Pink Floyd, espaço-tempo e colaboração
16/11/2012 3 Comentários
“I’m not sure. I’m exceedingly ignorant—”
The young man laughed and bowed. “I am honored!” he said. “I’ve lived here three years, but haven’t yet acquired enough ignorance to be worth mentioning.” He was highly amused, but his manner was gentle, and I managed to recollect enough scraps of Handdara lore to realize that I had been boasting, very much as if I’d come up to him and said, “I’m exceedingly handsome…”
“I meant, I don’t know anything about the Foretellers—”
“Enviable!” said the young Indweller. (…)
- Ursula LeGuin, The Left Hand of Darkness
Por esses dias, li o post de Eduardo Camillo e pensei que nós não construímos conhecimento como deveríamos por aqui.
Sim, com os comentários poderíamos criar discussões construtivas, mas 1) as pessoas não costumam a comentar e 2) os posts normalmente são ideias razoavelmente fechadas. Por sinal, colaborem lá no post de Eduardo Camillo! Portanto, venho propôr a construção de algum tipo de conceito aqui; e, caso ele já exista, alguém me avise pra eu parar de perder tempo reinventando a roda!
Essa ideia que me ocorreu foi a do Contínuo da Linguagem Gráfica.
Antes de mais nada, o que é um contínuo? Segundo nossa mestre Wikipedia, é um modelo que demonstra transições de maneira contínua – o, rly? – como em oposto à discreta, matematicamente falando. O espaço-tempo, por exemplo, é um contínuo; mas não acho que o exemplo ajude. Já o espectro de cores, é uma boa: não há uma distinção clara entre uma cor e outra em um arco-íris; há infinitas cores entre cada cor. É um degradê, na linguagem do Photoshop.

Então, o que eu quero dizer quando sugiro um contínuo da linguagem gráfica? É muito menos pensando na infinitude do conceito do que com relação à fluidez que ele sugere. Em outras palavras, deve ficar longe de nós tentar criar limites rígidos entre as categorias da linguagem gráfica, a fim de tentar criar um panorama que essa análise pode nos oferecer.
O eixo horizontal é relativo à difusão de linguagens gráficas, orientações estéticas e – porque não – movimentos, no sentido artístico da coisa. Eu tentei separar por área de atuação de cada profissional para entender onde cada uma dessas profissões se concentra mais.
Então, o principal intuito é que vocês falem muito mal dessa proposta – podem até trollar! Mas que a partir disso, possamos desenvolver mais essa coisa ou abandonar como uma ideia ruim. Falar de autores que podem ajudar nisso, exemplos existentes e como eles desobedecem ou obedecem a isso e tudo mais. De todo modo, serei pretensioso e já deixarei alguns exemplos que acho interessantes.
Outra coisa muito interessante de ser analisada é que tudo isso tem muito a ver com a técnica. Quando uma nova tecnologia é descoberta/inventada, normalmente os artistas são os primeiros a utilizá-las como forma de representação e expressão. Ou como diria meu conterrâneo, “computadores fazem arte, artistas fazem dinheiro (…) cientistas criam robôs, artistas levam a fama“.
Acredito que o designer é capaz de passear pelo contínuo com uma liberdade bem razoável – é bem comum na faculdade aqueles alunos que querem fazer aquele design autoral, artístico, etc, –, assim como é muito comum que trabalhemos com peças publicitárias.
Um tal de Ji Lee mostra no vídeo abaixo um trabalho que já aponta um erro nesse panorama: ele deveria ser circular. Ele cria intervenções em anúncios colando balões de fala de quadrinhos em propagandas na rua; as pessoas, então, preenchem os balões, desviando os anúncios. Debord ficaria orgulhoso. O catch da coisa é que essa intervenção dele ficou tão famosa que ele foi contratado para freelar em muitas agências para criar esse tipo de coisa viralizante. Ou seja, como Debord já dizia, o espetáculo é tem a capacidade incorporar até mesmo os desvios. Ou algo assim. Aquilo que era contra a propaganda – mesmo que ele não tivesse esse intuito – virou propaganda.
Ji Lee: The Transformative Power of Personal Projects from 99U on Vimeo.
Outra dúvida, o street art por onde ficaria? Apesar de conceitualmente pertencer ao mercado mundo da arte, ele divide o espaço com o “final” do contínuo, que é a propaganda.
E só para deixar uma coisa a mais para discutirmos nos comentários, é interessante ver como se comporta a Pantone nesse contínuo atualmente.
Agora, discutamos para construir!








Triste ver que nenhuma discussão sucedeu o post.
Então gostaria de fazer um acréscimo ao continuo, que reforça a ideia de circulo. Além do desvio – muitas vezes intencional – que algumas peças possam ter, existe o fenômeno do remix. O remix recicla o produto e faz com que ele volte ao estado embrionário de ideia, de origem. Além de não existir nenhum controle e geralmente encontrar oposição dos “criadores” (bem entre aspas) originais, o remix é o que mantém, cultiva e perpetua qualquer movimento artístico e cultural.
Antes de mais nada, muito obrigado pelo seu comentário, cara!
ver que você decidiu dar uma sugestão, fazer esse acréscimo me deixou muito feliz!
E, sim, seu ponto é extremamente pertinente e eu acho que a partir disso poderíamos fazer um outro questionamento. Qual é a diferença (se ela existe), entre o remix e o desvio? Seria o desvio um tipo de remix? Ou mesmo, seria o desvio a expressão máxima do remix, ao ponto de exaustão e esvaziamento de significado, como Debord gostaria?
De todo modo, esse aspecto que você coloca de cultivar e perpetuar movimentos é muito preciso, porque, eu acredito – e falei algo parecido no meu primeiro post aqui no filosofia – que criar é sempre manter um diálogo com movimentos anteriores; é criar e destruir nostalgias e utopias ao mesmo tempo, em certo sentido.
Obrigado pelo comentário e abraços!
É ótimo colaborar
Bem, não sou muito familiarizado com o conceito de desvio a que se refere (tem algum material em portugûes?), mas pelo que entendi são intervenções viralizantes, como meu próprio colega de trabalho fez ao usar imagens de uma propaganda de TV famosa para criar um anuncio de um evento nosso. Esse tipo de ação pode ser incentivada pela própria marca. A coca-cola fez uma lata com nome de pessoas e lançou um aplicativo para Facebook onde você podia por seu nome e simular a latinha. Mas todo mundo começou a usar para escrever o que bem entendesse, inclusive nomes de outras marcas. Isso era previsto e de certa forma, estimulado. A identidade daquela peça continua sendo da coca-cola e todos sabiam.
Acho que o remix vai além. Um rapper (você mencionou a street art) pode pegar samples de funks norte-americanos dos anos 70 e criar algo totalmente novo, sem que a maioria perceba o que foi feito ali. O Rei Leão é ao mesmo tempo Sheakespere, jornada do herói clássico e Kimba (animação japonesa dos anos 60). E ainda assim é uma peça original, em muitos aspectos. Por isso mencionei que o remix, quase um ato de pirataria (que é outro ingrediente no caldeirão), talvez seja o elo que fecha o ciclo e faz com que o produto retorne ao estado de ideia abstrada
Mas posso estar equivocado devido a meu curto entendimento de desvio. Se for o caso, pode puxar minha orelha
Abs