Resenha: Design Para um Mundo Complexo

CARDOSO, Rafael. Design para um mundo complexo. São Paulo: Cosac Naify, 2012. ISBN 978-85-405-0098-3

livro laranja, picolé laranja

combina com picolé de cajá!

O livro é laranja! Que tipo de designer pode não amar um livro laranja?

Trata-se sem dúvida de um livro para agradar designers. A cor, as ilustrações cool, o pequeno formato, o tom de conversa, a argumentação semi-científica, tudo feito para que designers amem o livro.

Podemos dizer que é um livro promissor, no seguinte sentido: Ele promete muito. O título é uma referência à um dos livros mais bombásticos da teoria do design, “Design para o Mundo Real” do Papaneck, que basicamente dizia que tudo o que os designers faziam era frescura e que as calamidades contemporâneas exigiam um design engajado — típica ideologia de dominar o mundo. E encontramos a mesma pretensão em Rafael Cardoso, quando ele diz que a complexidade torna obsoleto aquele mundo real, quando ele diz que os livros são o real conhecimento, quando dá um título nietzscheano para sua conclusão: “Novos valores para o design”. Certamente que o autor negaria isso, várias passagens ensaiam uma pretensa humildade, mas vale desconfiar dessa máscara: Afinal, o conteúdo do livro são respostas para todos os problemas do design. Ler mais deste artigo

design sem bula

“Ornamento é crime” — “Menos é mais” — “Forma segue Função” — a julgar pela {baixíssima} qualidade dos slogans você imaginaria que o funcionalismo teria já há muito desaparecido dessas terras sem deixar vestígios. E o curioso foi que não, aqui estamos em pleno século XXI e ainda algumas pessoas se auto-proclamam funcionalistas, sem contar as legiões que pensam funcionalisticamente até quando acham que estão “fazendo arte” e jamais se dão conta disso. Claro, parte do problema é o horrorosamente ruim estado do anti-funcionalismo, que chega a ser pior do que o problema original. Mas (pra manter minha fama de bonzinho) prefiro lembrar das colocações funcionalistas menos problemáticas. Leia mais…»

sete questões

Pensar sobre design não deve se resumir a pensar relações profissionais de designers: Essas relações não existem sem um contexto. O projetar informa (é mais um dos processos que informam) esse mundo contemporâneo, e na medida em que existe uma escolha mais ou menos política de fazer o design ser paradigmático (tanto como forma de aumentar o preço do serviço quanto como uma justificativa da economia como criadora de felicidade, via “inovação”) as armadilhas de um tipo de pensamento que se limitasse à relações com clientes vão se tornar cada vez mais aparentes. Quero portanto deslocar a atenção para algumas questões interessantes hoje.

1: Matemática, ou a programabilidade

O rápido desenvolvimento do computador nas últimas décadas gerou todo tipo de efeitos não-óbvios. O primeiro deles é que com a miniaturização dos componentes é possível adicionar um computador a praticamente qualquer coisa física onde se possa imaginar um uso para algum tipo de computar. E computar é uma forma de inserir nessas coisas físicas uma qualidade matemática. O que isso gera?

Essa “parte matemática” tende a começar como uma simples adição, sem interferir com a natureza do objeto original. Esse processo é mais facilmente visível na internet. Estamos entendendo a internet como uma mistura de textos (livros, revistas) e programabilidade. A princípio, a internet se baseava em textos estáticos, mas com o passar do tempo a programabilidade do conteúdo se mostrou um potencial muito maior, de forma que cada acesso à uma página gera um novo “olhar” sobre aquele conteúdo, tornando a troca de informações muito mais dinâmica e poderosa.

Da mesma forma, é possível que desenvolvimentos semelhantes existam quando adicionamos programabilidade à outras coisas. Um exemplo interessante é o dinheiro, que vem sendo não só substituído por cartões eletrônicos, mas esses próprios cartões já incorporam chips. E embora as consequências de cada uma das inovações seja sempre benéfica, não há garantia de que o conjunto delas seja, já que cada uma delas altera o mundo em que vivemos, que é exatamente o contexto do design. Nos resta uma aceleração do processo que tende a aumentar a complexidade e diminuir o controle. E ainda existem mais 6 questões…»

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