twitter^-1 ou a superficialidade contemporânea

caninha no estado cú de foca depois de 3 dias num banho de nitrogênio líquidoO certo é: sal, tequila, limão.

Exatamente nessa ordem.

A explicação funcionalista é a seguinte: O sal protege a gengiva, o limão tira o gosto. As duas coisas voltadas pra minimizar o estrago de uma tequila trevas. É mais ou menos o que você faria, em termos brasileiros, se estivesse tomando Velho Barreiro. Se você estivesse tomando uma Anísio Santiago, fazer a mesma coisa seria um grande desperdício, afinal uma pinga que custa mais de cem mangos a garrafa não é coisa da qual você tenha que se proteger. Mas aí é que mora a trapaça: Não tomamos por aqui tequilas ruins. Pode ter certeza que existe todo tipo de coisa bizarra por lá, no México, mas ninguém importa as tosqueiras. Afinal, se você vai pagar o (alto) custo de transporte, vale mais à pena importar a tequila que presta.

Em economês, isso tem um nome: Efeito Alchian-Allen. Precisamente, diz que quando se adiciona um custo fixo a dois produtos equivalentes B e C, aumenta-se o consumo do produto mais caro. A princípio isso é estranho, porque um aumento de preços nos levaria a buscar a versão mais barata, mas o que acontece é que você diminui a diferença proporcional entre os dois preços. Digamos que B custava $10 e C $20. O dobro! Mas quando você adiciona um custo fixo de $10, agora B custa $20 e C $30, já não é uma diferença tão absurda. Se o custo fixo fosse por exemplo $30, no final $40 x $50, já quase não faz diferença.

OK, mas o interessante é que isso pode acontecer ao contrário, quando você corta um custo fixo, tornando tudo igualmente mais barato, você pode aumentar o consumo do produto barato. É por isso que temos o Twitter! Ler mais deste artigo

Design e tecnologia a partir de Heidegger

Semana passada tive a oportunidade de participar, ao lado de meu parceiro anticaster Ivan Mizanzuk, de um debate sobre design e tecnologia no Pavão 2012, semana acadêmica da ESDI. Devo agradecer ao Daniel, Ricardo e Almir pela receptividade e companhia, e esclarecer que não pude participar da mesa-redonda na UBA-UFRJ por puro azar, pois eu queria muito, muito mesmo, ter participado. Em todo caso, quero comentar sobre uma das questões levantadas na ESDI, uma pergunta que me pareceu representar a principal preocupação dos alunos que ali estavam: como a tecnologia (no sentido de domínio sobre a ferramenta, especialmente um software) influencia (ampliando ou limitando) o trabalho do designer? Leia mais…»

só na moral

tatuagens, café, um aperto de mão não tem preçoCirculou pelo submundo nerd esses dias um papo intitulado “design moral” (em inglês). E sim, trata-se de moral no sentido de moralidade. Começa bombástico:

All good design is moral design, and only moral design can ever be good.

Ou seja, um projeto só pode ser bom se for moral. Adoro! E concordo muito. Mas será que reivindicar um design moral não tira o foco da ação de projetar (tipo caubói de mouse) para colocar toda a ação num nível muito impessoal, burocrático até? Ler mais deste artigo

Design, biogenética e a virtualização do real

* texto gerado a partir de mini-palestra ministrada na Edição Zero do R Design Curitiba 2012. Slides disponíveis <aqui>.

Devo esclarecer que sou completamente leigo em biogenética, física quântica e demais assuntos que serão tratados a seguir. Acontece que o tema “ficção x real”, sobre o qual tenho me debruçado ultimamente, parece ser mais fácil de explicar através de exemplos ao invés de conceitos filosóficos – talvez porque eu ainda não tenha domínio suficiente. Então me arrisco a preparar uma “salada sci-fi” no intuito de apenas ilustrar o que eu penso sobre a virtualização do real.

A física quântica parte basicamente da ideia de que, se não há nenhum observador, toda a realidade é vazia em si mesma. Não significa que a realidade não existe (ou que ela é fruto da imaginação de alguém), significa que a realidade é sempre distorcida. Nossa percepção de algo faz parte do algo percebido, de tal modo que, se retirarmos nossa perspectiva de observação, perderemos a coisa observada em si. Leia mais…»

A ilusão do usuário

Diante de um computador, não é raro termos a impressão de que ele está “pensando”, embora saibamos que tudo não passa de um mecanismo pré-programado para processar milhões de impulsos e dados.

Os únicos “seres pensantes” supostamente somos nós, os usuários, ainda que nossa capacidade de processamento seja muito mais limitada – a velocidade neuronal atinge um máximo de sete bytes por segundo, de tal modo que ignoramos 99% dos dados sensoriais.

Sob este viés, nosso cérebro não passa de uma tecnologia ultrapassada de processamento de dados. Leia mais…»

Não somos aqueles por quem estávamos esperando

Muito se tem discutido, pelo menos no contexto específico dos estudantes de design de Curitiba, sobre engajamento ativo, representatividade, manifestos e mobilizações entre designers. É como se a tão aguardada regulamentação do design enaltecesse um senso de responsabilidade social como estratégia de valorização de nossa profissão. Segue-se o famoso lema de Gandhi “seja você a mudança que deseja ver no mundo”, que é muito próximo ao antigo ditado hopi [1] de que “nós somos aqueles por quem estávamos esperando”.

Minha reação permanece a mesma: não tenho nada com isso [2]. Ainda assim algumas pessoas insistem em “discutir” (eufemismo para negociação doutrinária) sobre o papel de minhas filosofices de design, como se devesse existir alguma finalidade ética ou política no que eu faço (ou deveria fazer) que possa contribuir de modo concreto para a sociedade. Geralmente minha resposta é “desculpe, mas não sou quem você esperava”. Leia mais…»

Fantoches nem sempre alienados

* publicado originalmente no Formas do Consumo.

Tenho a impressão de que a maioria das discussões teóricas sobre consumo repete uma mesma parábola: era uma vez um cara chamado Marx que encarava a produção industrial como sendo o motor da história e o único campo legítimo de luta social – luta porque o mundo seria dividido em dois: quem manda e quem obedece.

Diante disso, consumo é o vilão da produção industrial e, portanto, aquilo que freia a história — consumir reduz-se a uma instância passiva de manipulação que nos faz querer coisas sem haver uma real necessidade de tê-las. Leia mais…»

Mariko Mori e a Consciência Una

“A arte é necessária e indispensável enquanto existir o mundo da mente, que durará tanto quanto a raça humana continuar a existir. Arte é um tesouro para toda a humanidade.” – Mariko Mori [1]

Final de ano e mais ciclos terminam, trazendo reflexões e pontos de vistas distanciados que não poderiam nos ocorrer em nenhum outro momento, quanto estávamos imersos demais no frenesi cotidiano para torná-los o foco de nossos pensamentos. Devido a este momento de descanso, nossa mente relaxa e temos tempo para dedicar ao pensamento interiorizado, fazendo emergir reflexões sobre nós e sobre para onde estamos sendo levados por nossas escolhas. Finais - e recomeços – de ciclo, afinal, são alguns dos conceitos-chave dos trabalhos mais recentes de Mariko Mori. Ler mais deste artigo

O realismo e os “regimes de visualidade”

Eis que estou eu aqui outra vez escrevendo para o filosofia do design depois de uma ausência de quase 3 meses. Durante este tempo, fui abduzido por atividades acadêmicas — mais ou menos como retratado naquela imagem do ser saindo da caverna que tem circulado pela internet (deixo aqui o link para quem ainda não viu).

O momento do retorno é oportuno, pois um artigo meu, prolixamente intitulado O realismo entre as tecnologias da imagem e os regimes de visualidade: fotografia, cinema e a “virada imagética” do Século XIX acaba de ser publicado na revista Discursos Fotográficos. Trata-se de um texto já antigo, que apresentei em um congresso em 2009 e depois ficou parado até meados deste ano, quando resolvi revisá-lo e ampliá-lo para publicar em um periódico da área. Embora o considere interessante, reconheço que o texto é um pouco duro, por isso vou fazer um resumo dinâmico do artigo nesse post.

Ler mais deste artigo

Traduções visuais do inconsciente coletivo #01: Tetsuya Ishida

Em nossa primeira investigação sobre as forças desconhecidas que regem padrões da produção visual contemporânea, visitaremos a obra do pintor Tetsuya Ishida.  Nascido em 1973, em Shizuoka, Japão, seu talento foi notado depois de formar-se na Musashino Art University. O combustível artístico de Ishida foi poderoso: em dez anos de carreira, pintou por volta de 180 quadros. Leia mais…»

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 128 outros seguidores