Breves considerações sobre a subversão

Do mesmo modo que outras 59.999 pessoas, eu fui ao Lollapalooza. Não que isso seja particularmente relevante Pearl Jam é foda, mas ali ocorreu algo que me inspirou esse post.

Antes do show de Pearl Jam, havia um grupo de playboys causando tumulto e semeando o caos bem perto de onde eu gostaria de assistir o show – e sair vivo – com minha namorada e um amigo. Eles, os playboys, apesar de estarem em pé há mais de 5 horas – eu suponho, porque eu estava –, estavam elétricos, graças, claro, às balinhas e à maconha que tomavam e fumavam, respectivamente, como se não houvesse amanhã. E se você parar pra pensar…

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quando se fixa um centro, não se avista a circunferência.

Será preciso, primeiro, partir-lhes as orelhas, para que aprendam a ouvir com os olhos? – Friedrich Nietzsche, Assim falou Zaratustra. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007, p. 40.

Tem sido impossível arranjar tempo pra escrever porque estou me mudando para SP, mas antes que 2012 termine, quero registrar que eu AINDA acho que a confusão e o ruído (ao invés de clareza) podem ser bastante úteis no design.

A pergunta que marcou meu ano foi “por que não é preciso ter olhos para enxergar as coisas?”, quando eu explicava para alguém (não lembro quem) minha pesquisa de mestrado. A resposta foi algo como: veja, não é apenas uma questão de percepção, porque nem sempre existe um “eu” que enxerga as coisas. Leia mais…»

Simplificando: tudo que existe, existe.

Sugestão para monografia de graduação em filosofia: provar que o personagem Capitão Caverna, do Hanna Barbera, foi baseado no Mito da Caverna de Platão.

A ideia de que existe algo chamado trabalho aconteceu de repente porque o homem (isso a muito tempo atrás, antes da implementação do ato de “bater o ponto”) percebeu que seu tempo era dividido em, basicamente, duas coisas: realizar tarefas cujo objetivo eram garantir a sua sobrevivência, e realizar tarefas sem nenhum objetivo aparente, apenas para relaxar, se divertir ou extravasar seus instintos sexuais. Foi dado portanto o nome de “trabalho” para as coisas que o homem faz que o ajudam a sobreviver. As coisas que não o ajudam a sobreviver recebem vários outros nomes.

A concepção de que existe um tempo para trabalhar e um tempo para fazer coisas que não necessariamente auxiliam na sobrevivência durante a semana é bastante atual, se pensarmos bem. Retrocedendo a fita cassete da história do homem antropológico, podemos acabar deparando nossas pessoas com o simpático Gronk, o homem-das cavernas, que trabalhava em uma jornada desumana mais de vinte horas por dia sem descanso todos os dias. Ele inclusive acordava no meio da noite para trabalhar um pouquinho. Esse trabalho noturno consistia em ficar dando umas voltinhas ao redor da cama carregando uma lança ou algum outro objeto pontiagudo para atravessar o pescoço de algum animal selvagem que se atrevesse a tentar utilizar a cabeça de Gronk ou de algum de seus amigos como fonte de nutrientes. Ler mais deste artigo

Notas do 1º encontro Filosofia do Design

Seguindo a iniciativa do marcinho em seu último post, tentarei sintetizar algumas das reflexões por mim levantadas no evento “Filosofia do Design: uma subversão do olhar” (São Paulo, 26 de maio). Claro que a maior parte da discussão continua sendo um rigoroso segredo de Estado, pois ainda pretendemos repetir a dose.

Mas o que rolou nas 8 horas de discussão (mais a conversa posterior no bar) foi, em suma, uma catarse viva sobre Filosofia do Design, um tema que aparentemente está “contaminando” algumas pessoas e, aos poucos, revigorando uma valiosa ingenuidade/curiosidade intelectual que, acredito, sempre existiu em nosso campo de estudo e atuação. Pois então.»

A preponderância de uma quase-ausência

[Faz dois anos que um amigo meu se suicidou. Lendo um conto de Assionara Souza, flagrei-me vestindo uma camiseta que pertencia a ele. As citações que se intercalam com o texto abaixo reconstroem o conto que eu lia, publicado no livro “Os hábitos e os monges”, Kafka Edições, 2011, p. 92-93.
Dedico esta crônica àquele que esqueceu a camiseta comigo e que continua a me assombrar com certas perguntas disfarçadas de respostas.]

“As coisas faltam aos dias, às ruas, às mesas. A ausência das coisas trafega entre as pessoas sem que estas a percebam. As coisas faltam.”

Sabe aquela pessoa que você nunca viu na vida, mas que te dá a sensação de que você a conhece faz tempo? Então, agora suponha que, ao invés de uma pessoa, é um objeto. E que esse objeto apareceu na frente de sua casa quando a chuva parou, perguntando se você sabia que ele sempre esteve ali.

Você nunca soube. Sentia falta e não sabia. Leia mais…»

Um abraço é um ato solipsista não importa em quais deuses você não acredite

O Coiote corre atrás do Papa-léguas por que está sempre com muita fome. Ele tem tanta fome que nem lembra de usar o cartão de crédito dele pra pedir uma pizza, ele prefere encomendar aparato bélico pra dar um jeito de matar o pássaro por que ele tem muita, muita fome. Em compensação o Papa-léguas nunca tem fome, mas corre muito. Corre o suficiente pra escapar de todo e qualquer projeto feito pelo seu predador para capturá-lo e por isso a cadeia alimentar fica sempre incompleta. “Cadeia Alimentar” é o nome que os cientistas deram para definir a ordem de quem come quem nesse nosso planeta.Não existem animais de outro planeta na nossa cadeia alimentar por que ninguém nunca viu um e, portanto, ninguém sabe o que eles comem. Os cientistas dão nomes para muitas coisas, talvez eles tenham dado o nome do Papa-léguas também. Ler mais deste artigo

O riso de quem dança em círculos

Em todas as culturas, a medida cronológica de “ano” corresponde a um mesmo ciclo solar (ou melhor, da Terra ao redor do Sol).

Do ponto de vista religioso, os rituais de ano novo giram em torno do seguinte esquema: abolição do tempo passado, reaparição momentânea do caos primordial e retomada da cosmogonia (criação do universo).

Por conseguinte, cada fim/começo de ano nos faz abandonar provisoriamente a ideia de um tempo linear em virtude de um tempo circular.

Acontece que o tempo linear é uma invenção recente.

Enquanto que nas sociedades pré-socráticas o tempo circular “rodava eternamente”, por assim dizer, nossa atual consciência histórica nos faz ver uma direção que leva a roda do tempo a algum lugar. Leia mais…»

Submarinos, ocupações e mudanças

Wall Street e os estudantes da USP. Movimentos sociais recentes que seguem uma tendência à “ocupação” em favor de uma determinada causa.

A princípio, faço minhas as palavras de meu colega Eduardo Ferreira: reivindico por meu direito de não ter uma opinião sobre o assunto. Não significa, contudo, que eu não me importo com tais fenômenos. Significa que eu não quero aproveitar estes eventos para fazer o mesmo que eles já fazem: dar lição de moral.

O problema não são as lições de moral, o problema é o desgaste que elas sofrem em decorrência da necessidade crescente que temos em reafirmá-las. Leia mais…»

Imaginário, demasiado imaginário

[Este ensaio não tem nada a ver com Design. Ao menos, não diretamente. É também um texto mais extenso que o habitual por aqui. Se isso te incomoda, não prossiga a leitura.]

Aqueles que acompanham meu trabalho sabem que tenho muito apreço à denominada Escola do Imaginário. Recentemente participei de um congresso sobre esta linha de pensamento e voltei um tanto desiludido. Não com o congresso em si, nem com os autores ou qualquer pessoa, mas com uma certa ortodoxia do Imaginário.

No decorrer do evento, fui anotando algumas manias discursivas. A primeira delas é um modo de ser eclético, plural, abrangente e transversal, sempre se pautando em argumentos relativistas (mas nem um pouco céticos). Ou seja, o imaginário abarca tudo e todos, sendo qualquer corrente ou doutrina passível de ser adequada enquanto “forma simbólica”, nos termos de Cassirer. Leia mais…»

A fuga de Amy Winehouse

* texto originalmente publicado no Formas do Consumo.

Sabe da última? A cantora Amy Winehouse, premiada com 5 Grammy’s, morreu recentemente em Londres, com 27 anos. E se você disser “e eu com isso?”, todo mundo vai te olhar como se você fosse um estuprador.

Ora, ela era alcoólatra e drogada. Mas também era indiscutivelmente talentosa. Acima de tudo, a desgraça dela comovia as pessoas.

Em algum tumblr da vida encontrei a seguinte mensagem (autor desconhecido):

“Ela sabia o que ela era, uma viciada, uma romântica incurável, ela sabia que estava doente. (…) No entanto, ela era uma pessoa. Nós todos temos defeitos, vícios e situações obscuras”.

Leia mais…»

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