Percepção visual, memória e cadeira
03/04/2012 2 Comentários
Quando batemos o olho em uma coisa qualquer, em frações de segundo realizamos uma operação complexa que costumamos chamar de “percepção visual”. É algo tão corriqueiro que raramente nos perguntamos o que ocorre nesse tempo infinitesimal. Entretanto, uma vez que começamos a questionar essa tal “percepção”, as perguntas começam a se acumular…
Digamos que, em um dado ambiente, eu olho para uma cadeira parecida com a que aparece na figura ao lado. Eu vejo imediatamente uma cadeira. Mas o que é uma cadeira se não um objeto que serve para sentar? Ora, a função de “servir para sentar” não faz parte do objeto que vejo. Eu é que atribuo a ele esta função e, por isso, dou-lhe o nome de cadeira. Se é assim, entretanto, devo reconhecer que eu não vi, na verdade, uma cadeira. O que eu vi foi um objeto de madeira com quatro pernas e uma aparência específica ao qual, através de um ato classificatório, dei, posteriormente, o nome de cadeira. Entretanto, mesmo nessa nova formulação, o problema permanece: “objeto”, “pernas” e “madeira” são, mais uma vez, nomes dados a alguma coisa que aparece para mim e que requerem categorias específicas para existir. Em última instância, se eu seguir este raciocínio até o fim, terei que admitir que o que efetivamente vi foi apenas uma imagem singular ainda inclassificada. Entretanto, tal suposta “imagem singular inclassificada” não faz parte de minha experiência: quando olhei para a cadeira, ela já era cadeira, e não um objeto estranho que só depois virou cadeira para mim. Mas será que tudo isso faz alguma diferença? Algum leitor poderia perguntar neste ponto: mas será que não é irrelevante o fato de eu chamar a cadeira de cadeira? Eu vi, diria ele, o que quer que seja que estivesse na frente dos meus olhos naquele momento e depois classifiquei essa coisa como cadeira. Se fosse um objeto desconhecido, isso em nada afetaria minha maneira de percebê-lo, ele continuaria a ser o mesmo objeto, apenas eu não o consideraria uma cadeira por não atribuir a ele a função de “servir para sentar”. Será que podemos nos satisfazer com tal explicação? Leia mais…»
A figura do Papai Noel sempre me despertou curiosidade. Por que exatamente no Natal, ou seja, no aniversário de Jesus Cristo, aparece uma figura tão estranha quanto um velho gordo que dirige um trenó puxado por renas voadoras, tem duendes como ajudantes e o hábito de descer as chaminés das casas para deixar presentes para as crianças? A hipótese mais óbvia que me vinha à mente era a de que, de alguma forma, Papai Noel era a versão moderna de alguma entidade pagã que acabou se ligando ao Natal ao longo de assimilações cristãs e seculares. Fui dar uma pesquisada para ver se minha intuição se confirmava…
Há algumas pessoas que te olham de uma maneira estranha se você começa a falar de “imagens mentais”. Aquelas que expõem suas reservas costumam dizer que não existe algo como uma imagem mental, que imagens mentais são apenas ilusões decorrentes de certos movimentos cerebrais.
Show de fantasmagoria: espetáculo bastante em voga no século XIX (embora tenha começado já no final do século XVIII), na Europa. Quem viu o filme
Fetichismo, totemismo e idolatria podem ser vistos como formas de relação entre humanos e imagens ou coisas. Por exemplo, se um sujeito estabelece com sapatos femininos uma relação erótica, digo que é tal sujeito é um fetichista e, o sapato, um fetiche. Se outro adora uma escultura como a um Deus, digo que é idólatra e, a escultura, um ídolo. Se outro ainda encara o símbolo de um time de futebol como algo que pauta sua identidade, dizemos que estabelece com tal time um relação totêmica (em relação ao totemismo, é preciso reconhecer que ele participa menos que os outros do vocabulário cotidiano).

