Um funcionalismo funcional

Pois bem, depois de mil anos sem escrever, venho novamente dar a cara a bater. Mais ainda porque vejo que o tema do funcionalismo, em geral, é completamente rechaçado por esses lados, a ponto de eu ter jogado em meu twitter que achava que ninguém de fato tinha compreendido a essência do funcionalismo, e o Beccari me incentivou a escrever sobre. Pois bem, tomei como um desafio, e aqui lanço algumas idéias que formei sobre o tema (esse texto em nada será acadêmico… Estou sabendo melhor diferenciar um ambiente de blog de uma monografia ou ensaio para qualquer coisa. A bem dizer, acho que essa nomenclatura deveria ser revista, porque se o ensaio é o lugar onde as idéias são testadas, nada melhor do que primeiro abrir o debate num ambiente público para, a seguir, “cientificizá-lo” num congresso ou revista ou qualquer lugar onde tem “doutores” dizendo que você é bacana).

Rádio da Braum do auge do funcionalismo clássico

Primeiro ponto que tenho que apresentar é: eu também não entendia muito bem o funcionalismo. Assumia como funcionalismo uma visão que apresentava como histórica, mas que, quando fui dar uma olhada melhor e refrescar a lembrança, não era bem o que eu esperava… O funcionalismo em sua vertente histórica (associando-o especialmente à escola de Ulm, no pós-segunda guerra) tinha algum ranço positivista (estou sendo camarada) que podemos muito bem identificar nos estudos de Max Bense e sua estética matemática, que ao final das contas tinha também a ver com suas idéias para o design (para referências rápidas, dar uma olhada nesse e nesse livro). Esse ranço positivista identifico precisamente na tentativa de tornar científico e matemático todo ponto que concerne ao design, ou seja, o termo racionalismo faz completo sentido quando visto por esse lado. Em especial quando Max Bill sai da escola, isso se torna ainda mais palpável. O funcionalismo, em seu entendimento histórico, caracteriza tal período, e, imagino, é nesse momento que começou todo problema que o segue. Ler mais deste artigo

Filosofia do Design, parte XXIX – o Destino de Argan

* texto originalmente publicado no Design Simples.

Existe uma crise profunda do Design. É assim que Giulio Carlo Argan (1993) inicia o capítulo A Crise do Design em seu livro História da Arte como História da Cidade. Após nossa breve pincelada sobre Flusser e Baudrillard, hoje conheceremos um pouco do pensamento deste historiador italiano e teórico da arte. Em seu livro Projeto e Destino (2000), Giulio Carlo Argan (1909-1992) contrapõe destino – aquilo sobre o qual o homem não tem controle – a projeto, isto é, toda tentativa humana de controlar conscientemente seu próprio futuro. Logo, projetar é uma tentativa de tomar as rédeas do destino. Seria então a crise do Design um destino que não conseguimos projetar?

É necessário ainda entendermos que a ideia de história não é, para Argan, apenas algo retrospectivo. É também prospectivo e teleológico, isto é, aponta para o futuro na medida em que a história é colocada em prática no ato de projetar. O conceito de moral, por exemplo, seria uma espécie de projeto da humanidade para a sua própria existência. Por outro lado, a ideia de programação, ao contrário de projeto, não envolve escolha ou decisão, mas uma ordem preestabelecida, calculada e mecânica. Seguindo este raciocínio, a crise do Design manifesta-se na crescente divergência entre programação e projeto. Frente às diversas contradições que surgem sucessivamente na sociedade, aos poucos estaríamos substituindo o pensamento dialógico do projeto (o diálogo entre passado e futuro) pelas soluções dialéticas da programação (a busca pela síntese), apagando da sociedade toda forma de existência histórica. Leia mais…»

O Sutiã

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Era Cristã romana

sutiã ou soutien (do francês soutien: suporte) é peça componente da indumentária feminina que tem como objetivo sustentar e proteger o seio. É difícil apontar um início para o uso do sutiã, na Grécia já se utilizava uma faixa, por razão dos banhos e em virtude da mobilidade da mulher. Na Era Cristã romana era chamado de strophium, constituía-se também em uma faixa que sustentava os seios nas atividades atléticas. Possuíam objetivos práticos como facilitar os movimentos e também estéticos, a pureza, status e de idealização das divindades. De 1893 até 1912 foram várias tentativas fracassadas para colocar o sutiã no mercado. O espartilho só caiu em desuso após a patente do sutiã com o nome de brassière, em 1914 feita pela americana Mary Phelps Jacob. Por razão do vestido decotado, com lenços e faixas amarrou seus seios para assim sustentá-los e moldá-los. Na década de 60 o sutiã passaria novamente por uma crise, o Bra Burning. Leia mais…»

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