Do livre afeto não arbitrável
25/04/2013 3 Comentários
Negar o livre-arbítrio é entendido, no senso comum, como negar liberdade. Ainda que fosse uma simples questão de resistência contra um suposto determinismo mecânico e fatalista do universo, nunca sabemos se essa resistência já faz parte de tal mecanismo fatal. Contudo, não é só disso que se trata. As pessoas entendem livre-arbítrio como exercício pleno de liberdade, o que implica (conscientemente ou não) partir da premissa de que, sem a intencionalidade do livre-arbítrio, seremos sempre escravos de nossas “pulsões animais” – enfim, aquela separação agostiniana mente-corpo recalcada na civilização moderna.
Logo, entender o livre-arbítrio como sinônimo de liberdade significa considerar-se naturalmente aprisionado: acredita-se que nossas pulsões irracionais são destrutivas (pois nosso corpo é vil) e que, no entanto, por algum motivo (Deus ou coisa do gênero), nós temos a dádiva do livre-arbítrio (a dádiva da mente), que não nos deixa à mercê de nossas vontades e desejos mais perversos. E mesmo dentro dessa concepção judaico-cristã, livre-arbítrio ainda parece ser mais uma questão de controle (das pulsões) do que de liberdade. Leia mais…»
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Imagine que você vai jogar uma partida de xadrez. Quando, após organizar o tabuleiro e se sentar em frente a seu oponente, você pega uma peça qualquer – a rainha, por exemplo – e move de uma casa para outra, você faz mais do que carregar um pedaço de madeira por alguns centímetros: você realiza uma jogada! (eu sei, é fantástico). Você já parou para refletir o que constitui esse ato misterioso de realizar uma jogada? Isto é, o que existe a mais na jogada além do ato de mudar de lugar um pedaço de madeira?
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Debate FdD é uma série de “posts coletivos” (em paralelo ao debates homônimos lançados em nosso
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