Comentário sobre a multi/inter/transdisciplinaridade

Meu post é breve, e nasce com um intuito mais corretivo do que de novidade, e o assunto é a multidisciplinaridade do design. Muita gente afirma que o design é interdisciplinar, e essa transdisciplinaridade do campo é algo que influencia substancialmente sua epistemologia, e torna suas fronteiras demasiada fluidas para se falar de um “é/não é” design. Ler mais deste artigo

O crítico de arte Reinaldo Azevedo: uma tentativa de entender seus comentários sobre Oscar Niemeyer

Sobre o assunto Niemeyer, postaram-se dúzias de comentários, elogios e críticas nas redes sociais. A crítica mais divulgada e comentada, sem dúvida alguma, foi a de Reinaldo Azevedo. Parei apenas hoje para ler os textos do comentarista sobre o assunto, e, ao que me parece, talvez seja interessante olhar mais profundamente o que este afirma, tentar entender seu ponto e, só depois, fazer algum julgamento sobre. Os textos em questão são esses, e vou tentar me esforçar para entender o que Reinaldo escreve.

Texto 1 - Morre Oscar Niemeyer, metade gênio e metade idiota – link
Texto 2 - Niemeyer e os zurros dos 100% idiotas – link
Texto 3 - Niemeyer, a obra e o pensamento. Ou ainda: Por que ser “poeta da curva” é superior a ser “poeta da linha reta”? – link -  Leia mais…»

Definir para discutir

O tema que eu gostaria de fato de abordar nessa coluna é a respeito do design como linguagem, mas minha pesquisa ainda é inconclusa, ou por demais rasteira para valer a pena apresentá-la a público já. Portanto, trago antes, algo que já assumo um posicionamento faz algum tempo, mas sem nunca ter empreendido um debate de fato sobre o assunto. Pra variar, o assunto gira em torno da bendita definição do design. Ou melhor, não do design, mas do designer. Quero, então, aqui, colocá-la à prova, justamente para que ou ela evolua, ou eu a chute de uma vez para escanteio. Agora, a definição.

Designer faz projeto de interface funcional pragmática.

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Revendo a brasilidade do brasileiro

Iniciei no Design Simples uma série de posts para me ajudarem na escrita de meu TCC, mas creio que esse exato ponto vale ser colocado por aqui, principalmente em sua versão extendida, e por lá, posto uma versão resumida, remetendo para cá. E que tema é esse que trago para cá?

Meu TCC é sobre a possibilidade de uma brasilidade no design gráfico, em especial em sistemas de identidade. Assim, o primeiro e necessário momento para fundamentar qualquer proposição disso é que olhemos para o próprio brasileiro antes de olhar para sua produção no design gráfico. Ver se nesse ente abstrato que chamamos de brasileiro é possível encontrar uma padronagem que classifiquei outros 200 milhões de pessoas no mesmo guarda-chuva.

Chega a ser hilário continuar o texto a partir do que coloquei acima… Que 200 milhões de pessoas possam ter as mesmas características. No entanto, creio que devo prosseguir, mesmo que para invalidar qualquer proposição de brasilidade que se faz hoje, ou se fez na história.

Tarsila do Amaral

Renato Ortiz em seu livro Cultura Brasileira & Identidade Nacional traça uma panorâmica bastante interessante sobre justamente as diversas tentativas de teóricos ao longo da história que tentaram fundamentar a existência desse “ser brasileiro”.  Já em sua introdução aponta que “(…) toda identidade é uma construção simbólica (a meu ver necessária), o que elimina portanto as dúvidas sobre a veracidade ou falsidade” (pg.8) desse homem brasileiro universal. Acredito que ressaltar essa necessidade que ele aponta é importante por dois motivos: 1.pela inevitabilidade de sua existência; e 2.pela função integratória que aparentemente aponta. Inevitabilidade porque a vivência coletiva traz um afrouxamento das características unicamente individuais das pessoas, mesmo que esse afrouxamento seja colocado pelo contexto histórico ou mesmo legislativo daquele coletivo. Uma moral que coordena as ações desse grupo criam uma unidade construida nos mesmos que, mesmo nas ações masi básicas, se pode encontrar padrões de atuação neles. E coloco a importância da função integratória pelo simples motivo de que assumir uma identidade grupal faz parte da vivência humana. Mesmo que alguém opte pelo afastamento social é porque reconhece nesse grupo uma unidade que não lhe apetece, e assim se retira de seu convívio. O fato de que Ortiz nos traz logo de cara a necessidade simbólica disso (embora ele não vá em nenhum momento para o lado da semiótica, podemos lembrar que o símbolo em Peirce nasce do hábito e da convenção) nos dá um atalho para quebrar logo de cara qualquer tentativa de ver no homem brasileiro alguma coisa intrínsecamente dele que, mesmo isolado, o tornaria brasileiro. Não existe. Assim, o primeiro ponto que podemos tirar aqui é que o brasileiro se constrói através da sua vivência de brasileiro. Ler mais deste artigo

Um funcionalismo funcional

Pois bem, depois de mil anos sem escrever, venho novamente dar a cara a bater. Mais ainda porque vejo que o tema do funcionalismo, em geral, é completamente rechaçado por esses lados, a ponto de eu ter jogado em meu twitter que achava que ninguém de fato tinha compreendido a essência do funcionalismo, e o Beccari me incentivou a escrever sobre. Pois bem, tomei como um desafio, e aqui lanço algumas idéias que formei sobre o tema (esse texto em nada será acadêmico… Estou sabendo melhor diferenciar um ambiente de blog de uma monografia ou ensaio para qualquer coisa. A bem dizer, acho que essa nomenclatura deveria ser revista, porque se o ensaio é o lugar onde as idéias são testadas, nada melhor do que primeiro abrir o debate num ambiente público para, a seguir, “cientificizá-lo” num congresso ou revista ou qualquer lugar onde tem “doutores” dizendo que você é bacana).

Rádio da Braum do auge do funcionalismo clássico

Primeiro ponto que tenho que apresentar é: eu também não entendia muito bem o funcionalismo. Assumia como funcionalismo uma visão que apresentava como histórica, mas que, quando fui dar uma olhada melhor e refrescar a lembrança, não era bem o que eu esperava… O funcionalismo em sua vertente histórica (associando-o especialmente à escola de Ulm, no pós-segunda guerra) tinha algum ranço positivista (estou sendo camarada) que podemos muito bem identificar nos estudos de Max Bense e sua estética matemática, que ao final das contas tinha também a ver com suas idéias para o design (para referências rápidas, dar uma olhada nesse e nesse livro). Esse ranço positivista identifico precisamente na tentativa de tornar científico e matemático todo ponto que concerne ao design, ou seja, o termo racionalismo faz completo sentido quando visto por esse lado. Em especial quando Max Bill sai da escola, isso se torna ainda mais palpável. O funcionalismo, em seu entendimento histórico, caracteriza tal período, e, imagino, é nesse momento que começou todo problema que o segue. Ler mais deste artigo

Um olhar sobre o designer

Design FAUUSP dezembro 2010É sempre saudável iniciar uma sequencia de posts num blog falando um pouco de si. Meu nome é Eduardo Camillo, e sou ainda estudante. Isso já, de certa forma, depõe muito contra o que escreverei aqui por alguns motivos: não tenho experiência acadêmica suficiente, não tenho experiência projetual suficiente, não tenho experiência de mercado suficiente, não tenho experiência de leituras suficiente, não tenho experiência de vida suficiente. Feitas tais observações, talvez seja interessante levantar um pouco minha bola, e mostrar qual seria o motivo de, depois de tudo isso, eu ainda insistir escrever aqui nesse blog de Filosofia do Design. Sou estudante de Design na FAU-USP, e faço parte da primeira turma do curso de Design da mesma (não, eu não faço arquitetura, agora a USP tem MESMO um curso de Design e teve seus primeiros 12 alunos formados esse ano). Ao longo da minha formação, iniciei alguns estudos que me levaram à filosofia e nesta permaneço até hoje. Tenho mais livros de filosofia do que de design, e isso é algo que me deixa um pouco… sem graça. Afinal, serei designer, e não filósofo (a princípio). E, talvez o mais determinante de tudo para que eu esteja aqui, dando a cara a bater no meio de tanta gente maior, é que tive uma curta experiência de 2 semestres como professor de um curso técnico de Design de Móveis, e lá encontrei minha vocação e felicidade que é dar aula. Isso demonstra alguma prepotência de minha parte, pois, ainda graduando, fui lecionar; e, enquanto blogueiro (assim como o Beccari, escrevo no Design Simples) e futuro professor (se os céus permitirem), acho que alguma coisa do que eu diga pode ser interessante. Nem sempre é, mas…  Enfim. No meu post inaugural, assim como fiz no Design Simples, pretendo lançar um olhar sobre o campo do Design, mas um olhar pouco mais atual, de coisas que pensei de um tempo para cá (mais ou menos 3 meses para ser pouco mais exato), e que estão fermentando na minha cabeça. Lançar o debate pode ser mais interessante do que fechá-lo em mim. Leia mais…»

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