Pensar o design, que tarefa é essa?

Esta minha postagem deveria ser a primeira que deveria ter escrito aqui, porém as idéias não surgem quando o pensamento quer, mas quando elas se sentem a vontade para se manifestar.  Restando a nós  saber relacioná-las com o nosso pensamento… Quando o Beccari me convidou para escrever no blog, uma das coisas que fiquei receoso se aceitava ou não era porque até então o título filosofia do design me parecia bem estranho (na verdade, ainda continua). Uma vez que concerne a pensar o design fora de um enquadramento disciplinar, aproximando de uma forma pela qual uma pessoa podia se manifestar no mundo, já que a nossa sociedade cada vez mais privilegia o jogo da imagem, o design aparece como uma maneira de atribuir conteúdo à performance que está presente nos dias atuais: o esteticismo. Esse modo de procedimento tem seu privilégio porque imiscui no fato de que a aparência condiz a uma condição hierárquica elevada no que concerne ao modo de formular juízos acerca de um ação. Com isso, se tomarmos o pensamento não como uma atitude contemplativa, teórica, e sim que todo o pensar sobre algo já é um ação, que tem a sua diferença por instituir a dúvida acerca dos fatos já aceitos como evidentes. Então, pensar o design seria justamente colocar em xeque o valor da aparência puramente formal, por mais que no primeiro momento ocorra uma semelhança entre aparência e design.   Ler mais deste artigo

arte não é língua

A arte não é linguagem.

Essa afirmação é obviamente falsa em muitos sentidos.

O primeiro, claro, é que algumas artes são feitas de palavras: A literatura é feita de frases. A canção é feita de versos. O teatro de falas. Nesse sentido, dizer que elas não são linguagem é como dizer que uma canoa não é madeira, o que é muito diferente de dizer que ela não é só um pedaço de madeira.

Uma obra de arte pode usar a linguagem tanto quanto quiser, e até mesmo expandir e aperfeiçoar essa linguagem enquanto a usa. Mas o que nos toca numa obra é aquilo que não se coloca em palavras. O que é significativo e valioso nela pode ser justamente o que não é articulável.

Mas nosso título é falso em um outro sentido, um sentido mais complicado. Toda obra de arte precisa resolver uma dualidade entre sua execução e seu propósito. E o par «execução/propósito» é similar ao par «sinal/significado»que é o mecanismo fundamental da linguagem.

Assim, o vocabulário da teoria da linguagem (sinal, código, referência, redundância…) facilita falar sobre arte e, imagina-se, estudar linguagem ajuda a entender arte. E parece que de fato é assim. O risco é que por desenvolver demais a comparação acabemos forçando a arte a se tornar linguagem mesmo naquilo em que não é. Leia mais…»

“Debord e o Hiper-espetáculo”, por Juremir Machado da Silva

Embora este blog se proponha a oferecer conteúdo exclusivo de seus respectivos colunistas, tomo a liberdade de abrir uma exceção com este excelente artigo (disponível aquiaqui e aqui) do professor Juremir Machado da Silva¹. Apresentado em 2007 na XVI COMPÓS (Curitiba/PR) – GT Comunicação e Cultura, o artigo abaixo traça um panorama filosófico sobre o papel contemporâneo da comunicação no que concerne ao imaginário sociocultural.

Depois do espetáculo: reflexões sobre a tese 4 de Guy Debord

Resumo: este estudo reflete sobre a passagem da “sociedadedo espetáculo”, anunciada e denunciada por Guy Debord, em1967, ao hiper-espetáculo ou sociedade “midiocre”. Palavras-chave: Imaginário, Tecnologias, Tecnologias do imaginário, Sociedade do espetáculo, Cultura, Comunicação.

O espetáculo acabou. Estamos agora no hiperespetáculo. O espetáculo era a contemplação. Cada indivíduo abdicava do seu papel de protagonista para tornar-se espectador. Mas era uma contemplação do outro, um outro idealizado, a estrela, a vedete, os “olimpianos”². Um outro radicalmente diferente e inalcançável, cuja fama era ou deveria ser a expressão de uma realização extraordinária. No espetáculo, o contemplador aceitava viver por procuração. Delegava aos “superiores” a vivência de emoções e de sentimentos que se julgava incapaz de atingir. Leia mais…»

A necessidade de mitos e heróis para o design enquanto cultura

Olá, em minha estréia tardia aqui no blog de antemão peço desculpas, pela falta de coerência, linearidade e muitas vezes sentido, mas estas idéias me atordoavam e precisavam ser jogadas ao ar, e venho aqui jogá-las em forma de ensaio, para aprimorá-las e lapidá-las.

Enquanto designer, duas questões sempre foram muito difíceis de responder, logo mesmo nos primeiros anos de faculdade quando me perguntavam, o que é design? E em seguida, quem é que são os mitos, ícones ou ídolos da sua profissão no Brasil, ou mesmo no mundo? Confesso que hoje, mesmo quase três anos de profissional trabalhando na área como bacharel em design, ainda tenho dificuldade de delinear uma resposta coesa bem definida e direta, que não seja recheada “ééés, ou “ahmms”. Muito se deve a indefinição da profissão, que está longe de ser objetiva e clara, devido a muitos fatores tratados de maneira muito nobre no estudo da filosofia do design, que temos levado em nosso grupo de estudo, e mais a sério pelo nosso estimado colega Beccari, mais o que irei focar aqui neste ensaio, é uma crença pessoal de que isso se deve a falta de uma cultura de design na própria profissão, creio eu que talvez antes de uma própria filosofia do design, se essa existe, há a falta de uma atmosfera de design uma cultura, recheada de símbolos, ícones e outros elementos que se definem em sua complexidade para cada um que se diga designer. Bom, como manda o figurino, traçaremos algumas definições aqui. Leia mais…»

contrário de poder

Eu até acho que o post anterior do meu amigo Beccari tem a ver com design sim. No entanto, acho que ele está errado.

A mensagem, pra quem não teve paciência de ler o longo e enfadonho post, é que

o poder é irrelevante àqueles que não ligam para ele.

Ele está enganado. O poder é relevante para todos. E eu concordo que isso é ruim: Isso significa que estamos sempre sujeitos à censura, à castração, à incomunicabilidade. Sempre pode aparecer um cara mais forte e me obrigar a achar que 2+2=5. Sempre pode vir alguém e me roubar o significado que eu tenho para a vida.

A solução, é claro, é eu me defender. E eu o farei. É claro, quando eu me defendo eu me rebaixo à lógica do poder: Contraponho um poder a outro. Reduzo tudo à força.

Mas o erro do meu amigo Beccari é o seguinte: O contrário do Poder não é a Impotência. Assumir-se impotente (fugir da discussão, nas palavras dele) ainda é uma relação de poder. O fraco contra o forte. Ainda há uma relação de exploração. Se esconder é ainda uma forma de jogar o jogo. O contrário do poder é uma coisa muito diferente, é tornar o poder desimportante, mas fazê-lo nunca é possível ignorando o poder. Para construir o contrário de poder é preciso usar o poder — e talvez até o poder também use o seu contrário para construir-se. Ler mais deste artigo

Aqueduto Xpiral

Se o xBox pode passar do 1 pro 360, porque o Aqueduto parte 2 não pode ser Xpiral?

Há pouco mais de um ano atrás, no final de 2009, estive em Nasca, no Peru. A cidade é mais conhecida pelas linhas, geoglifos (palavra complicada para desenho feito com pedras) tão grandes que precisam ser sobrevoados para serem reconhecidos. Mas o povo que fez essas linhas (do qual ainda pouco se sabe) fez também outras coisas que ainda permanecem muito depois que eles foram esquecidos. Uma delas são os aquedutos espirais chamados de Puquios ou Aquedutos de Cantalloc.

Entrada do Aqueduto de CantallocPois bem, já tem tempo que eu tenho essa fascinação com a imagem do Aqueduto (pra quem não sabe, o meu post do “Aqueduto” já existia numa versão diferente, em inglês, no meu outro blog, desde 2007), e quando eu cheguei lá foi uma surpresa que existisse alguma coisa desse tipo. Mas pra quem vai lá com a imagem de um aqueduto romano, a experiência é um pouco… curiosa. Os aquedutos na verdade são mais para buracos no chão, a espiral é apenas uma forma de facilitar o acesso à água. Na verdade o aqueduto mesmo é uma tubulação subterrânea que aparentemente é capaz de captar água da terra no meio do deserto. Daí bem na frente essa água vai para um canal. E parece que é a existência deles que torna o que seria um lugar desolado numa espécie de oásis. Claro, a cidade hoje tem uma super cara de cidade, mas se você para pra pensar dá pra imaginar aquilo no meio do nada, sem carros, sem estradas de asfalto… E isso é um teto!»

Trocas animadas entre o oeste mercadista e o leste socialista

O fim da URSS, no final dos anos 80, trouxe para muitos a confirmação da vitória de um modo de produção e a de que haveria a aceitação tácita dos valores econômicos e culturais liberais do ocidente. Apesar da suposta naturalidade com que isso ocorreria, os mercadistas ocidentais puseram ao seu lado as ferramentas de dominação cultural, para expandir seus mercados e flexibilizar a força de trabalho. O presente artigo trata desse período de transição das economias socialistas para a economia de mercado à maneira ocidental e o papel que a indústria cultura, especialmente a do audiovisual teve nesse contexto, além das inesperadas trocas de produção cultural que vieram a se realizar.

Introdução

Após a 2ª guerra mundial (ou ocidental) ocorreu a cisão do mundo em dois blocos, o capitalista e o comunista. Cada parte, fosse os EUA ou a URSS tomaram para si o espólio da guerra, e avançaram sobre vários países que serviram como elementos de uma relativa simbiose, de relações comerciais e ideológicas. Um caso a ser reportado foi o da Alemanha, bastante conhecido devido aos recentes acontecimentos de 1989, quando o muro de Berlim, que separava a Alemanha ocidental, capitalista, da oriental, comunista, veio abaixo e teve associada a si a idéia de que a história havia terminado com a vitória, inclusive estética e televisiva, do capitalismo. Leia mais…»

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