A morte do design – parte II

No meu último post, eu anunciei a morte do design, mas não sei se a relação do que falei com esse velório ficou clara. E, de fato, não deveria ter ficado, porque aquilo foi só a sucessão caótica de eventos que nos trouxe até aqui, à trágica morte do design.

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A morte do design – Parte I

Ainda no primeiro período, em História do Design, eu lembro do meu professor pôr a questão do que é design. Em suas divagações e questionamentos, ele chegou a perguntar-nos se Madonna não seria um artefato de design; ela é projetada para se comportar de determinadas maneiras, para cantar e se vestir com intuitos específicos e manobrar pelo mercado de forma planejada. Durante um tempo, aquilo foi uma piada interna, e das boas. Mas agora, passados quatro anos: e aí, Madonna é um artefato de design?

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Dilemas do Design VI – valor e avaliação

* texto originalmente publicado na Revista Clichê.

“O segredo da maestria é que não há mestre.” – Georges Gusdorf, Professores para quê? (São Paulo, Martins Fontes, p. 318).

Imagine que você é um professor de design editorial e nenhum de seus alunos sabe o que significa “kerning”. Exceto um, que inclusive trabalha nessa área já faz uns dez anos. A princípio, você teria duas opções: (1) começar do básico e fingir que aquele aluno não existe, nota 10 pra ele e pronto; (2) avaliar cada aluno de acordo com seu próprio “esforço”, isto é, do quanto cada aluno progride dentro de seu “nível” individual. Leia mais…»

Tragam suas machadinhas: vamos falar sobre cultura

Foto extraída do portal R7

Foto extraída do portal R7

Poderia ser o enredo de algum conto surreal de H. P. Lovecraft: em plena tarde de domingo, Regina Casé e Preta Gil aparecem juntas em um mesmo palco comandando Caetano Veloso em um programa musical no qual celebridades da Globo dançam e fazem festa. Poderia ser, mas na verdade trata-se de uma “impressão digital” – segundo o próprio programa e sua apresentadora, da cultura brasileira em um drops semanal de um pouco mais de uma hora. Não faz muito tempo que Regina Casé foi eleita como uma espécie de porta-voz da cultura do nosso país em todos os papéis que vem desempenhando nos programas da televisão. Talvez tenhamos outros porta-vozes menos populares, mas com certeza nenhum tão entusiástico e aparentemente engajado em demonstrar essa cultura toda.

Tal fato, claro, agrada a muitos, e desagrada a outros tantos. O questionamento acaba surgindo: fazemos realmente parte dessa cultura sendo demonstrada ou estamos nos portando como um observador externo de um fenômeno que não representa – ou ao menos desejaríamos que não representasse – a nós mesmos? Ler mais deste artigo

O aftermath da tabela

”No reino do kitsch totalitário, as respostas são dadas de antemão
e excluem qualquer pergunta nova. Daí decorre que
o verdadeiro
adversário do kitsch totalitário é o homem que interroga. A pergunta é como
a faca que rasga a cortina do cenário para que se possa ver o que está atrás.”

Milan Kundera, em A insustentável leveza do ser

Se você faz parte do campo “criativo” do “mercado”, com certeza você acompanhou a polêmica da tabela de preços semana passada – ou foi retrasada?. Depois da mariola da peteca, gostaria de tentar fazer alguma contribuição na transcendentalização da tabela para tentar discutir sobre algo mais produtivo. Claro que outras críticas já foram empreendidas por pessoas muito, muito, muito, mas muito mais competentes do que eu. Mas vou tentar acrescentar alguma coisa.

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Dilemas do Design V: corporativismo

* texto originalmente publicado na Revista Clichê.

“O design como conhecemos hoje só existe porque jovens de 20 a 30 anos se sujeitam a trabalhar como escravos para empresas que os usam como ferramentas.” – Charles Watson.

Muitos críticos sustentam que o indivíduo de hoje, diante de um suposto enfraquecimento dos tradicionais laços de identidade (família, trabalho, religião, panelinha etc.), tem abandonado o sentimento de identidade coletiva em proveito de condutas narcisistas e hedonistas. É uma leitura plausível, mas simplifica questões prementes, sobre as quais ainda pretendo discorrer em ensaios mais longos, fora dessa série dos dilemas do design. Leia mais…»

A estética humeana no design

ou O dia em que eu me espantei ainda mais por designers não estudarem filosofia

Eu preciso, antes de mais nada, confessar uma coisa: sou um analfabeto filosófico. Eu nunca li Kant, Platão, muito menos Wittgenstein. E venho neste blog, participar como colaborador. Se eu nunca mais postar aqui, saibam que fui demitido.

Apesar disso, eu prezo pelas minhas inquietações: vivo sempre naquele limite hipócrita do “eu não sei, mas gostaria de saber quando tiver tempo”. E, surpreendentemente, às vezes o tempo chega. Esses dias, estive ouvindo algumas aulas de Oxford sobre Estética e Filosofia da arte que me têm sido bastante esclarecedoras. Desde a primeira aula – sobre Platão –, constatei o óbvio: o Design tem muito o que aprender com a Estética.

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Dilemas do design II: dualismos

dualismos* texto originalmente publicado na Revista Clichê.

Todo projeto é uma forma camuflada de escravidão? – Emil Cioran

O profissional de design representa SIM um dos protagonistas da contemporaneidade na medida em que ele atua no seio de um processo (dentre muitos outros) de produção-distribuição-consumo que se estabeleceu, no decorrer das últimas décadas, como força motriz social. Uma perspectiva otimista consideraria o design, neste contexto, como novo ponto de encontro e convergência de uma miríade disciplinar que fundamentaria a reflexão intelectual e informaria a uma práxis cultural crítica e inovadora. Se for o caso, e obviamente quero crer que sim, o embasamento necessário ao exercício da “profissão design” estaria seguindo um trajeto contínuo de inter-relações dos vários campos do saber e tipos de sensibilidades. Projetar, planejar, gerenciar e produzir seriam condutas que superariam a mera reprodução, repetição e utilização das técnicas (mesmo das mais atuais). Leia mais…»

O Designer enquanto autor

O texto a seguir é uma tradução livre que fiz de um ensaio de Michael Rock para a revista Eye, cuja versão original também pode ser lida online. Acredito que a discussão que esse ensaio traz é bastante frutífera e ele apresenta alguns modelos de autoria que foram usados em outras áreas e como eles poderiam ser utilizados no design. Não vou fazer pontuações em relação ao texto aqui no post, mas nos comentários, para que não fique mais extenso.

Essa tradução foi realizada porque me deu algumas bases para essa discussão no meu projeto de graduação. E, como tal, também foi distribuída em formato de fanzine na UFPE. Se alguém tiver interesse nesse formato – que foi feito para tornar a leitura um pouco mais leve – só entrar em contato, eu passo o arquivo pronto para impressão ou como e-zine mesmo. 

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O que realmente significa chamar o designer gráfico de autor? Ler mais deste artigo

Dilemas do design I: o não-estar

* texto originalmente publicado na Revista Clichê.

Tudo o que atualmente se pretende marginal, irracional, revoltado, “anti-arte”, anti-design, etc., desde o pop ao psicodélico e à arte na rua, tudo isso obedece, quer queira quer não, à mesma economia do signo. Tudo isso é design. Nada escapa ao design: eis a sua fatalidade. – Jean Baudrillard em Para uma crítica da Economia: Política do signo (Rio de Janeiro: Elfos, 1995, p. 206).

Uma das maiores contradições do design, ao menos no Brasil, reside no fato de que a crescente propagação/repercussão da ideia de “design” parece ser inversamente proporcional à valorização da mesma. Mesmo com certa “regulamen-tação” pré-aprovada, o hipsterismo implícito em nossa postura profissional (não sou designer de sobrancelhas, o povo banalizou etc.) não passa de um placebo que, ao invés de gerar valor, apenas nos reduz a panelinhas descartáveis no mercado. Leia mais…»

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