produtificação

Recentemente uma crônica (em inglês) perguntava se a Lego™ tinha vendido a alma para o demo. Curiosamente o mesmo exemplo que eu tinha usado alguns meses antes num debate no RLab. Basicamente a ideia é que os kits da Lego vem se tornando mais elaborados e complexos (despertando certamente em mim aquele célebre WANT) mas que ao mesmo tempo parece que também se tornam menos criativos.

Vamos explorar aqui a hipótese de que se trata de um fenômeno de produtificação: Para transformar uma coisa (genérica) em um produto é preciso “fechar” essa coisa.

O exemplo do Lego é interessante, já que trata de um brinquedo. Quando criança, influenciado por Star Wars, eu fiz uma nave espacial com as peças do kit “Casa” do Lego. Em retrospectiva, agora acho que era uma nave com um “quê” de casa, bem quadrada, sem cara de máquina. Mas era uma nave. Leia mais…»

Paradoxo do Axé

{Primeiro, uma confissão: Sim, eu fui passar o carnaval em Antonina, e sim, dancei um montão de Axé, e definitivamente sim, achei bom demais. PS.: E esse pessoal que se diz pós-moderno, que lê Maffesoli, fala em “resgatar a razão sensível” — e odeia carnaval?}

Dois personagens 3D do clipeO que aconteceria se o Mark Knopfler pegasse Money for Nothing e resolvesse fazer ela ficar “mais quebrante”? Mais groovy? Claro, gosto é que nem braço, e eu amo essa música, se você não gosta pode ter que imaginar um outro exemplo na sua cabeça. Mas de qualquer jeito, essa é uma música que dá vontade de cantar, de se mexer e é pura e simplesmente muito massa. Ela até tem uma história engraçada… Bom, o que aconteceria se ele quisesse deixar o riff da guitarra dessa música mais cativante? Provavelmente ele estragaria a música.

Até onde eu sei, ser “muito massa” e “dá vontade de cantar” são qualidades numa música. Mas são exatamente as críticas que música Axé recebe. Ou em outras palavras, o Axé é visto como “grudento” e “comercial”. Como as diversas bandas de Axé fizeram nos últimos anos um sucesso estrondoso, fomos todos expostos a um excesso dessas músicas, ou melhor: Sofremos uma Superexposição.

Até aí você pode simplesmente continuar com o seu preconceito contra o Axé. A questão é a seguinte: O que aconteceria se alguém convencesse a Ivete e a Claudinha e todos os outros artistas de Axé a não enxerem seus rabos de dinheiro e nunca mais fazer nada nesse ritmo? Quase com certeza, um outro ritmo tão irritante quanto surgiria de outro lugar. Ler mais deste artigo

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