Resenha: Design Para um Mundo Complexo

CARDOSO, Rafael. Design para um mundo complexo. São Paulo: Cosac Naify, 2012. ISBN 978-85-405-0098-3

livro laranja, picolé laranja

combina com picolé de cajá!

O livro é laranja! Que tipo de designer pode não amar um livro laranja?

Trata-se sem dúvida de um livro para agradar designers. A cor, as ilustrações cool, o pequeno formato, o tom de conversa, a argumentação semi-científica, tudo feito para que designers amem o livro.

Podemos dizer que é um livro promissor, no seguinte sentido: Ele promete muito. O título é uma referência à um dos livros mais bombásticos da teoria do design, “Design para o Mundo Real” do Papaneck, que basicamente dizia que tudo o que os designers faziam era frescura e que as calamidades contemporâneas exigiam um design engajado — típica ideologia de dominar o mundo. E encontramos a mesma pretensão em Rafael Cardoso, quando ele diz que a complexidade torna obsoleto aquele mundo real, quando ele diz que os livros são o real conhecimento, quando dá um título nietzscheano para sua conclusão: “Novos valores para o design”. Certamente que o autor negaria isso, várias passagens ensaiam uma pretensa humildade, mas vale desconfiar dessa máscara: Afinal, o conteúdo do livro são respostas para todos os problemas do design. Ler mais deste artigo

Consumo ateu e o fetichismo contemporâneo

O que ateísmo tem a ver com consumo? O recalque da proibição pela negação da mesma [1]. Quando falamos de fetichismo (nossa crença de que certas mercadorias são “objetos mágicos”), a tendência é considerar que a “manifestação teológica” do produto nada mais é do que uma expressão “comum” da realidade social. Em nível de discurso, é o mesmo que dizer que Deus está morto/não existe [2] – o que implica negativa, proibitiva e necessariamente continuar acreditando em alguma ideia de “Deus”.

Se entendermos “Deus” como uma autoridade onipotente e opressiva, sua queda ou ausência paradoxalmente significa, ao invés de liberdade, proibições cada vez mais severas. Quando não há dogma ou fetichismo religioso, o mais comum é dedicar-se a uma busca incondicional da felicidade sob o ilusório pressuposto dostoievskiano de que “tudo é permitido”. Para tanto, em vez de se recalcar desejos ou prazeres ilícitos, passa-se a recalcar o recalque em si, ou seja, a própria proibição que nos priva de tais desejos e prazeres. Leia mais…»

O que fetichismo, totemismo e idolatria têm a ver com design?

Fetichismo, totemismo e idolatria podem ser vistos como formas de relação entre humanos e imagens ou coisas. Por exemplo, se um sujeito estabelece com sapatos femininos uma relação erótica, digo que é tal sujeito é um fetichista e, o sapato, um fetiche. Se outro adora uma escultura como a um Deus, digo que é idólatra e, a escultura, um ídolo. Se outro ainda encara o símbolo de um time de futebol como algo que pauta sua identidade, dizemos que estabelece com tal time um relação totêmica (em relação ao totemismo, é preciso reconhecer que ele participa menos que os outros do vocabulário cotidiano).

Ora, o design tem como função principal trabalhar as relações das pessoas com as coisas e as imagens: seja enfocando a funcionalidade, o significado ou a estética. Assim sendo, nenhum objeto de estudo parece mais importante para o design do que as formas de relação que se estabelecem entre humanos e objetos ou imagens – e é exatamente nesse âmbito que estão o fetichismo, o totemismo e a idolatria. Leia mais…»

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 128 outros seguidores