Design, Testemunho e Ch’ien

O primeiro hexagrama do I Ching, na edição de Richard Wilhelm (2011), ou o último, na edição de Wu Jyh Cherng (2001), diz respeito ao céu sobre céu, às seis linhas inteiras, em duração de energia, ao Ch’ien, “O Criativo”. Esse hexagrama é composto por seis linhas yang, isto é, seis linhas positivas, é o hexagrama da absoluta atividade.

Eis o motivo de Cherng (2001, p. 103) o publicar como o 63º hexagrama e não o primeiro: “No I Ching Ancestral, o ‘Tao em estado latente’ é representado pelo hexagrama Zero (Kun). Do Kun ao Ch’ien passa-se por 64 fases da ‘Elaboração’ e o início do ‘Tao em estado manifestado’”. O monge ainda coloca que esse hexagrama representa um infinito movente (fora), sendo uma espécie de orientador dos seres humanos.

Mas qual seria a relação entre o design e o Ch’ien? E ainda, o que teria o termo testemunho a ver com essa relação?! Ler mais deste artigo

Design pelo I Ching [3-1]

No pavor que tem do caos, começa por levantar um guarda-chuva entre ele o permanente redemoinho. Então, pinta o interior do guarda-chuva como um firmamento. Depois, anda à volta, vive, e morre sob seu guarda-chuva. Deixado em herança a seus descendentes, o guarda-chuva transforma-se em uma cúpula, uma abóbada, e os homens começam a sentir que algo está errado. O homem ergue, entre ele e o selvagem caos, algum maravilhoso edifício de sua própria criação, e gradualmente torna-se pálido e rígido embaixo de seu pára-sol. Então ele se torna um poeta, um inimigo da convenção, e faz um furo no guarda-chuva; e oba!, o vislumbre do caos é uma visão, uma janela para o sol. (LAWRENCE, 2012)

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Design pelo I Ching [2]

Pela possibilidade de interesse por parte do Design ocidental, desdobro a resposta da pergunta que Jung (apud WILHELM, 2011) fez ao I Ching, personificando-o, sobre sua situação ao atravessar a nossa cultura. Vale colocar que essa atitude de Jung defende um diálogo viável com o Livro, uma vez que o I Ching é considerado uma sabedoria viva. Com isso, Jung sublinha que o leitor tem a possibilidade de observar tanto a “expressão suprema da autoridade espiritual” quanto um “enigma filosófico”.

Utilizando o método de moedas, Jung obteve como resposta o hexagrama 50 do Livro, referente ao texto Ting, O Caldeirão. Ele esclarece que, levando em consideração a formulação da pergunta, deve-se entender o I Ching como sujeito da própria resposta, ou seja, nesse caso, o I Ching se autodireciona como sendo ele mesmo “o caldeirão”. De acordo com essa interpretação, a linha de pensamento parte do caldeirão como um “recipiente de ritual contendo comida preparada”, num sentido espiritual: “alimento espiritual”.

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Design pelo I Ching [1]

Pode haver uma posição intelectualmente mais incômoda que a de flutuar na névoa de possibilidades não comprovadas, não sabendo se o que estamos vendo é verdade ou ilusão? Essa é a atmosfera quase onírica do I Ching, e nela não encontramos nada em que possamos confiar, exceto o nosso próprio e tão falível julgamento subjetivo.

(JUNG, apud WILHELM, 2011)

Jung é autor do prefácio da edição inglesa do I Ching, um livro de sabedoria oriental traduzido e comentado do chinês para o alemão por Richard Wilhem. Assim como Wilhem, Jung é um dos responsáveis por aproximar o oráculo oriental da cultura ocidental, enfatizando, assim, para os amadores espirituais, um pouco do propósito do livro: “O I Ching não oferece provas nem resultados; não faz alarde de si nem é de fácil abordagem. Como se fora uma parte da natureza, espera até que o descubramos.” Leia mais…»

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