Tragam suas machadinhas: vamos falar sobre cultura

Foto extraída do portal R7

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Poderia ser o enredo de algum conto surreal de H. P. Lovecraft: em plena tarde de domingo, Regina Casé e Preta Gil aparecem juntas em um mesmo palco comandando Caetano Veloso em um programa musical no qual celebridades da Globo dançam e fazem festa. Poderia ser, mas na verdade trata-se de uma “impressão digital” – segundo o próprio programa e sua apresentadora, da cultura brasileira em um drops semanal de um pouco mais de uma hora. Não faz muito tempo que Regina Casé foi eleita como uma espécie de porta-voz da cultura do nosso país em todos os papéis que vem desempenhando nos programas da televisão. Talvez tenhamos outros porta-vozes menos populares, mas com certeza nenhum tão entusiástico e aparentemente engajado em demonstrar essa cultura toda.

Tal fato, claro, agrada a muitos, e desagrada a outros tantos. O questionamento acaba surgindo: fazemos realmente parte dessa cultura sendo demonstrada ou estamos nos portando como um observador externo de um fenômeno que não representa – ou ao menos desejaríamos que não representasse – a nós mesmos? Ler mais deste artigo

O que é um “modelo”?

3210838977_26d9efb96e_oA suposição é a seguinte: superada a consciência da morte e o pavor de colocar moedas em um bolso furado e perdê-las para sempre, provavelmente um dos maiores medos que ainda resta a ser enfrentado pelo homem é o de ser impossibilitado de comunicar seus pensamentos de alguma forma. O  caminho longo e tortuoso que separa o emaranhado dentro da cabeça de um ser humano até o papel (ou a atmosfera, ou o arquivo digital, ou um show de mímica) é um fantasma conhecido e já espremido por diversos filósofos e estudantes de mestrado mundo afora.

Um deles, chamado Ludwig Wittgenstein, parece ter ficado tão assombrado diante de tal fantasma que motivou-se a publicar seu primeiro livro, o Tractatus Logico-Philosophicus, dissertando principalmente sobre o fato da linguagem ser apenas um “disfarce” para os reais pensamentos, e que portanto ela era o verdadeiro problema que deveria ser solucionado pelos filósofos. O teor de sua obra, em síntese, era a busca por uma linguagem científica precisa o suficiente para transpor essas barreiras e então dar um fim à maioria dos problemas que ela causava para a filosofia – que poderia, então, tornar-se uma área voltada para a exploração de soluções que realmente importassem para as pessoas – saúde, educação etc. Basicamente, o que ele queria provar era que todos os circulóquios e ensaios filosóficos eram mera questão de linguagem. A partir da publicação de seu Tractatus, uma nova filosofia poderia começar. Ler mais deste artigo

Simplificando: tudo que existe, existe.

Sugestão para monografia de graduação em filosofia: provar que o personagem Capitão Caverna, do Hanna Barbera, foi baseado no Mito da Caverna de Platão.

A ideia de que existe algo chamado trabalho aconteceu de repente porque o homem (isso a muito tempo atrás, antes da implementação do ato de “bater o ponto”) percebeu que seu tempo era dividido em, basicamente, duas coisas: realizar tarefas cujo objetivo eram garantir a sua sobrevivência, e realizar tarefas sem nenhum objetivo aparente, apenas para relaxar, se divertir ou extravasar seus instintos sexuais. Foi dado portanto o nome de “trabalho” para as coisas que o homem faz que o ajudam a sobreviver. As coisas que não o ajudam a sobreviver recebem vários outros nomes.

A concepção de que existe um tempo para trabalhar e um tempo para fazer coisas que não necessariamente auxiliam na sobrevivência durante a semana é bastante atual, se pensarmos bem. Retrocedendo a fita cassete da história do homem antropológico, podemos acabar deparando nossas pessoas com o simpático Gronk, o homem-das cavernas, que trabalhava em uma jornada desumana mais de vinte horas por dia sem descanso todos os dias. Ele inclusive acordava no meio da noite para trabalhar um pouquinho. Esse trabalho noturno consistia em ficar dando umas voltinhas ao redor da cama carregando uma lança ou algum outro objeto pontiagudo para atravessar o pescoço de algum animal selvagem que se atrevesse a tentar utilizar a cabeça de Gronk ou de algum de seus amigos como fonte de nutrientes. Ler mais deste artigo

Pensamentos acerca do “mal” e seu endereço para correio eletrônico.

A história de O Senhor dos Anéis ensina-nos algo engraçado. É mais ou menos assim: Frodo e os outros jovens encarregados de sumirem com o anel moram em um lugar chamado Terra Média. A Terra Média não existe de verdade, ela existe só na cabeça do autor dos livros, o inglês John Ronald Reuel Tolkien. O que prova que a Terra Média não pode existir nesse nosso mundo é que nela você pode encontrar seres fantásticos como elfos, hobbits, trolls, ents e humanos que usam cajado e falam palvrões mágicos. Alguns dizem que esses últimos podem ser vistos nas ruas da cidade grande depois de um certo horário da madrugada.

O que chama a atenção no Senhor dos Anéis e também em muitas outras histórias é a presença de seres naturalmente malvados. Em Senhor dos Anéis, o “mal” existe fisicamente e inclusive tem endereço: chama-se Mordor. Mordor é um lugar horrível, barulhento, com céu acinzentado, criaturas mal-humoradas e vamos parando por aqui antes que eu seja acusado de ironia. A tese é que um universo com o mal residindo em um endereço físico localizável por um mapa abre brechas para algumas inferências filosóficas interessantes. A primeira é que, dependendo da sua operadora, talvez você não cosiga sinal por lá. Ler mais deste artigo

Um abraço é um ato solipsista não importa em quais deuses você não acredite

O Coiote corre atrás do Papa-léguas por que está sempre com muita fome. Ele tem tanta fome que nem lembra de usar o cartão de crédito dele pra pedir uma pizza, ele prefere encomendar aparato bélico pra dar um jeito de matar o pássaro por que ele tem muita, muita fome. Em compensação o Papa-léguas nunca tem fome, mas corre muito. Corre o suficiente pra escapar de todo e qualquer projeto feito pelo seu predador para capturá-lo e por isso a cadeia alimentar fica sempre incompleta. “Cadeia Alimentar” é o nome que os cientistas deram para definir a ordem de quem come quem nesse nosso planeta.Não existem animais de outro planeta na nossa cadeia alimentar por que ninguém nunca viu um e, portanto, ninguém sabe o que eles comem. Os cientistas dão nomes para muitas coisas, talvez eles tenham dado o nome do Papa-léguas também. Ler mais deste artigo

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