22/02/2012
por Thiago Dantas
A desconstrução (Destruktion) da ontologia tradicional empreendida por Martin Heidegger se inicia com a repetição da questão do Ser no horizonte do sentido a partir da qual ele formula uma nova ontologia calcada na analítica do ente primordial; o Dasein. Heidegger escreve que apesar da nossa época ter todo interesse pela “metafísica”, a questão do Ser caiu no esquecimento, mesmo considerando que a questão é tão essencial e por isso foi a motivadora das pesquisas de Platão e Aristóteles. Desse modo, repetir a questão do Ser é necessário uma vez que esta é a interrogação fundamental da filosofia.
Para tanto, Heidegger, primeiro, esclarece alguns dos pré-conceitos atribuídos ao Ser, dados como definitivos, mas que apenas desfavorecem a retomada da questão. Por exemplo, aceitar a universalidade do Ser não indica qualquer clareza, uma vez que o Ser transcende qualquer universalidade genérica. Como podemos apreender na ontologia medieval o Ser era considerado um “transcendens”, consideração já presente nos estudos aristotélicos pela unidade da analogia que entendia a universalidade em geral frente à variedade multiforme de conceitos. Todavia, a unidade de analogia instalou uma nova base para os problemas do Ser, devido ao obscurantismo dos nexos categoriais. Com isso, uma explicitação ficou ausente até, inclusive, na Lógica do Hegel a qual indicava o Ser como “imediato indeterminado”. Por isso, “quando se diz, portanto: ‘ser’ é o conceito mais universal, isso não pode significar que o conceito de ser seja o mais claro e que não necessite de qualquer discussão ulterior. Ao contrário, o conceito de ser é o mais obscuro” (Heidegger, 2005, pg.29). Leia mais…»