improvisação
13/11/2012 1 Comentário
Thomas Edison não escolheu a lâmpada. Ele criou a lâmpada. Apesar de que ele fez uma lista de todos os possíveis materiais para um filamento e testou pentelhamente um por um. Apesar de que ele sabia o que ele queria fazer muito antes de ter conseguido. Apesar de que a lâmpada era uma coisa que todo mundo meio que sabia que devia ser possível de algum jeito. Mas ainda assim escolhemos chamar essa ação de “invenção”. Claro, também poderíamos ter chamado de “abacaxi”. Mas vamos assumir temporariamente o (mal) pressuposto de que a palavra importa. Por que não se trata de uma escolha? E por que isso importa?
Como nos mostra Barry Schwartz (no video do último post), a fixação que nossa cultura tem com “escolhas” vem de um recalque mais profundo com a “liberdade”. Como nos mostra David Graeber (num livro que vocês não podem ler senão passarão a achar todas as minhas ideias requentadas), essa fixação do ser-livre só aparece numa sociedade em que muitos são não-livres, ou escravos ou escravos do salário ou algo do gênero. Leia mais…»

O inconsciente é, sem dúvida, um dos conceitos mais importantes — se não o mais importante — da psicanálise. É crucial compreender logo de saída que não se trata, para Freud, apenas de dizer que não temos acesso a parte de nossa mente. Freud pensa o inconsciente como um sistema mental específico. O sistema inconsciente — representado pela sigla Ics, para ficar mais fácil diferenciá-lo do termo ordinário, usado como adjetivo — está em oposição ao sistema consciente/pré-consciente (Cs/Pcs), que é aquele nos quais circulam os pensamentos momentaneamente presentes na consciência ou facilmente acessíveis a ela — por isso chamados pré-conscientes, já que não são propriamente conscientes: só estão inconscientes momentaneamente, pois nada os impede de aparecerem para a consciência. Ou seja, se você não está pensando naquilo que você comeu no almoço neste exato momento, mas poderia pensar sobre isso agora que eu mencionei o assunto, então não diríamos que as ideias (estou usando o termo de maneira genérica, para não complicar o assunto) que compõem seu pensamento sobre seu almoço são conscientes, mas também não diríamos que são inconscientes, e sim pré-conscientes. A distinção entre consciente e pré-consciente não interessa muito a Freud, por isso ele costuma agrupar os dois na sigla Cs/Pcs. 
A figura do Papai Noel sempre me despertou curiosidade. Por que exatamente no Natal, ou seja, no aniversário de Jesus Cristo, aparece uma figura tão estranha quanto um velho gordo que dirige um trenó puxado por renas voadoras, tem duendes como ajudantes e o hábito de descer as chaminés das casas para deixar presentes para as crianças? A hipótese mais óbvia que me vinha à mente era a de que, de alguma forma, Papai Noel era a versão moderna de alguma entidade pagã que acabou se ligando ao Natal ao longo de assimilações cristãs e seculares. Fui dar uma pesquisada para ver se minha intuição se confirmava…
* texto originalmente publicado no
* texto publicado originalmente no
[Este ensaio não tem nada a ver com Design. Ao menos, não diretamente. É também um texto mais extenso que o habitual por aqui. Se isso te incomoda, não prossiga a leitura.]






