O enigma relativista

Quando se tenta pensar por conta própria e expor o que se pensa, a reação padrão é: mas você não está simplesmente encaixando as coisas em tuas próprias categorias, baseando-se numa visão parcial e limitada sobre o mundo?

Em qualquer circunstância, a resposta mais adequada seria: mas em que momento eu disse que não estou fazendo isso? Daí convém estabelecer um tipo provisório de acordo epistemológico: se algum de nós pensa que não está “encaixando” as coisas em categoria particulares, enxergando o mundo de forma imparcial, tal como ele é em “si mesmo”, então não há como continuar a conversa.

O interessante é que a indagação inicial remete a uma visão relativista ingênua (previamente auto-sabotada), uma vez que a grande dificuldade do relativismo consiste em levar em conta nossos próprios pressupostos, e não em tentar dissociar-se deles. Leia mais…»

História e Design por um caminho inverso

* texto originalmente publicado na Revista Ciano (vol. 2, n. 2, 2012, p. 72-83) | ilustrações de Guilherme Henrique.

“Eu evito análises sistemáticas: os elementos se arranjam bem, mas o argumento propriamente vem do espaço sideral, por assim dizer, exceto se for conectado com as vidas e os interesses de indivíduos ou grupos. Por certo, eles já têm essas conexões, de outra forma não poderiam ser compreendidos, mas elas ficam escondidas, e portanto, estritamente falando, toda análise sistemática é uma fraude. Porque então não evitar a fraude usando as histórias diretamente?” – Paul Feyerabend [1].

Em qualquer tipo de estudo ou discussão sobre o ser humano, recorrer a fatos históricos e a aspectos contextuais que os circunscrevem é um argumento que não costuma falhar. Leia mais…»

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