20/06/2012
por Marcos Beccari
Certas obrigações e imposições são entendidas como “certas” – as leis da física, as leis da vida, as leis do papai do céu. A dura e fria realidade das coisas. Na maior parte do tempo, porém, o “certo” é mais fantasioso que realista: ninguém vive com uma calculadora, um dicionário ou uma bíblia no bolso. O “lado sério” da vida não existe o tempo todo: há sempre alguma incoerência entre nossos gostos, escolhas e julgamentos. Em última análise, temos medo de coisas muito “certas”.
Gostamos de ilustradores que desenham “errado”, de escritores que deixam “pontas soltas”, de músicos que improvisam ou mesmo desafinam. Somos fascinados pelo erro (acidental ou proposital), tentamos enxergar uma beleza secreta por trás daquilo que (supostamente) não foi pensado.
Claro que não é qualquer erro – precisa ser um erro único, singular, não passível de ser reproduzido. Por exemplo, o amor que sentimos por alguém não foi planejado, não foi imposto e contradiz a si mesmo em muitos sentidos. O amor é um erro único. Leia mais…»