Ficções de um mar sem fundo

* texto originalmente publicado no Universo Humanus.

Você já se sentiu como se estivesse vivendo uma ficção? Se sim, leia o livro “Ficções que Curam” (Healing Fiction), de James Hillman. Em linhas gerais, o psicólogo nos explica por que as criações ficcionais dão sentido ao mundo. Por exemplo, quando você “pensa” que não está mais apaixonado por alguém, na verdade você está amando, pela primeira vez, quem você já amou um dia. Somente quando nos afastamos da história da qual fazemos parte é que ela começa a fazer sentido – nós encaixamos as peças.

Eis a verdadeira liberdade humana, afastar para retornar, como Santo Agostinho dizia: “não vás fora de ti, retorne a ti mesmo; no interior do homem é que reside a verdade”. Amar algo ou alguém profundamente nos dá mais coragem para viver na medida em que, na verdade, somente assim somos capazes de dar sentido à nossa existência. Leia mais…»

Filosofia do Design, parte XXI – Sobre a Imaginação

* texto originalmente publicado no Design Simples.

Muitos dizem que os designers precisam ter muita imaginação. Mas, afinal, o que significa imaginação? A tradição do Design sempre deu prioridade à imaginação enquanto reprodutora da percepção, sendo a imagem entendida como um rastro ou um vestígio deixado pela percepção. Porém, perceber é diferente de imaginar. Pois imaginação também pode ser produtora de percepções, no sentido de fantasiar ou alucinar. Neste sentido, a imagem não tem referente além de si mesma, isto é, ela não representa coisa nenhuma. Não há uma causa, somente repercussão. Então a imagem se torna um fenômeno irredutível, imediato e polissêmico: o imaginante está na imagem ao invés da imagem estar no imaginante. Leia mais…»

Filosofia do Design, parte X – Design e Religião?

* texto originalmente publicado no Design Simples.

O ser humano hoje produz clones e buracos negros em laboratório, mas ainda evita gatos pretos e bate na madeira. Quando se está em uma situação de risco, como em um avião em pane, muitos certamente começariam a rezar. As estatísticas podem até dizer que 68% da população é ateu, mas isso não significa que as pessoas estão perdendo suas crenças. Por mais que se trate de um assunto que, a priori, pareça distante do universo do Design, eu acredito religiosamente que o Design está relacionado diretamente à crença das pessoas. Minha fé é tamanha que me levou a elaborar um pré-projeto de doutorado intitulado “Symbolum Articulus: uma investigação acerca da linguagem do ‘sagrado’ no Design enquanto articulação simbólica”, ao qual eu dedicarei o texto de hoje.

Trata-se de uma investigação transdisciplinar e procedente de minha pesquisa iniciada no Mestrado – “Uma abordagem dos Estudos do Imaginário aplicados à Filosofia do Design” – acerca da dimensão simbólico-arquetípica do Design a partir da conceituação da psicologia de Jung (2000) e Hillman (1995). A escolha das Linguagens da Experiência Religiosa (CROATTO, 2004) enquanto objeto de estudo, com ênfase nas configurações simbólicas e nas representações da realidade, buscou o alicerce mítico que orienta as visões de mundo e os modos de ser de cada homo religiosus, relacionando essa base mítica ao Design que, em sua vez, é então encarado como “articulador simbólico”. Leia mais…»

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