Filosofia do Design, parte XLVII – Ocioso Design

* texto originalmente publicado no Design Simples.

Cada vez mais tenho a impressão de que a ideia de inteligência coletiva de Pierre Lévy é um equívoco demasiado ingênuo. Quanto mais as pessoas têm voz, menos elas têm o que dizer. De dia, gritamos contra o mundo; de noite, celebramos este mesmo mundo – sob o paradoxo de que não escapamos de uma visão de mundo particular que, por sua vez, também pertence ao mundo. Conheço muitos jovens designers extremamente talentosos, virtuosos em técnica e pensamento, mas que se sentem vazios, desprovidos de sentido, com o vício da ociosidade (procrastinação). E eu me incluo entre eles.

Daí o pessoal mais velho (que eu chamo, carinhosamente, de cabeçudos) nos enche de críticas e conselhos datados, pra não dizer falidos, contra uma geração perdida, passivamente programada, sem identidade e sem opinião. Tanto os novos radicais (os conservadores de ontem) quanto os novos conservadores (antigos reacionários) nos relegam ao ostracismo ignóbil, sendo a nossa resposta uma indiferença silenciosa e, contudo, voluntária. Leia mais…»

Filosofia do Design, parte XLII – Efêmero Design

* texto originalmente publicado no Design Simples.

Após o fim do mundo da última semana, muita polêmica transitou em nossas timelines: cartilha do MEC, denúncia à educação brasileira, marcha da maconha, clínica de aborto, regulamentação do Design e até uma certa banda mais sorridente da cidade. O interessante é que, daqui a algumas semanas, ninguém mais vai se lembrar disso que eu acabei de escrever. Mais interessante ainda é que, no entanto, sentimos a necessidade de adotar um posicionamento contra ou a favor com relação ao último mimimi do dia.

Trata-se do fluxo constante de um agora hiperativo e coletivo, fluxo este que não se pode deixar cair – é preciso manter o assunto em movimento, mas sem se ater demais a algo em específico. Alguns encaram este fenômeno como sendo a manifestação de uma geração questionadora, antenada, proativa e cheia de opinião. Outros consideram que esta mesma geração está sofrendo de um narcisismo epidêmico, histérico e carente, como se aquele fluxo de novidades fosse uma espécie de anestesia contínua de mediocridade. Leia mais…»

O design, o imaginário – primeiras noções

(Primeiramente peço desculpas pelo longo intervalo entre postagens, já que minha ideia é postar textos curtos, com uma frequência maior…) Como já comentei em minha primeira postagem no blog (há bastante tempo atrás), no último semestre de 2010 escrevi meu tcc falando sobre design editorial e imaginário. Neste texto procuro lançar algumas noções dos estudos do imaginário relacionadas ao design.

Ao longo da vida, o ser humano acumula referências, informações. Posteriormente, estas referências servem como um ponto de partida, como catalisador para criações e novas vivências. O imaginário é isto, é o que move os indivíduos. E, portanto, pode-se dizer que é um reservatório/motor (SILVA, 2006).  O imaginário, segundo Maffesoli, é sempre social, nunca individual. Os indivíduos são imersos em imaginários passíveis de alterações, pois os indivíduos são, ao mesmo tempo, autores e atores dos imaginários a que se submetem. Os indivíduos apreendem e constroem no imaginário, são sujeitos receptores e emissores, sempre ativos. Ler mais deste artigo

Filosofia do Design, parte XIX – a Violência das Rupturas

* texto originalmente publicado no Design Simples.

O que ninguém se atreve a dizer na academia é dito claramente pelo sociólogo contemporâneo Michel Maffesoli (2009, p. 47): “a violência está no ar”. Pois toda forma de incivilidade provém da brutalidade do conceito, isto é, a tentativa de fazer o mundo se ajustar em modelos predeterminados. No caso do Design, tentamos criar padrões e distinções, padronizar o próprio ato de projetar. A violência empírica imposta no ensino de Design segue uma lógica esquizofrênica (do grego dividir o corpo e a alma) de um sistema fechado, tão lógico e sólido quanto completamente incoerente à mais simples situação cotidiana.

O nosso usuário não é o estereótipo de 1,70 m do Isotype, mas sim um jovem que frequenta a balada depois de ter sido chicoteado a semana inteira no trabalho. Não se trata mais de um sujeito razoável e racional (essa é somente sua máscara no trabalho), mas um marginal que luta em unir opostos que não deveriam ter sido separados, reprimindo e exteriorizando sua dúvida interior sobre si mesmo. A delinquência juvenil, o neonazismo, o terrorismo e qualquer tipo de violência elitizada correspondem, direta ou indiretamente, à grande violência “oficial” das instituições de pesquisa e ensino. Noutras palavras, como Huxley bem descreve: o fantasma do melhor dos mundos leva ao contrário desse mundo. Leia mais…»

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