Resenha: Design Para um Mundo Complexo
18/10/2012 3 Comentários
CARDOSO, Rafael. Design para um mundo complexo. São Paulo: Cosac Naify, 2012. ISBN 978-85-405-0098-3
O livro é laranja! Que tipo de designer pode não amar um livro laranja?
Trata-se sem dúvida de um livro para agradar designers. A cor, as ilustrações cool, o pequeno formato, o tom de conversa, a argumentação semi-científica, tudo feito para que designers amem o livro.
Podemos dizer que é um livro promissor, no seguinte sentido: Ele promete muito. O título é uma referência à um dos livros mais bombásticos da teoria do design, “Design para o Mundo Real” do Papaneck, que basicamente dizia que tudo o que os designers faziam era frescura e que as calamidades contemporâneas exigiam um design engajado — típica ideologia de dominar o mundo. E encontramos a mesma pretensão em Rafael Cardoso, quando ele diz que a complexidade torna obsoleto aquele mundo real, quando ele diz que os livros são o real conhecimento, quando dá um título nietzscheano para sua conclusão: “Novos valores para o design”. Certamente que o autor negaria isso, várias passagens ensaiam uma pretensa humildade, mas vale desconfiar dessa máscara: Afinal, o conteúdo do livro são respostas para todos os problemas do design. Ler mais deste artigo

“Ornamento é crime” — “Menos é mais” — “Forma segue Função” — a julgar pela {baixíssima} qualidade dos slogans você imaginaria que o funcionalismo teria já há muito desaparecido dessas terras sem deixar vestígios. E o curioso foi que não, aqui estamos em pleno século XXI e ainda algumas pessoas se auto-proclamam funcionalistas, sem contar as legiões que pensam funcionalisticamente até quando acham que estão “fazendo arte” e jamais se dão conta disso. Claro, parte do problema é o horrorosamente ruim estado do anti-funcionalismo, que chega a ser pior do que o problema original. Mas (pra manter minha fama de bonzinho) prefiro lembrar das colocações funcionalistas menos problemáticas. 





