A morte do design – parte II

No meu último post, eu anunciei a morte do design, mas não sei se a relação do que falei com esse velório ficou clara. E, de fato, não deveria ter ficado, porque aquilo foi só a sucessão caótica de eventos que nos trouxe até aqui, à trágica morte do design.

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Morte, amor e design

Certas obrigações e imposições são entendidas como “certas” – as leis da física, as leis da vida, as leis do papai do céu. A dura e fria realidade das coisas. Na maior parte do tempo, porém, o “certo” é mais fantasioso que realista: ninguém vive com uma calculadora, um dicionário ou uma bíblia no bolso. O “lado sério” da vida não existe o tempo todo: há sempre alguma incoerência entre nossos gostos, escolhas e julgamentos. Em última análise, temos medo de coisas muito “certas”.

Gostamos de ilustradores que desenham “errado”, de escritores que deixam “pontas soltas”, de músicos que improvisam ou mesmo desafinam. Somos fascinados pelo erro (acidental ou proposital), tentamos enxergar uma beleza secreta por trás daquilo que (supostamente) não foi pensado.

Claro que não é qualquer erro – precisa ser um erro único, singular, não passível de ser reproduzido. Por exemplo, o amor que sentimos por alguém não foi planejado, não foi imposto e contradiz a si mesmo em muitos sentidos. O amor é um erro único. Leia mais…»

O além da técnica: imagem e morte do século XIX aos dias atuais

Show de fantasmagoria: espetáculo bastante em voga no século XIX (embora tenha começado já no final do século XVIII), na Europa. Quem viu o filme O ilusionista já sabe mais ou menos do que se trata – shows com fumaças, jogo de luzes, espelhos e, principalmente, imagens projetadas que pareciam fantasmas (ou fantasmas que pareciam imagens projetadas, nunca se sabe). Reproduzo a descrição que oferece Guilherme Sarmiento (2002):

Um espetáculo de Fantasmagorias utilizava-se de vários Fantascópios, cujas projeções, ora atrás de telas, ora na superfície vaporosa de gazes comburentes, cresciam e diminuíam conforme a proximidade do projetor, recheado de fantasmas e criaturas malignas. Tudo movimentava-se, avolumando-se, sumindo-se no ambiente sombrio da sala. Os seis assistentes contratados, além de cuidarem da coreografia das várias projeções, eram incumbidos de sonorizar o espetáculo- esvaziar baldes, para produzir som de chuva; sacudir sinos, para a chegada da Meia-Noite, dando maior dramaticidade à atmosfera fantasmagórica. Leia mais…»

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