22/06/2011
por Marcos Beccari
* texto originalmente publicado no Formas do Consumo.
Sabe aqueles assuntos que evitamos discutir, mas que todos nós temos uma opinião a respeito? Religião, política, gosto musical, futebol… No fundo, discutir sobre estas coisas é discutir sobre crenças e, portanto, sobre aquilo que nos faz ser quem somos. Mas será que a própria crença pode ser considerada um objeto de consumo? Se pensarmos em nossos gostos musicais e em nosso time de futebol, tal suposição não parece ser tão absurda. Quando elegemos determinada marca a ser sempre consumida (você só compra leite Parmalat, por exemplo), não estamos apenas acreditando que aquela empresa é melhor que seus concorrentes, mas também estamos assumindo um determinado modo de vida, um conjunto de hábitos e, por que não, uma personalidade que nos caracteriza enquanto indivíduos.
Para fins reflexivos, podemos classificar o “consumo de crenças” em três grandes categorias: easy, medium e hard. No primeiro caso, basta identificar-se com determinada crença para consumi-la. Qualquer um pode tornar-se isso ou aquilo, é só querer – torcer pelo Palmeiras ou Flamengo, ser hetero/homo/bissexual, ser ateu ou agnóstico, etc. Assim como na doutrina do Espiritismo, o consumo easy funciona na base do autobatismo, como também ocorre no Islamismo, ao declararmos o nosso testemunho de fé (Shahada), ou na Umbanda, onde só precisamos frequentar os terreiros. Leia mais…»