A Imagem do Niilismo

A nossa contemporaneidade abre várias possibilidades para pensar a crise em vários níveis no nosso cotidiano. Contudo, normalmente, fechamos os olhos para o que pode vir a acontecer e deixamos que as coisas aconteçam no seu pormenor, só que em sentido inverso, proclamamos por um sentido que nos forneça certa justiça para o que pode nos acontecer. Há uma passagem da Gramatologia de Jacques Derrida em que ele escreve colocando Hegel como aquele pensador que deu o fim ao livro, isto quer dizer, depois da experiência hegeliana de mundo já não há mais pensadores que possam comentar algo sobre o mundo no que ele “deve ser”. Já que, pensadores conseguintes, como Nietzsche, indica que ao mundo não podemos dizer o que ele é sem cairmos numa falta de sentido àquilo que proclamamos. Precisamente, essa ausência de sentido contrariamente não concerne apenas a nossa contemporaneidade e sim, como atenta Nietzsche, está no interior do pensamento ocidental que criou seus valores a partir de um ideia suprassensível na qual nós forjamos uma imagem pela qual perseguimos para preencher a nossa vida concreta, cheia de indecisões e incertezas. Nietzsche denomina esse modo de ditar normas para esse mundo imaginando um outro além, que invariavelmente decai num fracasso, de Niilismo. Ler mais deste artigo

Nietzsche: o filosofar com o martelo

Como tô cheio de coisas do mestrado pra resolver, sem vir idéias para escrever um tema que ligue a filosofia ao design. Decidi por hora escrever sobre um filósofo, deste modo, os leitores podem retirar algo que contribua de alguma forma do texto abaixo. Resolvi escrever sobre Nietzsche se tiver uma boa aceitação, posso quem sabe escrever mais sobre alguns dos filósofos que tenho mais afinidade.

Sobre o filósofo alemão Nietzsche posso afirmar que é um dos pensadores mais conhecidos tanto para especialistas quanto para leigos, principalmente se restringirmos ao âmbito da filosofia. Pois ao perguntamos a um leigo a cerca da filosofia muito possível que ele reportará seja aos gregos, aqui refiro a Platão e Aristóteles, ou a Nietzsche, talvez um ou outro que possa indicar Marx devido a grande influência política no século XX ou citar Freud por confundi-lo como inserido na classe dos filósofos. Porém, raramente você verá alguém reportar, por exemplo, a Kant; que como se sabe foi o grande divisor de  águas da filosofia depois de Aristóteles. Podemos colocar talvez Sartre, mas sinceramente hoje em dia, Sartre não carrega tanta publicidade como tempos atrás e hoje quem ouviu falar de Sartre, também ouviu falar de Kant; diferente de Nietzsche. Mas com toda essa comoção ao pensamento de Nietzsche será que as pessoas conhecem Nietzsche? Refletem sobre seus pensamentos? Claro que não. Tanto mais porque, muitos utilizam da filosofia de Nietzsche como espécie de auto-ajuda, recorrendo a aforismo soltos sem qualquer identificação com a obra em si.

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Pensar o design, que tarefa é essa?

Esta minha postagem deveria ser a primeira que deveria ter escrito aqui, porém as idéias não surgem quando o pensamento quer, mas quando elas se sentem a vontade para se manifestar.  Restando a nós  saber relacioná-las com o nosso pensamento… Quando o Beccari me convidou para escrever no blog, uma das coisas que fiquei receoso se aceitava ou não era porque até então o título filosofia do design me parecia bem estranho (na verdade, ainda continua). Uma vez que concerne a pensar o design fora de um enquadramento disciplinar, aproximando de uma forma pela qual uma pessoa podia se manifestar no mundo, já que a nossa sociedade cada vez mais privilegia o jogo da imagem, o design aparece como uma maneira de atribuir conteúdo à performance que está presente nos dias atuais: o esteticismo. Esse modo de procedimento tem seu privilégio porque imiscui no fato de que a aparência condiz a uma condição hierárquica elevada no que concerne ao modo de formular juízos acerca de um ação. Com isso, se tomarmos o pensamento não como uma atitude contemplativa, teórica, e sim que todo o pensar sobre algo já é um ação, que tem a sua diferença por instituir a dúvida acerca dos fatos já aceitos como evidentes. Então, pensar o design seria justamente colocar em xeque o valor da aparência puramente formal, por mais que no primeiro momento ocorra uma semelhança entre aparência e design.   Ler mais deste artigo

O Discurso da Minoria

A complexidade pela qual a sociedade cada vez mais se torna, constrói a seu favor ou contra grupos de pessoas que emitem certas opiniões, sendo que estas na medida do tempo passam por uma seleção que procura ratificar o mais provável para o desenvolvimento de todos. Essa escolha de discursos, claro, perfaz um emaranhado de detalhes no qual o fim é aquilo mais procurado: o poder. Pois, a busca incessante de controle move de maneira incessante cada uma das pessoas tanto na micro quanto na macropolítica e assim a fala de cada de um é reavaliada pelo grau de poder que ela emane. O mais interessante é que na nossa época contemporânea se abriu uma procura de preencher todos os campos sociais, não porque há uma ausência, ou seja, carente de poder, e sim ao contrário, requer o poder porque este já o tem e almeja uma elevação. Essa modo de proceder está bem explicado no comentário de Heidegger sobre o pensamento de Nietzsche, que de acordo com ele pode ser denominado de a filosofia da vontade de poder. Heidegger cita no ensaio “A Sentença de Nietzsche: Deus está morto”: Ler mais deste artigo

Filosofia do Design, parte XXXVI – do Cinismo ao Design

* texto originalmente publicado no Design Simples.

É comum entre os estudantes de Design uma simpatia por determinados estilos distintos do que se considera tradicional, genérico, standart, senso-comum. Muitos buscam ser cool (esquisitos e descolados) para expressar uma suposta singularidade que, no entanto, retoma diversos movimentos do passado, tais como: o movimento punk, a beat generation, o psicodelismo, o underground, os hippies, os grunges, os góticos, os indies, etc.

De modo geral, o estudante de design recorre a manifestações de rebeldia e vanguardismo. Contudo, quando saímos da faculdade e nos inserimos no mercado de trabalho, geralmente nos rendemos ao tradicional colarinho branco. Enquanto alguns consideram esta mudança de comportamento como sinal de amadurecimento, eu considero como sinal de cinismo.

Cínico vem do grego Kynikós, que significa cão, uma metáfora à vida errante e ao hábito de atormentar os outros com zombarias. Os cínicos foram os radicais-extremistas do pensamento socrático, dentre os quais se destacavam: Antístenes, Diógenes, Crates, Métrocles e Hiparquia. Mas ao contrário do significado pejorativo que hoje damos aos “cínicos” (hipócritas, dissimulados), trata-se aqui da proposta de um homem que se volta a si mesmo, assumindo uma consciência livre. É dessa subjetividade extrema que Nietzsche elabora, com acidez e sarcasmo, o conceito de uma moral além do bem e do mal. A influência da escola cínica no existencialismo nietzschiano foi declarada em Ecce Homo (1995, p. 76), onde o filósofo proclama: “Cinismo que se converterá em histórico e universal”. Leia mais…»

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