produtificação
03/01/2013 Deixe o seu comentário
Recentemente uma crônica (em inglês) perguntava se a Lego™ tinha vendido a alma para o demo. Curiosamente o mesmo exemplo que eu tinha usado alguns meses antes num debate no RLab. Basicamente a ideia é que os kits da Lego vem se tornando mais elaborados e complexos (despertando certamente em mim aquele célebre WANT) mas que ao mesmo tempo parece que também se tornam menos criativos.
Vamos explorar aqui a hipótese de que se trata de um fenômeno de produtificação: Para transformar uma coisa (genérica) em um produto é preciso “fechar” essa coisa.
O exemplo do Lego é interessante, já que trata de um brinquedo. Quando criança, influenciado por Star Wars, eu fiz uma nave espacial com as peças do kit “Casa” do Lego. Em retrospectiva, agora acho que era uma nave com um “quê” de casa, bem quadrada, sem cara de máquina. Mas era uma nave. Leia mais…»
Semana passada tive a oportunidade de participar, ao lado de meu parceiro anticaster Ivan Mizanzuk, de um debate sobre design e tecnologia no Pavão 2012, semana acadêmica da ESDI. Devo agradecer ao Daniel, Ricardo e Almir pela receptividade e companhia, e esclarecer que não pude participar da mesa-redonda na UBA-UFRJ por puro azar, pois eu queria muito, muito mesmo, ter participado. Em todo caso, quero comentar sobre uma das questões levantadas na ESDI, uma pergunta que me pareceu representar a principal preocupação dos alunos que ali estavam: como a tecnologia (no sentido de domínio sobre a ferramenta, especialmente um software) influencia (ampliando ou limitando) o trabalho do designer?
Da série posts chatos para questões inúteis, a pergunta do dia é: Beccari, você continua a reforçar julgamentos pré-formulados ou já consegue dispor-se a obter mais argumentos para defender os mesmos julgamentos pré-formulados? Adorei essa pergunta porque ela infere uma única resposta possível (o “ou” é falso), que é exatamente o julgamento pré-formado do indivíduo a meu respeito.
[Esta não é uma resposta definitiva, mas espero que satisfatória a todos que me perguntam por que considero esse assunto tão chato.] 

Em geral eu aprendo rápido. A primeira coisa que aprendi em minha ínfima experiência docente é que não são apenas os alunos que não sabem ler, escrever e se expressar. É o mundo inteiro. Logo, o professor representa um ser inconveniente que insiste em dificultar a vida de todo mundo, um estorvo, um chato, um frustrado.
“Ornamento é crime” — “Menos é mais” — “Forma segue Função” — a julgar pela {baixíssima} qualidade dos slogans você imaginaria que o funcionalismo teria já há muito desaparecido dessas terras sem deixar vestígios. E o curioso foi que não, aqui estamos em pleno século XXI e ainda algumas pessoas se auto-proclamam funcionalistas, sem contar as legiões que pensam funcionalisticamente até quando acham que estão “fazendo arte” e jamais se dão conta disso. Claro, parte do problema é o horrorosamente ruim estado do anti-funcionalismo, que chega a ser pior do que o problema original. Mas (pra manter minha fama de bonzinho) prefiro lembrar das colocações funcionalistas menos problemáticas. 





