Consumo ateu e o fetichismo contemporâneo

O que ateísmo tem a ver com consumo? O recalque da proibição pela negação da mesma [1]. Quando falamos de fetichismo (nossa crença de que certas mercadorias são “objetos mágicos”), a tendência é considerar que a “manifestação teológica” do produto nada mais é do que uma expressão “comum” da realidade social. Em nível de discurso, é o mesmo que dizer que Deus está morto/não existe [2] – o que implica negativa, proibitiva e necessariamente continuar acreditando em alguma ideia de “Deus”.

Se entendermos “Deus” como uma autoridade onipotente e opressiva, sua queda ou ausência paradoxalmente significa, ao invés de liberdade, proibições cada vez mais severas. Quando não há dogma ou fetichismo religioso, o mais comum é dedicar-se a uma busca incondicional da felicidade sob o ilusório pressuposto dostoievskiano de que “tudo é permitido”. Para tanto, em vez de se recalcar desejos ou prazeres ilícitos, passa-se a recalcar o recalque em si, ou seja, a própria proibição que nos priva de tais desejos e prazeres. Leia mais…»

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