Design social e outros ressentimentos

* texto originalmente publicado na Revista Ciano | ilustrações de Sooz Lillend.

Não raro, muitos me questionam: por que você nunca menciona Gui Bonsiepe, Tomas Maldonado, Bernd Löbach (entre outros) quando você fala de Filosofia do Design?  Pois bem, eu já li alguma coisa até e, pelo que lembro, não achei nada ruim.

A questão é que estes veteranos do Design estão muito preocupados com um tal de “papel social”, tipo Paulo Freire, considerando o design como um elemento constitutivo e instaurador na sociedade, cabendo ao homem (ao designer) transformá-la. Leia mais…»

Filosofia do Design, parte LXI – Mentira e Design

* texto originalmente publicado no Design Simples.

Desde pequenos nós escutamos, em diversas ocasiões, o conselho “seja você mesmo”. É uma tarefa difícil, pois ela pressupõe que já sabemos o que somos.

Partindo do mesmo pressuposto, os designers procuram projetar algo “diferente” que nos permita continuar sendo aquilo que (achamos que) somos: alguém diferente dos outros.

Mas tentar “ser diferente” significa, no fundo, reivindicar por um direito que supostamente todos nós temos: respeito, dignidade, igualdade, etc. Todo mundo tem o direito de ser diferente. Então podemos reconhecer aqui o seguinte paradoxo: a igualdade é o fetiche de quem quer ser diferente. Ou: ser você mesmo implica ser igual aos outros. Leia mais…»

contrário de poder

Eu até acho que o post anterior do meu amigo Beccari tem a ver com design sim. No entanto, acho que ele está errado.

A mensagem, pra quem não teve paciência de ler o longo e enfadonho post, é que

o poder é irrelevante àqueles que não ligam para ele.

Ele está enganado. O poder é relevante para todos. E eu concordo que isso é ruim: Isso significa que estamos sempre sujeitos à censura, à castração, à incomunicabilidade. Sempre pode aparecer um cara mais forte e me obrigar a achar que 2+2=5. Sempre pode vir alguém e me roubar o significado que eu tenho para a vida.

A solução, é claro, é eu me defender. E eu o farei. É claro, quando eu me defendo eu me rebaixo à lógica do poder: Contraponho um poder a outro. Reduzo tudo à força.

Mas o erro do meu amigo Beccari é o seguinte: O contrário do Poder não é a Impotência. Assumir-se impotente (fugir da discussão, nas palavras dele) ainda é uma relação de poder. O fraco contra o forte. Ainda há uma relação de exploração. Se esconder é ainda uma forma de jogar o jogo. O contrário do poder é uma coisa muito diferente, é tornar o poder desimportante, mas fazê-lo nunca é possível ignorando o poder. Para construir o contrário de poder é preciso usar o poder — e talvez até o poder também use o seu contrário para construir-se. Ler mais deste artigo

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