O cigarro sustentável

O ministério da cultura adverte: este texto tem alto teor de sarcasmo e algumas poucas verdades. Serão relatadas opiniões contrárias e politicamente incorretas. Cabe a você leitor assumir uma posição. A leitura pode causar impotência moral. Se persistirem sintomas de ódio,  a culpa é toda sua.

Certo dia, deparei-me com a seguinte situação: distribuiram bituqueiras (objetos para guardar bitucas de cigarro) num show para todos os que estavam presentes. Quando o show acabou, me questionei qual era a utilidade daquilo, já que usei por algum momento mas depois esqueci totalmente que aquilo existia. E não foi somente comigo: várias outras pessoas nem usaram a bituqueira. Então comecei a refletir sobre quem reclama do cigarro, os anti-tabagistas e sobre o cigarro em si. E você, leitor, deve se perguntar, o que o cigarro tem a ver com design? O que vem a seguir talvez responda a pergunta.

Filosofia do Design, parte XVI – Por uma consciência moral do Designer

* texto originalmente publicado no Design Simples.

Notei que meus textos que exploram a ética/moral acabam gerando mais discussão, embora seja difícil dizer se isso é um bom ou mau sinal. Acho pertinente, pois, esclarecer melhor o meu ponto de vista particular sobre este assunto, ainda que seja necessário um texto mais extenso que o habitual. Geralmente, quando eu falo de Flusser, muitos criticam sua aparente falta de método científico/filosófico e o fato dele questionar muito e responder pouco, deixando muita coisa no ar e não chegando a lugar algum. Em primeiro lugar, acho que os postulados de Flusser podem ser provocativos, mas não são ingênuos.

Quando eu leio Flusser, parece que ele está confiando em minha inteligência, não a subestimando com fórmulas e receitas de bolo. Do mesmo modo, penso que o designer não pode subestimar a inteligência do usuário (o que acontece muito na abordagem do Design voltado ao Usuário), mas também não pode ser ingênuo. Trata-se daquilo que Mario Sergio Cortella (2008) chama de Autonomia Relativa, que não é a salvadora do mundo e nem imobilizada ou resignada ao ceticismo puro. Leia mais…»

Filosofia do Design, parte XIII – Design, Funcionalidade e Antiética

* texto originalmente publicado no Design Simples.

O escritor alemão Goethe aconselhava o homem a ser nobregenerosobom. O filósofo Vilém Flusser, aproveitando-se de tal prerrogativa, reformula essa questão ao Design e, ao mesmo tempo, a coloca em cheque: “o designer deve ser nobregenerosobom” (FLUSSER, 2010, p. 23). Aproveitando o ensaio “A guerra e o estado das coisas” de Flusser, falarei um pouco sobre ética e design neste post.

Supomos que temos que projetar uma faca de cozinha. Deve ser uma faca nobre na medida em que seja fácil de ser manuseada, não exigindo nenhum conhecimento prévio para isso – portanto, uma faca generosa também. Sobretudo, a faca deve ser boa para cortar alimentos de maneira eficaz e sem dificuldades. No entanto, se ela for boa demais, pode cortar também os dedos de quem a utiliza. Concluímos então que o Design deve ser nobregenerosobom, mas não demasiado bom. E quanto aos revólveres? São objetos nobres, podendo até configurar uma obra de arte contemporânea. São generosos também, qualquer criança analfabeta é capaz de utilizá-los. Por fim, são bons projetos de Design: não apenas matam com eficácia, como geralmente desencadeiam a reação de outros usuários que, por sua vez, matam aqueles que atiraram primeiro. Leia mais…»

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