a casa de chá zen

senhoritas na frente da casa do cháVárias teorias do design exigem um tipo de certeza do processo de projeto, justamente ao tentar destilar o melhor desse processo. E mesmo que isso não seja exatamente ruim, corre o risco de confundir o processo aberto dos artefatos por uma realidade fechada. Projetar é mais como cozinhar do que como engenharia de alimentos: Você nunca tem certeza do sabor que vai ter no final.

A casa de chá zen tem uma porta baixa, para que apenas os humildes possam entrar, curvando-se. A porta baixa produz humildade. Malditos americanos!

Mas, sério, menos. O maior canalha também pode se curvar, e aproveitar pra cometer alguma atrocidade lá embaixo. Ler mais deste artigo

A Imagem do Niilismo

A nossa contemporaneidade abre várias possibilidades para pensar a crise em vários níveis no nosso cotidiano. Contudo, normalmente, fechamos os olhos para o que pode vir a acontecer e deixamos que as coisas aconteçam no seu pormenor, só que em sentido inverso, proclamamos por um sentido que nos forneça certa justiça para o que pode nos acontecer. Há uma passagem da Gramatologia de Jacques Derrida em que ele escreve colocando Hegel como aquele pensador que deu o fim ao livro, isto quer dizer, depois da experiência hegeliana de mundo já não há mais pensadores que possam comentar algo sobre o mundo no que ele “deve ser”. Já que, pensadores conseguintes, como Nietzsche, indica que ao mundo não podemos dizer o que ele é sem cairmos numa falta de sentido àquilo que proclamamos. Precisamente, essa ausência de sentido contrariamente não concerne apenas a nossa contemporaneidade e sim, como atenta Nietzsche, está no interior do pensamento ocidental que criou seus valores a partir de um ideia suprassensível na qual nós forjamos uma imagem pela qual perseguimos para preencher a nossa vida concreta, cheia de indecisões e incertezas. Nietzsche denomina esse modo de ditar normas para esse mundo imaginando um outro além, que invariavelmente decai num fracasso, de Niilismo. Ler mais deste artigo

Um abraço é um ato solipsista não importa em quais deuses você não acredite

O Coiote corre atrás do Papa-léguas por que está sempre com muita fome. Ele tem tanta fome que nem lembra de usar o cartão de crédito dele pra pedir uma pizza, ele prefere encomendar aparato bélico pra dar um jeito de matar o pássaro por que ele tem muita, muita fome. Em compensação o Papa-léguas nunca tem fome, mas corre muito. Corre o suficiente pra escapar de todo e qualquer projeto feito pelo seu predador para capturá-lo e por isso a cadeia alimentar fica sempre incompleta. “Cadeia Alimentar” é o nome que os cientistas deram para definir a ordem de quem come quem nesse nosso planeta.Não existem animais de outro planeta na nossa cadeia alimentar por que ninguém nunca viu um e, portanto, ninguém sabe o que eles comem. Os cientistas dão nomes para muitas coisas, talvez eles tenham dado o nome do Papa-léguas também. Ler mais deste artigo

Filosofia do Design, parte LXXII – Design Thinking

Design Thinking está tão na moda que já não é nenhuma novidade. Na década de 1980, alguns autores como Bruce Archer, Bryan Lawson e Peter Rowe propuseram uma “maneira designer” de pensar e de comunicar como alternativa a métodos científicos e acadêmicos, mas que poderia ser tão poderosa quanto quando aplicada aos seus próprios problemas.

Moral da história: a visão de que o designer é capaz de liderar uma empresa voltada à inovação, tipo IDEO, com uma pitada do discurso de Tim Brown (TED) ou de Steve Jobs (em Stanford).

A pergunta que deve ser feita hoje não é mais “como pensam os designers?”, mas o contrário: como o design tem sido pensado? O que as pessoas em geral, depois de 30 anos de design thinking, pensam sobre design? Será que o designer finalmente conquistou a insígnia do profissional plenamente capacitado a enfrentar jogos de poder, estratégias econômicas ou mesmo seus próprios clientes? Leia mais…»

Fantoches nem sempre alienados

* publicado originalmente no Formas do Consumo.

Tenho a impressão de que a maioria das discussões teóricas sobre consumo repete uma mesma parábola: era uma vez um cara chamado Marx que encarava a produção industrial como sendo o motor da história e o único campo legítimo de luta social – luta porque o mundo seria dividido em dois: quem manda e quem obedece.

Diante disso, consumo é o vilão da produção industrial e, portanto, aquilo que freia a história — consumir reduz-se a uma instância passiva de manipulação que nos faz querer coisas sem haver uma real necessidade de tê-las. Leia mais…»

Inscrições abertas! Filosofia do Design: uma subversão do olhar

Quando: 26 de maio (Sábado), das 9h às 18h | Onde: Espaço Multi-uso do Núcleo de Design (Unidade 3 – Belas Artes) - Rua José Antonio Coelho, 879 – Vila Mariana/SP. Leia mais…»

A dúvida do mercado

* texto originalmente publicado na Revista Ciano (vol. 2, n. 1, 2012, p. 88-116) | ilustrações de Guilherme Henrique.

“O drama de quem duvida é maior que o de quem nega, porque viver sem um fim é muito mais difícil que viver para uma causa” (Emil Cioran, 2003, p. 76).

Entre os designers, é comum de se dizer que fulano ama ou odeia o mercado, que beltrano se vendeu ao mercado, que ciclano atua no e sobre o mercado, como se esse tal de “mercado” fosse alguém, uma entidade ou um contexto.

Mas assim como dizemos “bom dia” sem necessariamente desejarmos que o interlocutor tenha, de fato, um dia bom, trata-se de puro hábito, como dizer “eu te amo” ou “preconceito é crime” – ou seja, o mercado é uma abstração que não existe concretamente. Leia mais…»

Desconstrução e Ontologia em Ser e Tempo

A desconstrução (Destruktion) da ontologia tradicional empreendida por Martin Heidegger se inicia com a repetição da questão do Ser no horizonte do sentido a partir da qual ele formula uma nova ontologia calcada na analítica do ente primordial; o Dasein. Heidegger escreve que apesar da nossa época ter todo interesse pela “metafísica”, a questão do Ser caiu no esquecimento, mesmo considerando que a questão é tão essencial e por isso foi a motivadora das pesquisas de Platão e Aristóteles. Desse modo, repetir a questão do Ser é necessário uma vez que esta é a interrogação fundamental da filosofia.

ImagemPara tanto, Heidegger, primeiro, esclarece alguns dos pré-conceitos atribuídos ao Ser, dados como definitivos, mas que apenas desfavorecem a retomada da questão. Por exemplo, aceitar a universalidade do Ser não indica qualquer clareza, uma vez que o Ser transcende qualquer universalidade genérica. Como podemos apreender na ontologia medieval o Ser era considerado um “transcendens”, consideração já presente nos estudos aristotélicos pela unidade da analogia que entendia a universalidade em geral frente à variedade multiforme de conceitos. Todavia, a unidade de analogia instalou uma nova base para os problemas do Ser, devido ao obscurantismo dos nexos categoriais. Com isso, uma explicitação ficou ausente até, inclusive, na Lógica do Hegel a qual indicava o Ser como “imediato indeterminado”. Por isso, “quando se diz, portanto: ‘ser’ é o conceito mais universal, isso não pode significar que o conceito de ser seja o mais claro e que não necessite de qualquer discussão ulterior. Ao contrário, o conceito de ser é o mais obscuro” (Heidegger, 2005, pg.29). Leia mais…»

Filosofia do Design, parte LXXI – Autêntico Design

* texto originalmente publicado no Design Simples.

O que torna um trabalho de design autêntico? Aliás, o que é autenticidade? Em âmbito interpessoal, dizem que “ser autêntico” é ser você mesmo, sendo uma objeção básica afirmar que é impossível deixar de ser “você mesmo”.

Uma definição mais elaborada, por conseguinte, seria a de aceitar quem você é e fazer disso o norte para aquilo que você quer se tornar. O problema é que essa aceitação pode rimar com resignação, isto é, resistência a mudanças.

Desvencilhando-nos da ideia de imobilidade ou mudança, outro caminho seria a autenticidade apenas como sinceridade para consigo mesmo. Tal definição só seria consistente, entretanto, caso houvesse uma pessoa que não carregue consigo valores contraditórios.  Leia mais…»

Articulação Simbólica – Defesa Final

You never really lived until you have read something about yourself that someone put on a fiction. [autor fictício]

O que eu tentei fazer em minha pesquisa de mestrado foi investigar algo que todo designer já sabe, mas talvez não saiba que sabe. Para isso, tive que contar uma história incluindo a minha própria história. Projetar, planejar, gerenciar e produzir, por exemplo, são enredos comuns no campo do Design (e acho que em qualquer outro campo), mas não pertencem à minha narrativa.

Minha história é o seguinte: fazer design não é criar, produzir ou reproduzir coisas. É fazer ver o que não se enxerga. É um “modo de olhar” que não precisa de olhos, mas que precisa do olhar dos outros. Acima de tudo, é articular o que se vê através do que se vivencia – não de forma individual, mas coletiva, comunicativa. Leia mais…»

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