O Design das Palavras
10/07/2011 Deixe o seu comentário
Penso constantemente nas palavras, não no que elas querem dizer ou dizem, mas no que, de fato, são. Nelas enquanto projetos, estruturas, histórias. Algumas vezes, eu penso em escrever um texto bonito, que diga as coisas de um jeito minucioso, longínquo, sereno. Então lembro que para o texto não tender à náusea, devo atribuir-lhe alguma rispidez, algo propriamente pontiagudo, agressivo. Eis que me deparo com as palavras que formariam essa maciez e essa rigidez, às vezes se alternando, outras vezes se completando. Aí as palavras me conquistam e esqueço o tal assunto bonito-ríspido. Penso na primeira palavra e já vem de súbito a segunda e a terceira. Como se a maciez que eu quisesse colocar no texto estivesse na palavra “maçã” e a rispidez na palavra “criar”. E uma loucura na palavra “explica” ou “ceroula”. E raiva na palavra “rápido” ou “ventilador”. Algo como: “Vou criar nesta maçã e te explico rápido como vestir uma ceroula na frente do ventilador”. Pouco me importa o que esse texto queira dizer, mas sim que ele é, ao mesmo tempo, macio, ríspido, louco e agressivo. Como alguém ou alguma coisa qualquer.
O Design possui uma questão que me deixa confortável quanto ao que as coisas são, é que elas são feitas para as palavras. A gente pode até pressupor o que as palavras irão dizer, mas ser, só as palavras existindo mesmo. Não que isso seja característica exclusiva do Design, mas sendo o Design uma área de criação, de projeção, de construção, ela expande as possibilidades de uso dessa pressuposição que podemos injetar nos produtos, sejam eles de qualquer natureza. Leia mais…»






