Tragam suas machadinhas: vamos falar sobre cultura
06/05/2013 Deixe o seu comentário
Poderia ser o enredo de algum conto surreal de H. P. Lovecraft: em plena tarde de domingo, Regina Casé e Preta Gil aparecem juntas em um mesmo palco comandando Caetano Veloso em um programa musical no qual celebridades da Globo dançam e fazem festa. Poderia ser, mas na verdade trata-se de uma “impressão digital” – segundo o próprio programa e sua apresentadora, da cultura brasileira em um drops semanal de um pouco mais de uma hora. Não faz muito tempo que Regina Casé foi eleita como uma espécie de porta-voz da cultura do nosso país em todos os papéis que vem desempenhando nos programas da televisão. Talvez tenhamos outros porta-vozes menos populares, mas com certeza nenhum tão entusiástico e aparentemente engajado em demonstrar essa cultura toda.
Tal fato, claro, agrada a muitos, e desagrada a outros tantos. O questionamento acaba surgindo: fazemos realmente parte dessa cultura sendo demonstrada ou estamos nos portando como um observador externo de um fenômeno que não representa – ou ao menos desejaríamos que não representasse – a nós mesmos? Ler mais deste artigo

Frente a um texto qualquer (vamos usar de exemplo-cobaia aqui o 
Negar o livre-arbítrio é entendido, no senso comum, como negar liberdade. Ainda que fosse uma simples questão de resistência contra um suposto determinismo mecânico e fatalista do universo, nunca sabemos se essa resistência já faz parte de tal mecanismo fatal. Contudo, não é só disso que se trata. As pessoas entendem livre-arbítrio como exercício pleno de liberdade, o que implica (conscientemente ou não) partir da premissa de que, sem a intencionalidade do livre-arbítrio, seremos sempre escravos de nossas “pulsões animais” – enfim, aquela separação agostiniana mente-corpo recalcada na civilização moderna.
* texto originalmente publicado na
Imagine que você vai jogar uma partida de xadrez. Quando, após organizar o tabuleiro e se sentar em frente a seu oponente, você pega uma peça qualquer – a rainha, por exemplo – e move de uma casa para outra, você faz mais do que carregar um pedaço de madeira por alguns centímetros: você realiza uma jogada! (eu sei, é fantástico). Você já parou para refletir o que constitui esse ato misterioso de realizar uma jogada? Isto é, o que existe a mais na jogada além do ato de mudar de lugar um pedaço de madeira?





