Filosofia, design gráfico e a virtude da clareza

*o texto a seguir é uma tradução livre do original “Philosophy, Graphic Design and Virtue of Clarity” de Adrian Shaughnesy1, publicado semana passada no Design Observer.

Eu perco muito tempo observando projetos de estudantes de graduação e pós-graduação em comunicação visual. Os melhores trabalhos frequentemente se destacam pela abundância de uma reflexão bem intencionada e sofisticada acerca de problemas sociais. Mas acabei notando algo a mais; isso pode ser descrito como uma aversão em expressar ideias brevemente e com clareza. É como se houvesse um medo – um ódio até –  da simplicidade2.

Não é difícil de entender o porquê. Qual gênio brilhante gostaria de produzir um trabalho fácil e simples que caracteriza a maioria dos trabalhos na publicidade, no branding e no design centrado no usuário? É muito mais excitante mergulhar em uma esfera escura de ambiguidade, mistério e complexidade gratuita3. Leia mais…»

Bonecas para adultos

Fotografia por California is a placeVocê sabe o que são as “real dolls”? Gostaria de ter uma? Com certeza pensaria duas vezes em dar de presente para alguém já que estas bonecas reais, além de custarem de 5 a 50 mil dólares, são comercializadas no mercado de produtos eróticos/pornográficos. O designer Matt McMullen, da empresa Abyss Creations, desenvolveu as bonecas sexuais mais realistas que você poderia ver. Só faltam andar e falar.

Atualmente, são comercializadas cerca de 400 bonecas ao ano em várias regiões do mundo, como Europa, Japão, Canadá e Estados Unidos. A aquisição das bonecas é feita somente sob encomenda, através do website da empresa, onde o cliente pode customizar a sua a partir de um menu de opções disponíveis. Lá é possível escolher desde medidas corporais até cor de cabelo, olhos e tipo de lingerie. A boneca dos seus sonhos! Lembrando que também é possível comprar bonecos do gênero masculino, transsexuais ou apenas o torso. Contudo, a Abbys Creations não desenvolve bonecas mutiladas ou com qualquer tipo de deficiência física, nem replica imagens de pessoas e não trabalha com corpos infantis. Leia mais…»

Introdução à Filosofia do Design – por Per Galle

Tradução livre do artigo Philosophy of Design: an editorial introduction (Design Studies, 23, 2002, p. 211–218) de Per Galle, por Marcos Beccari.

Resumo: O emergente campo de estudo e atualmente sob o nome de “filosofia do design” está apresentado. Com base na minha experiência de edição do presente número especial sobre a Filosofia do Design, dirijo-me a duas questões que eu levanto em nome do leitor: do que se trata a Filosofia do Design, e qual pode ser a sua utilização.

Palavras-chave: filosofia de design, pesquisa em design, a prática de design, design e educação, engineering design. Leia mais…»

Filosofia do Design, parte X – Design e Religião?

* texto originalmente publicado no Design Simples.

O ser humano hoje produz clones e buracos negros em laboratório, mas ainda evita gatos pretos e bate na madeira. Quando se está em uma situação de risco, como em um avião em pane, muitos certamente começariam a rezar. As estatísticas podem até dizer que 68% da população é ateu, mas isso não significa que as pessoas estão perdendo suas crenças. Por mais que se trate de um assunto que, a priori, pareça distante do universo do Design, eu acredito religiosamente que o Design está relacionado diretamente à crença das pessoas. Minha fé é tamanha que me levou a elaborar um pré-projeto de doutorado intitulado “Symbolum Articulus: uma investigação acerca da linguagem do ‘sagrado’ no Design enquanto articulação simbólica”, ao qual eu dedicarei o texto de hoje.

Trata-se de uma investigação transdisciplinar e procedente de minha pesquisa iniciada no Mestrado – “Uma abordagem dos Estudos do Imaginário aplicados à Filosofia do Design” – acerca da dimensão simbólico-arquetípica do Design a partir da conceituação da psicologia de Jung (2000) e Hillman (1995). A escolha das Linguagens da Experiência Religiosa (CROATTO, 2004) enquanto objeto de estudo, com ênfase nas configurações simbólicas e nas representações da realidade, buscou o alicerce mítico que orienta as visões de mundo e os modos de ser de cada homo religiosus, relacionando essa base mítica ao Design que, em sua vez, é então encarado como “articulador simbólico”. Leia mais…»

Filosofia do Design, parte V – a necessidade de um esclarecimento fenomenológico

* texto originalmente publicado no Design Simples.

Como eu já escrevi e ainda pretendo escrever sobre os Estudos do Imaginário enquanto alternativa provisória para uma Filosofia do Design, julgo necessário fazer algumas observações preliminares a respeito da postura fenomenológica que, embora não caracterize completamente a corrente do Imaginário, se faz predominante em meu discurso.

A primeira observação é que nenhum dos grandes autores do Imaginário escreveu sobre Design. Neste sentido, a opção fenomenológica não consistirá em retomar o que (não) escreveram, mas em fazermos nós uma Filosofia do Design em moldes fenomenológicos. Interessa-nos, portanto, compreender e assimilar semelhante estilo, tanto na teoria como na prática.

Por vezes se disse que a fenomenologia é antes de tudo um método. Pode ser verdade, mas só na medida em que se trata de um método inseparável da atitude filosófica correspondente: não é um método indiferente aos conteúdos (como parece ser o pragmatismo ou o estruturalismo), mas decorrente da própria essência do fenômeno, a tal ponto que se torna, simultaneamente, método e objeto de estudo. Isso nos leva à segunda observação: como filosofia, a fenomenologia não pretende ter uma temática reduzida, mas se interessa por todos os temas filosóficos uma vez encarados como fenômenos intencionais. Leia mais…»

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