Narcisismo ou o talento de rir por não haver talento algum

Quando aparentamos estar minimamente felizes ou infelizes em nossas timelines, o julgamento moral mais fácil é o de que estamos sofrendo cronicamente de falta de atenção. Claro que tal impressão pressupõe que existe uma forma mais nobre de satisfação emocional que não deveria ser exibida publica-mente. Ou ainda, na versão marxista: estamos consumindo um modelo de felicidade intercambiável e genérico que, enquanto mercadoria despojada de valor de uso, é alienante e não produz satisfação verdadeira.

Seja como for, mais legal seria questionar: a falta de atenção em si não pode ser motivo de satisfação? E mesmo que certas condutas emocionais possam funcionar como um tipo de estratégia predatória, isso seria suficiente para depreciarmos moralmente a ambição de parecer feliz? Não quero falar, pois, do que é ou deixa de ser felicidade, mas das nuances de uma possível celebração do eu narcisista na contemporaneidade. Interessa-nos, enquanto designers, compreender brevemente de que modo nossa vida emocional tem se transformado em conduta social por meio de objetos, imagens e rituais da atualidade. Leia mais…»

Por um contemporâneo palintrópico

* texto originalmente publicado na Revista Clichê.

O problema do contemporâneo não é novidade e talvez nunca tenha sido propriamente contemporâneo. Sob o viés da história (“oficial”), desde o renascimento e a modernidade já nos preocupávamos com certa contemporaneidade – termo que não se resume a um tempo atual, mas se refere antes a um “estar junto” em tempos diferentes.

Por outro lado, no âmbito do design parece haver uma exigência de nos tornarmos contemporâneos de nosso tempo e de outros tempos através de produções que, por vezes, denunciam alguns delays históricos.  Leia mais…»

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