Sobre a teoria linguística de Saussure
30/04/2013 Deixe o seu comentário
Em meu último post aqui no blog, levantei algumas questões introdutórias ligadas à linguagem, utilizando como referência principal a teoria da linguagem de Saussure. Um ponto que ficou em aberto foi o do quanto e de que formas o sujeito seria, de certo modo, colonizado pela linguagem. Eu apresentei então somente um aspecto da questão — que não pode de modo algum ser considerado uma resposta – e pretendo refletir melhor sobre o assunto em um próximo post, inclusive mostrando como a teoria do Saussure de fato só trata de uma pequena área da esfera da linguagem, embora muitas de suas ideias sejam aplicáveis também em outros lugares, como mostrarão os estruturalistas. Antes de fazer isso, porém, achei que seria pertinente escrever uma exposição minimamente aprofundada de alguns aspectos da teoria do Saussure — é isso que farei no presente post. Utilizarei como guia principal o Curso de linguistica geral (CLG), compilação das notas dos alunos dos cursos de Saussure ministrados a partir de 1906 e que é o principal registro das teorias do linguista. A edição consultada do CLG foi: SAUSSURE, F. Curso de linguística geral. São Paulo: Cultrix, 2006 (disponível neste link). Leia mais…»


Quando se tenta pensar por conta própria e expor o que se pensa, a reação padrão é: mas você não está simplesmente encaixando as coisas em tuas próprias categorias, baseando-se numa visão parcial e limitada sobre o mundo?
O inconsciente é, sem dúvida, um dos conceitos mais importantes — se não o mais importante — da psicanálise. É crucial compreender logo de saída que não se trata, para Freud, apenas de dizer que não temos acesso a parte de nossa mente. Freud pensa o inconsciente como um sistema mental específico. O sistema inconsciente — representado pela sigla Ics, para ficar mais fácil diferenciá-lo do termo ordinário, usado como adjetivo — está em oposição ao sistema consciente/pré-consciente (Cs/Pcs), que é aquele nos quais circulam os pensamentos momentaneamente presentes na consciência ou facilmente acessíveis a ela — por isso chamados pré-conscientes, já que não são propriamente conscientes: só estão inconscientes momentaneamente, pois nada os impede de aparecerem para a consciência. Ou seja, se você não está pensando naquilo que você comeu no almoço neste exato momento, mas poderia pensar sobre isso agora que eu mencionei o assunto, então não diríamos que as ideias (estou usando o termo de maneira genérica, para não complicar o assunto) que compõem seu pensamento sobre seu almoço são conscientes, mas também não diríamos que são inconscientes, e sim pré-conscientes. A distinção entre consciente e pré-consciente não interessa muito a Freud, por isso ele costuma agrupar os dois na sigla Cs/Pcs.
[O texto abaixo estava engavetado há um bom tempo porque eu nunca consegui "digeri-lo". Espero que alguém consiga.]
* texto gerado a partir de mini-palestra ministrada na 





