produtificação

Recentemente uma crônica (em inglês) perguntava se a Lego™ tinha vendido a alma para o demo. Curiosamente o mesmo exemplo que eu tinha usado alguns meses antes num debate no RLab. Basicamente a ideia é que os kits da Lego vem se tornando mais elaborados e complexos (despertando certamente em mim aquele célebre WANT) mas que ao mesmo tempo parece que também se tornam menos criativos.

Vamos explorar aqui a hipótese de que se trata de um fenômeno de produtificação: Para transformar uma coisa (genérica) em um produto é preciso “fechar” essa coisa.

O exemplo do Lego é interessante, já que trata de um brinquedo. Quando criança, influenciado por Star Wars, eu fiz uma nave espacial com as peças do kit “Casa” do Lego. Em retrospectiva, agora acho que era uma nave com um “quê” de casa, bem quadrada, sem cara de máquina. Mas era uma nave. Leia mais…»

O crítico de arte Reinaldo Azevedo: uma tentativa de entender seus comentários sobre Oscar Niemeyer

Sobre o assunto Niemeyer, postaram-se dúzias de comentários, elogios e críticas nas redes sociais. A crítica mais divulgada e comentada, sem dúvida alguma, foi a de Reinaldo Azevedo. Parei apenas hoje para ler os textos do comentarista sobre o assunto, e, ao que me parece, talvez seja interessante olhar mais profundamente o que este afirma, tentar entender seu ponto e, só depois, fazer algum julgamento sobre. Os textos em questão são esses, e vou tentar me esforçar para entender o que Reinaldo escreve.

Texto 1 - Morre Oscar Niemeyer, metade gênio e metade idiota – link
Texto 2 - Niemeyer e os zurros dos 100% idiotas – link
Texto 3 - Niemeyer, a obra e o pensamento. Ou ainda: Por que ser “poeta da curva” é superior a ser “poeta da linha reta”? – link -  Leia mais…»

Filosofia do Design, parte LXXIII – Ilustração e Ideologia

Ilustração não é apenas desenho, mas antes o nome que se dá a um movimento intelectual do século XVIII que culmina no Iluminismo (Locke, Voltaire, Rousseau etc.).

No sentido de conhecimento ou esclarecimento – eis um homem de “muita ilustração” –, o termo aproxima-se, ainda que inversamente, a um “positivismo pós-moderno”: enquanto os ilustradores do século XVIII denunciavam a Idade Média (período sem luz, de trevas), os ilustradores de hoje denunciam o século XIX (modernismo, período de luz em excesso).

Contra esta última analogia, há dois tipos de argumentos-padrão. O primeiro é aquele segundo o qual a situação é sempre complexa demais, há mais aspectos a serem explicados e a ponderação entre luz e trevas nunca termina. O segundo argumento substitui o relativismo do primeiro por outro: vivemos em uma era pós-ideológica na qual tudo aquilo que é novo, mesmo que retome algo velho, é entendido como condição de uma ruptura iminente. Leia mais…»

Filosofia do Design, parte XXV – O Saber e a Opinião

* texto originalmente publicado no Design Simples.

Acredito que em todo curso universitário nós aprendemos que nossa opinião não vale nada: quando você tem uma ideia nova, pode ter certeza que alguém já pensou nisso antes. E talvez muito tempo atrás, e talvez muitas pessoas. Isso é bom para algumas coisas e ruim para outras. É bom para entendermos que, diferentemente do âmbito profissional, estudar não é competição. Você não está concorrendo com o seu professor – se você acha que está, ou o seu professor acha, todo mundo sai perdendo. A finalidade é construir conhecimento e, portanto, trata-se de uma escolha. Ninguém é obrigado a aprender; à priori, aprendemos porque escolhemos aprender.

A parte ruim é que isso acaba criando uma resistência ao ato de pensarmos por nós mesmos. Por exemplo: por que todo mundo aprende Semiótica no Design? É mais fácil assumir simplesmente que, se sempre foi assim, deve ter um bom motivo e seria perda de tempo procurar entendê-lo. Cuidado: uma coisa é não ter tempo para aprender (o que é até compreensível), outra coisa é não dar a mínima para isso. Ora, se você não dá a mínima, você não quer aprender e, neste caso, você não pode ter nenhuma opinião mesmo. Eu não posso dizer que acho Semiótica inútil se eu não sei o que é Semiótica. Leia mais…»

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