Dilemas do design I: o não-estar

* texto originalmente publicado na Revista Clichê.

Tudo o que atualmente se pretende marginal, irracional, revoltado, “anti-arte”, anti-design, etc., desde o pop ao psicodélico e à arte na rua, tudo isso obedece, quer queira quer não, à mesma economia do signo. Tudo isso é design. Nada escapa ao design: eis a sua fatalidade. – Jean Baudrillard em Para uma crítica da Economia: Política do signo (Rio de Janeiro: Elfos, 1995, p. 206).

Uma das maiores contradições do design, ao menos no Brasil, reside no fato de que a crescente propagação/repercussão da ideia de “design” parece ser inversamente proporcional à valorização da mesma. Mesmo com certa “regulamen-tação” pré-aprovada, o hipsterismo implícito em nossa postura profissional (não sou designer de sobrancelhas, o povo banalizou etc.) não passa de um placebo que, ao invés de gerar valor, apenas nos reduz a panelinhas descartáveis no mercado. Leia mais…»

produtificação

Recentemente uma crônica (em inglês) perguntava se a Lego™ tinha vendido a alma para o demo. Curiosamente o mesmo exemplo que eu tinha usado alguns meses antes num debate no RLab. Basicamente a ideia é que os kits da Lego vem se tornando mais elaborados e complexos (despertando certamente em mim aquele célebre WANT) mas que ao mesmo tempo parece que também se tornam menos criativos.

Vamos explorar aqui a hipótese de que se trata de um fenômeno de produtificação: Para transformar uma coisa (genérica) em um produto é preciso “fechar” essa coisa.

O exemplo do Lego é interessante, já que trata de um brinquedo. Quando criança, influenciado por Star Wars, eu fiz uma nave espacial com as peças do kit “Casa” do Lego. Em retrospectiva, agora acho que era uma nave com um “quê” de casa, bem quadrada, sem cara de máquina. Mas era uma nave. Leia mais…»

Filosofia do Design, parte LXXII – Design Thinking

Design Thinking está tão na moda que já não é nenhuma novidade. Na década de 1980, alguns autores como Bruce Archer, Bryan Lawson e Peter Rowe propuseram uma “maneira designer” de pensar e de comunicar como alternativa a métodos científicos e acadêmicos, mas que poderia ser tão poderosa quanto quando aplicada aos seus próprios problemas.

Moral da história: a visão de que o designer é capaz de liderar uma empresa voltada à inovação, tipo IDEO, com uma pitada do discurso de Tim Brown (TED) ou de Steve Jobs (em Stanford).

A pergunta que deve ser feita hoje não é mais “como pensam os designers?”, mas o contrário: como o design tem sido pensado? O que as pessoas em geral, depois de 30 anos de design thinking, pensam sobre design? Será que o designer finalmente conquistou a insígnia do profissional plenamente capacitado a enfrentar jogos de poder, estratégias econômicas ou mesmo seus próprios clientes? Leia mais…»

Você é original? Então também é possessivo

Fonte: http://www.focusonlinecommunities.comMurray (2011) fala que o conceito de originalidade tem suas raízes na idéia de posse. Isso porque com a instauração do livre comércio, lá no final do Renascimento os fabricantes, comerciantes, distribuidores, autores viram a necessidade de diferenciar seus produtos, aumentar a competitividade e no fim das contas vender mais. Inventaram então a originalidade, ou seja camuflaram o processo criativo para que não se soubesse a real origem da idéia, e instauraram uma série de proteções amparadas pela lei, criminalizando então a copia. Leia mais…»

Filosofia do Design, parte XLI – Design e Inovação

* texto originalmente publicado no Design Simples.

Muita gente tem pesquisado e publicado teorias/métodos/técnicas sobre Inovação. No entanto, como a grande maioria das coisas que eu li foram entediantes e nada inovadoras, escrevi este ensaio falando sobre Heurística, os paradigmas de Kuhn e a intuição dialógica de Edgar Morin. Contudo, decidi ser inovador comigo mesmo e apaguei tudo o que escrevi. Porque eu também sou designer, já passei noites em claro esperando por uma inspiração divina, e não importa quanta teoria filosófica eu tenha estudado, esta busca pela inovação sempre foi uma dificuldade para mim.

O engraçado é que as ideias em potencial me aparecem nas situações mais supérfluas – na novela das nove, na fila do banco, no bate papo com os amigos, etc. O difícil é conseguir anotar ou lembrar depois. Certa vez me disseram que a inovação surge com prática, experiência e disciplina. Pois bem, ainda não sei o que é isso (se é que um dia vou saber). O que eu desconfio é que não há nada de universal e sistematizado que possa produzir algo inovador. A noção de regras e costumes antigos pode bloquear a atualidade essencial da novidade, atualidade esta que nos motiva a continuar inovando. Não significa que hábitos antigos devem ser ignorados, mas apenas que não devemos nos restringir a eles. Leia mais…»

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