pertencer e excluir

traseira do iMac 1998 da cor Bondi BlueO jogo do design, ao esconder e revelar intrincados níveis da realidade (ou, se você levar Flusser à sério, a própria realidade), aciona poderosos sentimentos. Podem não ser sentimentos poderosos do tipo “juro vingança e nunca mais dormirei na mesma cama antes de matar o maldito que alterou a marca original do Itaú”, mas certamente são sentimentos poderosos o suficiente para redirecionar os fluxos dos desejos da sociedade do espetáculo (e, através deles, os níveis de compra, e através deles, os indicadores econômicos — que de acordo com quem você pergunta são a única realidade que importa).

Vindo de uma perspectiva um pouco diferente, parece não fazer nenhum sentido que uma cor azul possa fazer qualquer diferença significativa de uma cor preta, como por exemplo quando a iMac original na sua cor bondy-blue deslocou a Apple da via da falência para o caminho de se tornar a maior empresa do mundo. É só uma cor!? Ou seja, por mais que eu perceba esse poder do design, também percebo que existe alguma coisa nele que não é tão fácil de explicar, que não é óbvio ou que não funciona de uma forma linear como a economia ou a física poderiam sugerir.

Uma das camadas dessa complexidade é a relação de pertencimento. Ler mais deste artigo

Identidade brasileira?

* texto originalmente publicado no Universo Humanus.

“Identidade brasileira é mistura, abertura, sincretismo, miscigenação…” – esse velho papo-furado de designer/marqueteiro sempre me incomodou. Quando o assunto é identidade cultural, o lugar comum para se evitar a enxurrada bosta-nova do futebol, samba e carnaval é falar de uma suposta mistura cultural entre regiões, sotaques, etnias, folclores, etc. Ora, eu sou brasileiro e, assim como boa parte dos brasileiros, nunca tive contato direto com uma xilogravura nordestina, por exemplo. Logo, não me parece que a identidade (unidade de características de diferenciação) brasileira seja tão plural e eclética como se diz por aí.

Os designers em geral, comprometidos com a originalidade e o ineditismo, costumam ter uma noção confusa e duvidosa com relação a identidades nacionais (não somente a brasileira). Afinal, em tempos de globalização e geração y, como definir os traços que caracterizam um povo perante os demais? Particularmente, acho interessante a perspectiva de Rafael Cardoso (2008) sobre a identidade como algo indissociável do conceito de memória. Leia mais…»

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