Sobre a filosofia, a técnica e a cibernética.

A meditação de Heidegger sobre a filosofia explicitou que ela sempre se moveu por princípios, os quais procuraram fornecer o ponto inicial de toda a investigação para se alcançar uma totalidade. Totalidade que pode ser entendida como o Mundo, o homem, Deus. Contudo, o pensamento voltado para o seu ser, ou seja, para aquilo que o fundamentava, reconhecia que algo lhe faltava e  as coisas sensíveis começavam  a ser tomadas em seu além. Assim, a filosofia começou a pensar no além do sensível, para este campo mais tarde cunhou-se o nome de Metafísica. Esta, em grosso modo, procura refletir sobre a totalidade dos entes e, conseguinte, avaliar qual o princípio que rege todos eles. Isto significa que aquilo de onde o ente como tal é, ele vem a ser tratado enquanto ente cognoscível, manipulável ou transformável. De tal forma, o fundamento se desdobrou em diversas interpretações por possuir o caráter de causalidade do real, ora considerado como possibilitação transcendental da objetividade dos objetos (Kant), ora como mediação dialética do movimento do espírito absoluto (Hegel), do processo histórico de produção (Marx), ou ainda, como vontade de poder que põe valores (Nietzsche). Ler mais deste artigo

A Imagem do Niilismo

A nossa contemporaneidade abre várias possibilidades para pensar a crise em vários níveis no nosso cotidiano. Contudo, normalmente, fechamos os olhos para o que pode vir a acontecer e deixamos que as coisas aconteçam no seu pormenor, só que em sentido inverso, proclamamos por um sentido que nos forneça certa justiça para o que pode nos acontecer. Há uma passagem da Gramatologia de Jacques Derrida em que ele escreve colocando Hegel como aquele pensador que deu o fim ao livro, isto quer dizer, depois da experiência hegeliana de mundo já não há mais pensadores que possam comentar algo sobre o mundo no que ele “deve ser”. Já que, pensadores conseguintes, como Nietzsche, indica que ao mundo não podemos dizer o que ele é sem cairmos numa falta de sentido àquilo que proclamamos. Precisamente, essa ausência de sentido contrariamente não concerne apenas a nossa contemporaneidade e sim, como atenta Nietzsche, está no interior do pensamento ocidental que criou seus valores a partir de um ideia suprassensível na qual nós forjamos uma imagem pela qual perseguimos para preencher a nossa vida concreta, cheia de indecisões e incertezas. Nietzsche denomina esse modo de ditar normas para esse mundo imaginando um outro além, que invariavelmente decai num fracasso, de Niilismo. Ler mais deste artigo

Desconstrução e Ontologia em Ser e Tempo

A desconstrução (Destruktion) da ontologia tradicional empreendida por Martin Heidegger se inicia com a repetição da questão do Ser no horizonte do sentido a partir da qual ele formula uma nova ontologia calcada na analítica do ente primordial; o Dasein. Heidegger escreve que apesar da nossa época ter todo interesse pela “metafísica”, a questão do Ser caiu no esquecimento, mesmo considerando que a questão é tão essencial e por isso foi a motivadora das pesquisas de Platão e Aristóteles. Desse modo, repetir a questão do Ser é necessário uma vez que esta é a interrogação fundamental da filosofia.

ImagemPara tanto, Heidegger, primeiro, esclarece alguns dos pré-conceitos atribuídos ao Ser, dados como definitivos, mas que apenas desfavorecem a retomada da questão. Por exemplo, aceitar a universalidade do Ser não indica qualquer clareza, uma vez que o Ser transcende qualquer universalidade genérica. Como podemos apreender na ontologia medieval o Ser era considerado um “transcendens”, consideração já presente nos estudos aristotélicos pela unidade da analogia que entendia a universalidade em geral frente à variedade multiforme de conceitos. Todavia, a unidade de analogia instalou uma nova base para os problemas do Ser, devido ao obscurantismo dos nexos categoriais. Com isso, uma explicitação ficou ausente até, inclusive, na Lógica do Hegel a qual indicava o Ser como “imediato indeterminado”. Por isso, “quando se diz, portanto: ‘ser’ é o conceito mais universal, isso não pode significar que o conceito de ser seja o mais claro e que não necessite de qualquer discussão ulterior. Ao contrário, o conceito de ser é o mais obscuro” (Heidegger, 2005, pg.29). Leia mais…»

O mais profundo é a pele.

Este texto foi originalmente publicado no blog Robô Alcoólatra

Ontem assisti à A Pele que Habito de Almodôvar. Surpreendente. Esse é o adjetivo que mais se encaixa nesse filme, pois apesar de estar algumas das características principais da filmografia almodovariana, ainda tem um passo mais além, entrando no assunto contemporâneo da bioética. O espanhol jogou todo o seu clima burlesco num filme que se aproxima de um thriller dos anos 30 e um de terror científico que encontramos nos dias de hoje (Centopeia Humana). A começar pelo título mesmo, em qual pele nós habitamos hoje em dia? Ficamos emergidos num anacronismo, onde vemos diante de nós um avanço científico e no outro, grande asseguramento de valores tradicionais para dar justificação a certos caminhos que na verdade já são altamente sem-sentido. Porém, perduramos naquele sentimento de permanecermos presos e acomodados a uma lei que enfraquece, já que tenta calcular o incalculável: a natureza humana. Ler mais deste artigo

Nietzsche: o filosofar com o martelo

Como tô cheio de coisas do mestrado pra resolver, sem vir idéias para escrever um tema que ligue a filosofia ao design. Decidi por hora escrever sobre um filósofo, deste modo, os leitores podem retirar algo que contribua de alguma forma do texto abaixo. Resolvi escrever sobre Nietzsche se tiver uma boa aceitação, posso quem sabe escrever mais sobre alguns dos filósofos que tenho mais afinidade.

Sobre o filósofo alemão Nietzsche posso afirmar que é um dos pensadores mais conhecidos tanto para especialistas quanto para leigos, principalmente se restringirmos ao âmbito da filosofia. Pois ao perguntamos a um leigo a cerca da filosofia muito possível que ele reportará seja aos gregos, aqui refiro a Platão e Aristóteles, ou a Nietzsche, talvez um ou outro que possa indicar Marx devido a grande influência política no século XX ou citar Freud por confundi-lo como inserido na classe dos filósofos. Porém, raramente você verá alguém reportar, por exemplo, a Kant; que como se sabe foi o grande divisor de  águas da filosofia depois de Aristóteles. Podemos colocar talvez Sartre, mas sinceramente hoje em dia, Sartre não carrega tanta publicidade como tempos atrás e hoje quem ouviu falar de Sartre, também ouviu falar de Kant; diferente de Nietzsche. Mas com toda essa comoção ao pensamento de Nietzsche será que as pessoas conhecem Nietzsche? Refletem sobre seus pensamentos? Claro que não. Tanto mais porque, muitos utilizam da filosofia de Nietzsche como espécie de auto-ajuda, recorrendo a aforismo soltos sem qualquer identificação com a obra em si.

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Pensar o design, que tarefa é essa?

Esta minha postagem deveria ser a primeira que deveria ter escrito aqui, porém as idéias não surgem quando o pensamento quer, mas quando elas se sentem a vontade para se manifestar.  Restando a nós  saber relacioná-las com o nosso pensamento… Quando o Beccari me convidou para escrever no blog, uma das coisas que fiquei receoso se aceitava ou não era porque até então o título filosofia do design me parecia bem estranho (na verdade, ainda continua). Uma vez que concerne a pensar o design fora de um enquadramento disciplinar, aproximando de uma forma pela qual uma pessoa podia se manifestar no mundo, já que a nossa sociedade cada vez mais privilegia o jogo da imagem, o design aparece como uma maneira de atribuir conteúdo à performance que está presente nos dias atuais: o esteticismo. Esse modo de procedimento tem seu privilégio porque imiscui no fato de que a aparência condiz a uma condição hierárquica elevada no que concerne ao modo de formular juízos acerca de um ação. Com isso, se tomarmos o pensamento não como uma atitude contemplativa, teórica, e sim que todo o pensar sobre algo já é um ação, que tem a sua diferença por instituir a dúvida acerca dos fatos já aceitos como evidentes. Então, pensar o design seria justamente colocar em xeque o valor da aparência puramente formal, por mais que no primeiro momento ocorra uma semelhança entre aparência e design.   Ler mais deste artigo

O tempo das ocupações

É famosa a passagem de Santo Agostinho sobre o tempo na qual ele diz que se ao lhe perguntarem sobre o tempo, você tem uma idéia do que seja, porém se pedirem para  o definir ninguém sabe do que se trata. Apesar desse tom meio aporético que a questão do tempo nos provoca, sempre estamos nos movendo nele, seja de maneira consciente ou inconsciente, pois ao elaborarmos um plano de tarefas sempre o dividimos seja em horas, dias, semanas ou meses. Regularmente os mais organizados fazem isso escrevendo na agenda, colocando recados na geladeira ou até mesmo só  com o uso da memória. Assim, parece que o tempo condiz a um objeto no qual fazemos o seu manuseio de acordo com o nosso querer, será que o tempo é isso mesmo? Ler mais deste artigo

O Discurso da Minoria

A complexidade pela qual a sociedade cada vez mais se torna, constrói a seu favor ou contra grupos de pessoas que emitem certas opiniões, sendo que estas na medida do tempo passam por uma seleção que procura ratificar o mais provável para o desenvolvimento de todos. Essa escolha de discursos, claro, perfaz um emaranhado de detalhes no qual o fim é aquilo mais procurado: o poder. Pois, a busca incessante de controle move de maneira incessante cada uma das pessoas tanto na micro quanto na macropolítica e assim a fala de cada de um é reavaliada pelo grau de poder que ela emane. O mais interessante é que na nossa época contemporânea se abriu uma procura de preencher todos os campos sociais, não porque há uma ausência, ou seja, carente de poder, e sim ao contrário, requer o poder porque este já o tem e almeja uma elevação. Essa modo de proceder está bem explicado no comentário de Heidegger sobre o pensamento de Nietzsche, que de acordo com ele pode ser denominado de a filosofia da vontade de poder. Heidegger cita no ensaio “A Sentença de Nietzsche: Deus está morto”: Ler mais deste artigo

A mentira da imagem

A tentativa de inserir um novo produto no mercado perpassa invariavelmente no caráter periódico da imagem na mente dos consumidores. Desse modo, uma ferramenta que procura sustentar isso é o logotipo, pois esse tem a particularidade de se tornar o ponto fixo de um produto no qual tenta ter destaque no emaranhado de coisas presentes no cotidiano contemporâneo. Porém, o cerne daquilo posto a ser comercializado não é colocado explicitamente, já que a tentativa aqui é seduzir o consumidor de tal maneira que diante de uma certa necessidade a lembrança primeira concerne justamente àquele logotipo. Interessante que vasculhando a internet encontrei uma galeria realizada pelo designer Viktor H. que justamente readapta certos logotipos famosos, intensificando os reais efeitos proveniente dos seus produtos comercializados.

Ao depararmos com a imagem readaptada pelo designer facilmente concordamos com o enunciado presente no atual logotipo. Por exemplo, na figura ao lado em que exibe o logo da McDonalds modificado em que forma a palavra McDiabetes, nisso facilmente entendemos o teor provocador exibido nesse trabalho, não somente isso, afirmamos o efeito sublinhado aqui no abuso de produtos de tal loja. Entretanto, mesmo após aplausos mediante a edição do designer, ao retomarmos o nosso cotidiano caso perpassamos o dia em shoppings, passando em frente a essa lanchonete visamos o logotipo original e na maior parte das vezes sentimos uma vontade de consumir, nem que seja a batata-frita, um sorvete, ou até mesmo o clássico BigMac. Aí advém a questão: o que aconteceu com nossa concórdia a imagem ao lado? Esquecemos nossas opiniões diante do contexto social em que estamos inseridos? Ou somos carregados pela mentira, vivenciando-a no limite de nossos prazeres? Não será com isso indicado que, o nosso ideário de convívio social só pode ser sustentado na mentira, a qual não concerne somente quando alguém emite uma fala que apresenta uma desajuste com a realidade, e sim, cada vez mais através da imagem somos imergidos na mentira que se tornou verdade? Essas são indagações que tentarei mostrar um caminho, que procura apresentar considerações sobre o efeito da mentira através das imagens. Leia mais…»

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