terminologias e sotaques
02/05/2013 1 Comentário
Frente a um texto qualquer (vamos usar de exemplo-cobaia aqui o Flores do Mal, que Baudellaire escreveu na Paris do fim dos 1800s) posso atacá-lo de muitas formas. Posso me focar nos significados literais das palavras, ou posso me prender às conotações, ou ainda posso tentar ouvir somente os sons e os ritmos transformando a poesia numa espécie de percussão. Mas essas são só possibilidades, entre outras, e ainda mais, entre uma série de possibilidades que não posso listar de antemão. Marshall Berman (em Tudo o que é sólido desmancha no ar) adota o excêntrico procedimento de usar uma análise urbanística da Paris daquela época para informar e interpretar os poemas de Baudellaire. As estratégias de leitura de um texto são múltiplas, instáveis e vão progressivamente se acumulando cada vez mais.
Inclusive algumas estratégias prospectivas revelam no texto significados que o autor não sabe que colocou lá.
Não podemos julgar as estratégias por nada além do seu resultado. Mas isso tem consequências estranhas: Uma delas é que simplesmente não existem formas certas ou erradas de ler. Toda leitura é uma tentativa, e apenas uma tentativa. Ler mais deste artigo

Dentre as várias maneiras de se relacionar literatura e design, uma que me parece profícua é através da questão, amplamente explo-rada por Tom Mitchell (confira o post do Daniel
Designers de moda deviam fazer uma passeata anti-Marcha-das-Vadias. Segundo a lógica da Marcha, algo que se veste não pode afetar o desejo. E, se for assim, criar roupas é uma ocupação medíocre.

O pensamento de um indivíduo não se reduz às limitações de sua língua, contexto, história de vida, genética etc. Pode ser condicionado, mas não “determinado” (e toda essa conversa fiada behaviorista, cognitivista, estruturalista).
Em A interpretação dos sonhos — normalmente considerada não apenas a primeira obra propriamente psicanalítica como também a magnum opus freudiana –, Freud aborda diversas das questões acima, focando nas últimas. A resposta de Freud é que sim, os sonhos possuem significados, embora tais significados não sejam aqueles que interpretações mágicas dizem revelar. Não se trata de uma espécie de premonição cifrada como no famoso sonho bíblico do Faraó interpretado por José, no qual sete vacas magras devoram sete vacas gordas
O que ateísmo tem a ver com consumo? O recalque da proibição pela negação da mesma
O inconsciente é, sem dúvida, um dos conceitos mais importantes — se não o mais importante — da psicanálise. É crucial compreender logo de saída que não se trata, para Freud, apenas de dizer que não temos acesso a parte de nossa mente. Freud pensa o inconsciente como um sistema mental específico. O sistema inconsciente — representado pela sigla Ics, para ficar mais fácil diferenciá-lo do termo ordinário, usado como adjetivo — está em oposição ao sistema consciente/pré-consciente (Cs/Pcs), que é aquele nos quais circulam os pensamentos momentaneamente presentes na consciência ou facilmente acessíveis a ela — por isso chamados pré-conscientes, já que não são propriamente conscientes: só estão inconscientes momentaneamente, pois nada os impede de aparecerem para a consciência. Ou seja, se você não está pensando naquilo que você comeu no almoço neste exato momento, mas poderia pensar sobre isso agora que eu mencionei o assunto, então não diríamos que as ideias (estou usando o termo de maneira genérica, para não complicar o assunto) que compõem seu pensamento sobre seu almoço são conscientes, mas também não diríamos que são inconscientes, e sim pré-conscientes. A distinção entre consciente e pré-consciente não interessa muito a Freud, por isso ele costuma agrupar os dois na sigla Cs/Pcs. 





