A preponderância de uma quase-ausência

[Faz dois anos que um amigo meu se suicidou. Lendo um conto de Assionara Souza, flagrei-me vestindo uma camiseta que pertencia a ele. As citações que se intercalam com o texto abaixo reconstroem o conto que eu lia, publicado no livro “Os hábitos e os monges”, Kafka Edições, 2011, p. 92-93.
Dedico esta crônica àquele que esqueceu a camiseta comigo e que continua a me assombrar com certas perguntas disfarçadas de respostas.]

“As coisas faltam aos dias, às ruas, às mesas. A ausência das coisas trafega entre as pessoas sem que estas a percebam. As coisas faltam.”

Sabe aquela pessoa que você nunca viu na vida, mas que te dá a sensação de que você a conhece faz tempo? Então, agora suponha que, ao invés de uma pessoa, é um objeto. E que esse objeto apareceu na frente de sua casa quando a chuva parou, perguntando se você sabia que ele sempre esteve ali.

Você nunca soube. Sentia falta e não sabia. Leia mais…»

Um abraço é um ato solipsista não importa em quais deuses você não acredite

O Coiote corre atrás do Papa-léguas por que está sempre com muita fome. Ele tem tanta fome que nem lembra de usar o cartão de crédito dele pra pedir uma pizza, ele prefere encomendar aparato bélico pra dar um jeito de matar o pássaro por que ele tem muita, muita fome. Em compensação o Papa-léguas nunca tem fome, mas corre muito. Corre o suficiente pra escapar de todo e qualquer projeto feito pelo seu predador para capturá-lo e por isso a cadeia alimentar fica sempre incompleta. “Cadeia Alimentar” é o nome que os cientistas deram para definir a ordem de quem come quem nesse nosso planeta.Não existem animais de outro planeta na nossa cadeia alimentar por que ninguém nunca viu um e, portanto, ninguém sabe o que eles comem. Os cientistas dão nomes para muitas coisas, talvez eles tenham dado o nome do Papa-léguas também. Ler mais deste artigo

Inscrições abertas! Filosofia do Design: uma subversão do olhar

Quando: 26 de maio (Sábado), das 9h às 18h | Onde: Espaço Multi-uso do Núcleo de Design (Unidade 3 – Belas Artes) - Rua José Antonio Coelho, 879 – Vila Mariana/SP. Leia mais…»

Articulação Simbólica – Defesa Final

You never really lived until you have read something about yourself that someone put on a fiction. [autor fictício]

O que eu tentei fazer em minha pesquisa de mestrado foi investigar algo que todo designer já sabe, mas talvez não saiba que sabe. Para isso, tive que contar uma história incluindo a minha própria história. Projetar, planejar, gerenciar e produzir, por exemplo, são enredos comuns no campo do Design (e acho que em qualquer outro campo), mas não pertencem à minha narrativa.

Minha história é o seguinte: fazer design não é criar, produzir ou reproduzir coisas. É fazer ver o que não se enxerga. É um “modo de olhar” que não precisa de olhos, mas que precisa do olhar dos outros. Acima de tudo, é articular o que se vê através do que se vivencia – não de forma individual, mas coletiva, comunicativa. Leia mais…»

Entrevista à Revista Leaf #1

Em agosto do ano passado, eu e Ivan Mizanzuk (AntiCast) tivemos a oportunidade de conceder uma breve entrevista à primeira edição impressa da Revista Leaf (que pode ser baixada aqui). Saudações à equipe da Leaf e, sem mais, deixo abaixo o texto na íntegra (dispensei somente nossa apresentação, pois creio que os leitores já nos conheçam).

[Revista Leaf] O que te levou a cursar Design Gráfico?

Ivan Mizanzuk: Leio HQs desde os meus 10-11 anos de idade e gosto até hoje. Eu dizia que meu sonho era desenhar HQs, então comecei a pensar que curso eu poderia fazer para virar desenhista. Um conhecido da minha família me indicou o curso de design, mas nunca avancei no desenho: sempre desenhei mal para caralho. Na minha graduação, pirava em trabalhos com colagens digitais. Inspirava-me muito em 3 designers: Dave McKean, David Carson e Storm Thorgenson.  Leia mais…»

Subversivos Designers: entrevista com Rétrofuturs

Acredito que uma das mais interessantes e recorrentes conexões entre filosofia e design acontece através da subversão. Subverter nunca é um ato imediato e radical; ao contrário, é quando entendemos muito bem os mecanismos e lacunas de um contexto a ponto de intervir sobre ele sem que ninguém perceba diretamente.

Como já falei um pouco sobre isso antes, agora quero levantar alguns exemplos de designers subversivos – mas ao invés de montar uma simples lista de links, pretendo fazer uma série de mini-entrevistas.

Vamos ver se dá certo, estou super aberto a sugestões.

Nosso primeiro subversivo é Stéphane Massa-Bidal, 40 anos, semioticista e designer gráfico francês. Também conhecido como Hulk4598 e Rétrofuturs, tem desenvolvido, desde 2008 em Lyon (França), uma iconografia digital através de interações “acidentais” entre imagens e textos. Leia mais…»

Conversa com Philosopherlikes sobre Design

Já faz um tempo que acompanho o Philosopherlikes, um tumblr despretensioso sobre assuntos filosóficos em geral – despretensioso porque são textos curtos, interessantes e sempre acessíveis, tanto ao público não iniciado em Filosofia quanto aos intelectuais de plantão.

O autor (anônimo) é graduado em Biologia, com especialização em Filosofia e atualmente faz pós-graduação em Bioengenharia.

Eu estava curioso para saber sua opinião sobre Design, então mandei a ele duas perguntas, quase como uma micro-entrevista. Compartilho abaixo suas respostas, em inglês e em português.

[FdD]: What do you think about design?
[philosopherlikes]: In order to make any reasonable statement, design must first be defined. I’m going to use the broadest definition of design because that is the most interesting. Leia mais…»

O mais profundo é a pele.

Este texto foi originalmente publicado no blog Robô Alcoólatra

Ontem assisti à A Pele que Habito de Almodôvar. Surpreendente. Esse é o adjetivo que mais se encaixa nesse filme, pois apesar de estar algumas das características principais da filmografia almodovariana, ainda tem um passo mais além, entrando no assunto contemporâneo da bioética. O espanhol jogou todo o seu clima burlesco num filme que se aproxima de um thriller dos anos 30 e um de terror científico que encontramos nos dias de hoje (Centopeia Humana). A começar pelo título mesmo, em qual pele nós habitamos hoje em dia? Ficamos emergidos num anacronismo, onde vemos diante de nós um avanço científico e no outro, grande asseguramento de valores tradicionais para dar justificação a certos caminhos que na verdade já são altamente sem-sentido. Porém, perduramos naquele sentimento de permanecermos presos e acomodados a uma lei que enfraquece, já que tenta calcular o incalculável: a natureza humana. Ler mais deste artigo

O riso de quem dança em círculos

Em todas as culturas, a medida cronológica de “ano” corresponde a um mesmo ciclo solar (ou melhor, da Terra ao redor do Sol).

Do ponto de vista religioso, os rituais de ano novo giram em torno do seguinte esquema: abolição do tempo passado, reaparição momentânea do caos primordial e retomada da cosmogonia (criação do universo).

Por conseguinte, cada fim/começo de ano nos faz abandonar provisoriamente a ideia de um tempo linear em virtude de um tempo circular.

Acontece que o tempo linear é uma invenção recente.

Enquanto que nas sociedades pré-socráticas o tempo circular “rodava eternamente”, por assim dizer, nossa atual consciência histórica nos faz ver uma direção que leva a roda do tempo a algum lugar. Leia mais…»

Nietzsche: o filosofar com o martelo

Como tô cheio de coisas do mestrado pra resolver, sem vir idéias para escrever um tema que ligue a filosofia ao design. Decidi por hora escrever sobre um filósofo, deste modo, os leitores podem retirar algo que contribua de alguma forma do texto abaixo. Resolvi escrever sobre Nietzsche se tiver uma boa aceitação, posso quem sabe escrever mais sobre alguns dos filósofos que tenho mais afinidade.

Sobre o filósofo alemão Nietzsche posso afirmar que é um dos pensadores mais conhecidos tanto para especialistas quanto para leigos, principalmente se restringirmos ao âmbito da filosofia. Pois ao perguntamos a um leigo a cerca da filosofia muito possível que ele reportará seja aos gregos, aqui refiro a Platão e Aristóteles, ou a Nietzsche, talvez um ou outro que possa indicar Marx devido a grande influência política no século XX ou citar Freud por confundi-lo como inserido na classe dos filósofos. Porém, raramente você verá alguém reportar, por exemplo, a Kant; que como se sabe foi o grande divisor de  águas da filosofia depois de Aristóteles. Podemos colocar talvez Sartre, mas sinceramente hoje em dia, Sartre não carrega tanta publicidade como tempos atrás e hoje quem ouviu falar de Sartre, também ouviu falar de Kant; diferente de Nietzsche. Mas com toda essa comoção ao pensamento de Nietzsche será que as pessoas conhecem Nietzsche? Refletem sobre seus pensamentos? Claro que não. Tanto mais porque, muitos utilizam da filosofia de Nietzsche como espécie de auto-ajuda, recorrendo a aforismo soltos sem qualquer identificação com a obra em si.

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