
Em meu primeiro post neste blog, quero fazer uma delineação geral dos problemas que acredito enquadrarem-se no âmbito de uma filosofia do design. Trata-se, sobretudo, de pensar o design de um ponto de vista humanístico – ou seja, colocando o humano em sua complexidade subjetiva como ponto principal de referência. E pensá-lo em dois planos nem sempre possíveis de serem separados. 1. No plano da produção: Quais as fontes da criatividade? Quais as motivações para a realização da atividade do design? Quais os deveres morais do designer? Etc. 2. No plano da recepção: quais as relações que pessoas estabelecem com imagens e objetos pensados em suas formas? Qual é o impacto sociocultural do design? Etc.
Será importante, logo de início, definir o que é design. De uma maneira ampla, eu diria que o design é a atividade que trabalha a forma das coisas, e também a forma resultante de tal atividade. Definição que desperta questionamentos: como se trabalha a forma das coisas no design? Com que objetivo? Quais formas resultam de tal atividade?
Para começar a responder a essas perguntas, será interessante observar que o design possui sempre três dimensões – quando uma delas está ausente, dificilmente se pode continuar falando em design. A primeira dimensão do design é evidentemente aquela da forma, a partir da qual o definimos. Mas a forma pela forma, a forma como um fim em si mesma – ou seja, o esteticismo – está muito mais na esfera da arte do que na do design. Com efeito, para se falar em design, seria preciso que estivessem presentes também suas outras duas dimensões: a dimensão funcional (ou de utilidade material) e a dimensão simbólica. Leia mais…»