design sem bula

“Ornamento é crime” — “Menos é mais” — “Forma segue Função” — a julgar pela {baixíssima} qualidade dos slogans você imaginaria que o funcionalismo teria já há muito desaparecido dessas terras sem deixar vestígios. E o curioso foi que não, aqui estamos em pleno século XXI e ainda algumas pessoas se auto-proclamam funcionalistas, sem contar as legiões que pensam funcionalisticamente até quando acham que estão “fazendo arte” e jamais se dão conta disso. Claro, parte do problema é o horrorosamente ruim estado do anti-funcionalismo, que chega a ser pior do que o problema original. Mas (pra manter minha fama de bonzinho) prefiro lembrar das colocações funcionalistas menos problemáticas. Leia mais…»

Considerações gerais sobre filosofia do design

Em meu primeiro post neste blog, quero fazer uma delineação geral dos problemas que acredito enquadrarem-se no âmbito de uma filosofia do design. Trata-se, sobretudo, de pensar o design de um ponto de vista humanístico – ou seja, colocando o humano em sua complexidade subjetiva como ponto principal de referência. E pensá-lo em dois planos nem sempre possíveis de serem separados. 1. No plano da produção: Quais as fontes da criatividade? Quais as motivações para a realização da atividade do design? Quais os deveres morais do designer? Etc. 2. No plano da recepção: quais as relações que pessoas estabelecem com imagens e objetos pensados em suas formas? Qual é o impacto sociocultural do design? Etc.

Será importante, logo de início, definir o que é design. De uma maneira ampla, eu diria que o design é a atividade que trabalha a forma das coisas, e também a forma resultante de tal atividade. Definição que desperta questionamentos: como se trabalha a forma das coisas no design? Com que objetivo? Quais formas resultam de tal atividade?

Para começar a responder a essas perguntas, será interessante observar que o design possui sempre três dimensões – quando uma delas está ausente, dificilmente se pode continuar falando em design. A primeira dimensão do design é evidentemente aquela da forma, a partir da qual o definimos. Mas a forma pela forma, a forma como um fim em si mesma – ou seja, o esteticismo – está muito mais na esfera da arte do que na do design. Com efeito, para se falar em design, seria preciso que estivessem presentes também suas outras duas dimensões: a dimensão funcional (ou de utilidade material) e a dimensão simbólica. Leia mais…»

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