X Mercado / Teoria X Prática. Se fosse apenas uma contraposição de fatos, beleza, mas ambos os lados (o mercado em especial), adoram culpar ou apontar falhas da academia, em vez de abraçá-la como complemento.

    • Legal! Eu também concordo que trata-se de uma definição, que é sempre reducionista.
      E ouvi sim, mas não chegou a mudar muito não… Eu até deixei um comentário por lá, mas nada muito questionador nem muita lenha na fogueira não. Acho que a melhor fala é a do André Stolarski, mas queria ouvir ela de novo antes de falar se me convenceu a mudar meu ponto.

  11. Pingback: Comentário sobre a multi/inter/transdisciplinaridade | Filosofia do Design

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