Eu até acho que o post anterior do meu amigo Beccari tem a ver com design sim. No entanto, acho que ele está errado.
A mensagem, pra quem não teve paciência de ler o longo e enfadonho post, é que
o poder é irrelevante àqueles que não ligam para ele.
Ele está enganado. O poder é relevante para todos. E eu concordo que isso é ruim: Isso significa que estamos sempre sujeitos à censura, à castração, à incomunicabilidade. Sempre pode aparecer um cara mais forte e me obrigar a achar que 2+2=5. Sempre pode vir alguém e me roubar o significado que eu tenho para a vida.
A solução, é claro, é eu me defender. E eu o farei. É claro, quando eu me defendo eu me rebaixo à lógica do poder: Contraponho um poder a outro. Reduzo tudo à força.
Mas o erro do meu amigo Beccari é o seguinte: O contrário do Poder não é a Impotência. Assumir-se impotente (fugir da discussão, nas palavras dele) ainda é uma relação de poder. O fraco contra o forte. Ainda há uma relação de exploração. Se esconder é ainda uma forma de jogar o jogo. O contrário do poder é uma coisa muito diferente, é tornar o poder desimportante, mas fazê-lo nunca é possível ignorando o poder. Para construir o contrário de poder é preciso usar o poder — e talvez até o poder também use o seu contrário para construir-se. Ler mais deste artigo