Sobre a filosofia, a técnica e a cibernética.

A meditação de Heidegger sobre a filosofia explicitou que ela sempre se moveu por princípios, os quais procuraram fornecer o ponto inicial de toda a investigação para se alcançar uma totalidade. Totalidade que pode ser entendida como o Mundo, o homem, Deus. Contudo, o pensamento voltado para o seu ser, ou seja, para aquilo que o fundamentava, reconhecia que algo lhe faltava e  as coisas sensíveis começavam  a ser tomadas em seu além. Assim, a filosofia começou a pensar no além do sensível, para este campo mais tarde cunhou-se o nome de Metafísica. Esta, em grosso modo, procura refletir sobre a totalidade dos entes e, conseguinte, avaliar qual o princípio que rege todos eles. Isto significa que aquilo de onde o ente como tal é, ele vem a ser tratado enquanto ente cognoscível, manipulável ou transformável. De tal forma, o fundamento se desdobrou em diversas interpretações por possuir o caráter de causalidade do real, ora considerado como possibilitação transcendental da objetividade dos objetos (Kant), ora como mediação dialética do movimento do espírito absoluto (Hegel), do processo histórico de produção (Marx), ou ainda, como vontade de poder que põe valores (Nietzsche). Ler mais deste artigo

Desconstrução e Ontologia em Ser e Tempo

A desconstrução (Destruktion) da ontologia tradicional empreendida por Martin Heidegger se inicia com a repetição da questão do Ser no horizonte do sentido a partir da qual ele formula uma nova ontologia calcada na analítica do ente primordial; o Dasein. Heidegger escreve que apesar da nossa época ter todo interesse pela “metafísica”, a questão do Ser caiu no esquecimento, mesmo considerando que a questão é tão essencial e por isso foi a motivadora das pesquisas de Platão e Aristóteles. Desse modo, repetir a questão do Ser é necessário uma vez que esta é a interrogação fundamental da filosofia.

ImagemPara tanto, Heidegger, primeiro, esclarece alguns dos pré-conceitos atribuídos ao Ser, dados como definitivos, mas que apenas desfavorecem a retomada da questão. Por exemplo, aceitar a universalidade do Ser não indica qualquer clareza, uma vez que o Ser transcende qualquer universalidade genérica. Como podemos apreender na ontologia medieval o Ser era considerado um “transcendens”, consideração já presente nos estudos aristotélicos pela unidade da analogia que entendia a universalidade em geral frente à variedade multiforme de conceitos. Todavia, a unidade de analogia instalou uma nova base para os problemas do Ser, devido ao obscurantismo dos nexos categoriais. Com isso, uma explicitação ficou ausente até, inclusive, na Lógica do Hegel a qual indicava o Ser como “imediato indeterminado”. Por isso, “quando se diz, portanto: ‘ser’ é o conceito mais universal, isso não pode significar que o conceito de ser seja o mais claro e que não necessite de qualquer discussão ulterior. Ao contrário, o conceito de ser é o mais obscuro” (Heidegger, 2005, pg.29). Leia mais…»

O tempo das ocupações

É famosa a passagem de Santo Agostinho sobre o tempo na qual ele diz que se ao lhe perguntarem sobre o tempo, você tem uma idéia do que seja, porém se pedirem para  o definir ninguém sabe do que se trata. Apesar desse tom meio aporético que a questão do tempo nos provoca, sempre estamos nos movendo nele, seja de maneira consciente ou inconsciente, pois ao elaborarmos um plano de tarefas sempre o dividimos seja em horas, dias, semanas ou meses. Regularmente os mais organizados fazem isso escrevendo na agenda, colocando recados na geladeira ou até mesmo só  com o uso da memória. Assim, parece que o tempo condiz a um objeto no qual fazemos o seu manuseio de acordo com o nosso querer, será que o tempo é isso mesmo? Ler mais deste artigo

W. J. T. Mitchell e a virada imagética

“Virada imagética” (pictorial turn) é uma expressão cunhada pelo iconologista americano W. J. T. Mitchell. Análoga à virada linguística proposta por Rorty, ela se refere, inicialmente, ao papel central que a imagem desempenha na crítica social contemporânea e às “crises” atuais na forma de encarar esse objeto tão arredio à descrição – afinal, a imagem sempre rompe, em parte, com o plano da linguagem, do discurso. Atualmente, a imagem se tornou, diz o autor, “[...] um ponto de peculiar fricção e desconforto junto a uma larga faixa de questionamentos intelectuais” (MITCHELL, 1994, p.13, tradução nossa). A noção de “sociedade do espetáculo”, febre em um passado recente e ainda bastante em voga nos meios acadêmicos, demonstra bem esse desconforto com a imagem.

Posteriormente, Mitchell repensa os limites da expressão, tornando-a mais abrangente com o que ele chama de versão perene ou recorrente da virada imagética. Assim ampliado, o conceito não se limita mais à descrita “crise contemporânea da imagem”, mas pode se referir a qualquer situação de mudança de paradigmas – ou “crise” – da imagem, seja uma crise religiosa em Bizâncio, nos séculos VII e VIII, seja outra relacionada ao “olhar” e às tecnologias da imagem no século XIX. Leia mais…»

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