Debate FdD: por que os pilotos kamikazes usavam capacete?

Debate FdD é uma série de “posts coletivos” (em paralelo ao debates homônimos lançados em nosso facebook e tumblr) e este post é nossa primeira tentativa. A ideia é a seguinte: alguém lança uma questão e cada colaborador aqui do blog escreve brevemente o que pensa a respeito. Essa primeira pergunta eu roubei descaradamente do braincast 55, mas o ideal seria que você, leitor, nos enviasse suas próprias perguntas (deixe nos comentários). Agora vamos ao assunto do dia: segurança do trabalho!

Bolívar Escobar: Lembram daquele relato do kamikaze que sobreviveu ao seu vôo quase final porque caiu na água? Onde foi que vi isso? Seu depoimento era algo como “estou vivo, que vergonha”. Leia mais…»

Projetando focinheira para vampiros

twilight-saga-scene-cutPassei os últimos meses (e ainda continuo) em verdadeira maratona intelectual, tentando dar forma a minha pesquisa de doutorado sobre diferentes modos de enxergar as possibilidades e motivações para controle dos próprios desejos. Aproveitando o sucesso estrondoso da Saga Crepúsculo, começo tal pesquisa com uma leitura da saga.

Imagino que todos os leitores saibam – requisito mínimo de erudição pop – que um dos pontos centrais da história é a luta de alguns vampiros para controlar seus impulsos. Edward, o vampiro galã protagonista, passa a maior parte de Crepúsculo tentando controlar sua sede pelo sangue de Bella, sua amada. A cada momento, ele tem de lutar entre seu desejo vampiresco de matá-la com um chupão sanguinolento e seu humano, demasiado humano, amor romântico que o impele a protegê-la e a fruir de sua doce presença. Leia mais…»

quando se fixa um centro, não se avista a circunferência.

Será preciso, primeiro, partir-lhes as orelhas, para que aprendam a ouvir com os olhos? – Friedrich Nietzsche, Assim falou Zaratustra. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007, p. 40.

Tem sido impossível arranjar tempo pra escrever porque estou me mudando para SP, mas antes que 2012 termine, quero registrar que eu AINDA acho que a confusão e o ruído (ao invés de clareza) podem ser bastante úteis no design.

A pergunta que marcou meu ano foi “por que não é preciso ter olhos para enxergar as coisas?”, quando eu explicava para alguém (não lembro quem) minha pesquisa de mestrado. A resposta foi algo como: veja, não é apenas uma questão de percepção, porque nem sempre existe um “eu” que enxerga as coisas. Leia mais…»

improvisação

lâmpada com efeitosThomas Edison não escolheu a lâmpada. Ele criou a lâmpada. Apesar de que ele fez uma lista de todos os possíveis materiais para um filamento e testou pentelhamente um por um. Apesar de que ele sabia o que ele queria fazer muito antes de ter conseguido. Apesar de que a lâmpada era uma coisa que todo mundo meio que sabia que devia ser possível de algum jeito. Mas ainda assim escolhemos chamar essa ação de “invenção”. Claro, também poderíamos ter chamado de “abacaxi”. Mas vamos assumir temporariamente o (mal) pressuposto de que a palavra importa. Por que não se trata de uma escolha? E por que isso importa?

Como nos mostra Barry Schwartz (no video do último post), a fixação que nossa cultura tem com “escolhas” vem de um recalque mais profundo com a “liberdade”. Como nos mostra David Graeber (num livro que vocês não podem ler senão passarão a achar todas as minhas ideias requentadas), essa fixação do ser-livre só aparece numa sociedade em que muitos são não-livres, ou escravos ou escravos do salário ou algo do gênero. Leia mais…»

opção fnord

A Ford logo subverted to read Fnord

Logo, subvertida (Photo credit: Wikipedia)

A vida é feita de opções. Frase tão trivial que quase não diz nada. Mas esconde algo: Um pressuposto perigoso de que a vida deve ser (ou simplesmente é) modelada pelo nosso condicionamento verbal.

É óbvio. Não?
Nosso cérebro macaco é extremamente flexível. Tão flexível que consegue até fazer coisas inúteis como processar palavras. Mergulhados na cultura como estamos, esquecemos como uma palavra carece de praticidade. Mas imagine-se perdido numa floresta sem o manual do escoteiro mirim, e me diga: Para que você usaria uma palavra? (Gritar por socorro não precisa de palavras, qualquer som claramente não animal serve).

Contraste isso com a vasta utilidade cultural das palavras: Utilidade para lidar com outros seres humanos, na prática passar outros para trás. Ler mais deste artigo

o design e a internerd

xkcd commemorates the end of Geocities

xkcd commemorates the end of Geocities (Photo credit: secretlondon123)

Na página 207 do livro “Design para um mundo complexo” Rafael Cardoso afirma que:

A internet jamais teria alcançado sua repercussão atual se não fosse pela elaboração das interfaces gráficas que dão sustentação à world wide web. (…) Em suma, do ponto de vista de sua difusão social, a rede é um fenômeno tanto de design quanto de informática.

Essa afirmação está errada, fatualmente, mas o problema maior é quão monstruosamente enganosa ela é. Ler mais deste artigo

Filosofia do Design, parte LV – o Sentido do Design

* texto originalmente publicado no Design Simples.

Se hoje me perguntassem o que é Design, eu responderia: nem sempre. Na faculdade, aprendemos que Design é projeto, mesmo com diversos autores dizendo que Design é processo, gestão, comunicação, inovação, etc. Então o mais fácil é concluir que Design é tudo isso ao mesmo tempo. Contudo, eu acho que nem sempre.

Em geral, designers insistem em querer fazer sentido, ignorando todo o mistério que é produzir sentido. A guerra, os mitos, a história, o acaso, tudo pode produzir sentido. Mas não somos nós que produzimos conscientemente um sentido para nossas vidas. Ninguém tem autonomia para, por exemplo, decidir ser feliz (embora qualquer autoajuda diga o contrário). Leia mais…»

Post-pra-paradoxo

O paradoxo é, em primeiro lugar, o que destrói o bom senso como sentido único; mas, em seguida, o que destrói o senso comum como designação de identidades fixas.

(DELEUZE, 2007, p. 3)

Os paradoxos do sentido, expostos por Deleuze (2007), têm por característica percorrer dois sentidos ao mesmo tempo e podem ser definidos como: paradoxo da regressão ou da proliferação indefinida, paradoxo do desdobramento estéril ou da reiteração seca, paradoxo da neutralidade ou do terceiro estado da essência e paradoxo do absurdo ou dos objetos impossíveis.

Paradoxo da regressão ou da proliferação indefinida: O sentido, na medida em que se combina com o nonsense, relaciona-se com uma proliferação infinita das entidades verbais – para cada sentido, existe outro, o que desencadeia uma regressão indefinida: o excesso que remete à própria falta. Segundo Deleuze, ao mesmo tempo em que não se diz o sentido do que é dito (lembrando que significado, designação e sentido se diferem), paradoxalmente podemos assumir o sentido do que foi dito como objeto de uma segunda proposição, da qual também não se diz o sentido. Então se entra nessa regressão infinita do pressuposto, o que é testemunha de uma impotência em dizer ao mesmo tempo alguma coisa e seu sentido, embora fosse ótimo ($$) para os designers se isso fosse efetivamente praticável. Leia mais…»

crise do cinema americano

O cinema americano está em crise. Pra ser bem claro, não sou eu que inventei esse fato. Já tem alguns anos que isso vem sendo percebido e discutido por várias pessoas. Não quer dizer que eles estejam ganhando menos dinheiro (embora parece haver uma estabilização do número de ingressos vendidos só com o preço aumentando). Quer dizer que eles estão fazendo filmes piores. Essa tendência foi até colocada em gráficos!

Brenda Laurel, em Utopian Entrepeneur, conta o ponto de vista dela de que a Atari morreu quando, depois de comprada pela Warner, ao invés de engenheiros com ideias malucas fazendo jogos, haviam executivos que achavam que para um jogo “dar certo” era só ter o marketing certo. Então nessa época todo o desenvolvimento dos jogos da companhia eram voltados para franquias: ET, Super-Homem, etc, fazendo jogos insípidos. Eu me lembro quando ao iniciar um jogo novo, você não sabia o que o jogo ia te pedir pra fazer. Alguns jogos eram mais diferentes que outros, claro, mas em geral cara jogo era uma coisa diferente. Hoje, a grande maioria dos jogos são ou FPS ou RTS, de forma que você não sabe qual vai ser a “temática” do jogo, já sabe o que tem que fazer, quais são seus objetivos. Hoje, um game tem que vender, e o carinha descolado que fala de ideias mirabolantes por trás do jogo é apenas uma engrenagem na máquina de fazer jogos (dramatizando um pouco a coisa).

Pois bem, esse é um processo extremamente similar ao que sofreu o cinema americano. Um artigo recente (que eu achei via HackerNews) fala desse processo todo e, meio que pra exemplificar, propõe que o dia que o cinema americano morreu foi o lançamento de Top Gun. Leia mais…»

Livro-Objeto-que-Deseja [2]

Enquanto o “livro-objeto-que-deseja” estava em processo de construção física, eu tentei finalmente responder a questão: “O que se pretende com um livro cujos textos são escritos para serem combinados com quaisquer continuações, ou até mesmo permanecerem sem fim (ou sem meio, ou sem começo) para que possam ser despreocupados e independentes, podendo ter sua formação se relacionando com infinitas proposições (ou até mesmo permanecerem incógnitos dentro de si mesmos)?”

Ou: “Por que desejar o nonsense é o problema desse projeto?”

mandíbula sonâmbula perambula sobre a escrivaninha sob a luminária

Ao explicar o resultado do projeto, o “mandíbula sonâmbula perambula”, ressaltei que o processo de tentativa dessa resposta deveria ser considerado a própria resposta, pois se sabe que sua existência como produto de design está atrelada a inquietos assuntos de uma teia de proposições, dos quais se nota, além dos conceitos de formação do produto (nonsense, livro-objeto e desejo), o conceito de rizoma:

Num livro, como em qualquer coisa, há linhas de articulação ou segmentaridade, estratos, territorialidades, mas também linhas de fuga, movimentos de desterritorialização e desestratificação. As velocidades comparadas de escoamento, conforme estas linhas, acarretam fenômenos de retardamento relativo, de viscosidade ou ao contrário, de precipitação e de ruptura. (DELEUZE, GUATTARI, 2000, p. 11-12) Leia mais…»

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