Dilemas do Design VII – metalinguagem

* texto originalmente publicado na Revista Clichê.

Temo que, enquanto tivermos gramática, não teremos matado Deus. – Nietzsche.

Não é novidade a acusação de que a linguagem é o limite do “esclarecimento” moderno. Assim como não é de se espantar que o estruturalismo – corrente filosófica contemporânea segundo a qual a realidade social é estruturada por um conjunto formal de relações – tenha surgido no mesmo país onde foi criada, em 1634 (pelo cardeal Richelieu), uma tal de Academia Francesa, cuja função inicial era conservar e aperfeiçoar a língua local por meio de um procedimento básico e tirânico de eliminar expressões ambíguas. Leia mais…»

Cursos Filosofia do Design em São Paulo

Prezados amigos, como desdobramento do grupo de estudos em Filosofia do Design que tenho coordenado na USP (aliás, sou muito grato a todos que estão participando e colaborando com ele), começarei a ministrar alguns cursos em São Paulo a partir de junho. Todos estão convidados, as vagas serão limitadas e as inscrições já estão abertas.

Haverá apostilas digitais para os dois cursos, com direito a certificado (formação complementar de curta-duração). Mais informações pelo e-mail assessoriamulti@gmail.com. Os cursos serão realizados no Instituto Volusiano - Rua São Gall, 110, Lapa, São Paulo-SP.

Abaixo, seguem as informações básicas sobre os dois primeiros cursos ofertados. Leia mais…»

A morte do design – parte II

No meu último post, eu anunciei a morte do design, mas não sei se a relação do que falei com esse velório ficou clara. E, de fato, não deveria ter ficado, porque aquilo foi só a sucessão caótica de eventos que nos trouxe até aqui, à trágica morte do design.

19

Ler mais deste artigo

Em que medida somos colonizados pela linguagem?

Esta questão foi levantada no meu post Saussure, língua, xadrez e gerou debates antes mesmo que eu tentasse respondê-la – tentativa que farei agora. Vejamos: o que disse no tal post, e que de modo algum é uma ideia original, foi o seguinte: dado que a língua tem como elementos irredutíveis os fonemas (no caso da linguagem falada) ou letras (no caso da linguagem escrita), e dado que os fonemas e as letras existem em número limitado, as combinações possíveis entre tais elementos são finitas, de tal modo que seria possível – como faz Borges em A Biblioteca de Babel – imaginar uma biblioteca na qual estivessem compiladas todas as combinações possíveis das letras do alfabeto. Ora, em tal biblioteca estariam, assim, todos os textos possíveis de serem escritos: este post, a bíblia, o texto ganhador do prêmio Jabuti do ano que vem etc. Ler mais deste artigo

A morte do design – Parte I

Ainda no primeiro período, em História do Design, eu lembro do meu professor pôr a questão do que é design. Em suas divagações e questionamentos, ele chegou a perguntar-nos se Madonna não seria um artefato de design; ela é projetada para se comportar de determinadas maneiras, para cantar e se vestir com intuitos específicos e manobrar pelo mercado de forma planejada. Durante um tempo, aquilo foi uma piada interna, e das boas. Mas agora, passados quatro anos: e aí, Madonna é um artefato de design?

tumblr_lxyn69ijQI1qf3k9uo1_500

Ler mais deste artigo

Livro “Existe Design? Indagações filosóficas em três vozes”

Três vozes, quatro perguntas, doze ensaios que propõem horizontes de respostas. É através deste formato que os autores deste livro nos convidam a refletir filosoficamente sobre o design. Em meio aos ensaios, a um só tempo densos e saborosos, vemos surgir três perspectivas complementares do design. São diferentes formas de encarar sua existência, suas diversas utilidades e inutilidades, suas dimensões morais e estéticas, seus percursos históricos e teóricos, suas características e potências específicas. Um livro para designers intelectualmente inquietos e para amantes do pensamento interessados em design.
[texto da 4ª capa do livro]

Texto de divulgação: Existe design? Esta é a pergunta que intitula o novo livro da editora 2ab, publicação inaugural da série Filosofia do Design. Pode ser que a pergunta pareça tola – e talvez seja, até mesmo tolice pura. Por sorte, há quem não se detenha frente a perguntas assim. Afinal, são justamente estas que não admitem respostas prontas e chacoalham a poeira do senso comum. É este o objetivo do livro “Existe design?: indagações filosóficas em três vozes”. Trata-se de um livro escrito especialmente para o leitor que não foge das perguntas tolas.  Leia mais…»

terminologias e sotaques

menininha lendo FoucaultFrente a um texto qualquer (vamos usar de exemplo-cobaia aqui o Flores do Mal, que Baudellaire escreveu na Paris do fim dos 1800s) posso atacá-lo de muitas formas. Posso me focar nos significados literais das palavras, ou posso me prender às conotações, ou ainda posso tentar ouvir somente os sons e os ritmos transformando a poesia numa espécie de percussão. Mas essas são só possibilidades, entre outras, e ainda mais, entre uma série de possibilidades que não posso listar de antemão. Marshall Berman (em Tudo o que é sólido desmancha no ar) adota o excêntrico procedimento de usar uma análise urbanística da Paris daquela época para informar e interpretar os poemas de Baudellaire. As estratégias de leitura de um texto são múltiplas, instáveis e vão progressivamente se acumulando cada vez mais.

Inclusive algumas estratégias prospectivas revelam no texto significados que o autor não sabe que colocou lá.

Não podemos julgar as estratégias por nada além do seu resultado. Mas isso tem consequências estranhas: Uma delas é que simplesmente não existem formas certas ou erradas de ler. Toda leitura é uma tentativa, e apenas uma tentativa. Ler mais deste artigo

O aftermath da tabela

”No reino do kitsch totalitário, as respostas são dadas de antemão
e excluem qualquer pergunta nova. Daí decorre que
o verdadeiro
adversário do kitsch totalitário é o homem que interroga. A pergunta é como
a faca que rasga a cortina do cenário para que se possa ver o que está atrás.”

Milan Kundera, em A insustentável leveza do ser

Se você faz parte do campo “criativo” do “mercado”, com certeza você acompanhou a polêmica da tabela de preços semana passada – ou foi retrasada?. Depois da mariola da peteca, gostaria de tentar fazer alguma contribuição na transcendentalização da tabela para tentar discutir sobre algo mais produtivo. Claro que outras críticas já foram empreendidas por pessoas muito, muito, muito, mas muito mais competentes do que eu. Mas vou tentar acrescentar alguma coisa.

aftermath

Ler mais deste artigo

A essência incompleta das coisas ou por que a incompletude é tudo que existe

* texto originalmente publicado na edição 42 da revista abcDesign. Ilustrações minhas neste post.

Em termos filosóficos, pensar sobre uma possível “essência” das coisas está fora de moda há muito tempo. Mesmo que, por exemplo, a essência do design pareça residir numa necessidade a ser sanada, o contraponto mais simples seria dizer que essa necessidade é também projetada, no sentido de ser uma tentativa prévia de explicar as coisas quando algo sai terrivelmente errado.

Talvez esta seja a única essência que aparentemente ainda permanece em voga a nível cotidiano: as coisas tendem a dar errado. Leia mais…»

Dilemas do Design IV: sinal x significado

* texto originalmente publicado na Revista Clichê.

Encerrei meu último post tentando explicitar que a relação binária do sinal x significado não nos esclarece como e por que um objeto ou uma imagem indica estritamente alguma coisa ou alguma ideia (ao invés de outra coisa ou outra ideia). Mas me parece que, em última instância, essa indicação nunca é totalmente estrita e, somente por isso, o design é possível.

Por exemplo: quando compramos um instrumento musical (um violão, uma flauta), conseguimos executar seus diversos mecanismos porque o designer que projetou tal instrumento baseou-se em funções que suspostamente já conhecemos (se fôssemos músicos), em ideias que já possuímos, em uma linguagem comum e em valores preestabelecidos.

Porém, na medida em que utilizamos este novo instrumento, nossa relação com ele pode adquirir um significado diferente daquele com o qual estávamos habituados a ter com outros instrumentos, sendo que desta nova relação podem surgir novas formas de composição musical. Leia mais…»

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 133 outros seguidores