Da imagem literária ao design da escolha
12/03/2013 Deixe o seu comentário
Dentre as várias maneiras de se relacionar literatura e design, uma que me parece profícua é através da questão, amplamente explo-rada por Tom Mitchell (confira o post do Daniel a respeito), sobre o que “quer” uma imagem. Grosso modo, o que Mitchell nos ensina é que uma imagem é um engodo que quer nos atrair para o prazer estético, ela exige uma interpretação e empenha-se em nos “escan-dalizar” para que dela desviemos ou nela fixemos nosso olhar.
Por meio do viés literário (especialmente em Kafka e Kundera), contudo, suspeito que possa haver outra característica fundamental da imagem (e talvez mais pertinente para se pensar design): uma vez que ela nunca “ocorre agora”, mas está sempre já realizada e ao mesmo tempo sempre por vir, ela quer nos desvincular do fluxo temporal colocando-nos diante de nossas escolhas. Leia mais…»
É verdade que design só existe por meio de interações humanas. O que é bem diferente de afirmar que interações humanas só existem por meio do design. Trata-se então do lado vazio da interatividade: reduzir as interações humanas a um “dever” como design (ou como relacionamentos, trabalho, postura política, religião etc.).
Muito se tem discutido, pelo menos no contexto específico dos estudantes de design de Curitiba, sobre engajamento ativo, representatividade, manifestos e mobilizações entre designers. É como se a tão aguardada regulamentação do design enaltecesse um senso de responsabilidade social como estratégia de valorização de nossa profissão. Segue-se o famoso lema de Gandhi “seja você a mudança que deseja ver no mundo”, que é muito próximo ao antigo ditado hopi [1] de que “nós somos aqueles por quem estávamos esperando”.
* texto originalmente publicado no 





