Filosofia, design gráfico e a virtude da clareza

*o texto a seguir é uma tradução livre do original “Philosophy, Graphic Design and Virtue of Clarity” de Adrian Shaughnesy1, publicado semana passada no Design Observer.

Eu perco muito tempo observando projetos de estudantes de graduação e pós-graduação em comunicação visual. Os melhores trabalhos frequentemente se destacam pela abundância de uma reflexão bem intencionada e sofisticada acerca de problemas sociais. Mas acabei notando algo a mais; isso pode ser descrito como uma aversão em expressar ideias brevemente e com clareza. É como se houvesse um medo – um ódio até –  da simplicidade2.

Não é difícil de entender o porquê. Qual gênio brilhante gostaria de produzir um trabalho fácil e simples que caracteriza a maioria dos trabalhos na publicidade, no branding e no design centrado no usuário? É muito mais excitante mergulhar em uma esfera escura de ambiguidade, mistério e complexidade gratuita3. Leia mais…»

O cigarro sustentável

O ministério da cultura adverte: este texto tem alto teor de sarcasmo e algumas poucas verdades. Serão relatadas opiniões contrárias e politicamente incorretas. Cabe a você leitor assumir uma posição. A leitura pode causar impotência moral. Se persistirem sintomas de ódio,  a culpa é toda sua.

Certo dia, deparei-me com a seguinte situação: distribuiram bituqueiras (objetos para guardar bitucas de cigarro) num show para todos os que estavam presentes. Quando o show acabou, me questionei qual era a utilidade daquilo, já que usei por algum momento mas depois esqueci totalmente que aquilo existia. E não foi somente comigo: várias outras pessoas nem usaram a bituqueira. Então comecei a refletir sobre quem reclama do cigarro, os anti-tabagistas e sobre o cigarro em si. E você, leitor, deve se perguntar, o que o cigarro tem a ver com design? O que vem a seguir talvez responda a pergunta.

Filosofia do Design? – provocações iniciais

* texto originalmente publicado em Design Simples.

É com grande estima que venho falar um pouco sobre um dos temas de minha dissertação de mestrado: Filosofia do Design. E como sugere o contexto vigente, falar sobre isso de maneira simples.

Para começar, sabemos que o termo “design” pode manifestar tantos significados quanto o termo “filosofia”, sendo ambos muitas vezes adotados sem uma percepção muito clara de suas fontes e consequências. Mais do que isso, poderíamos questionar: será que há filósofos o suficiente para tanta Filosofia? (ou designers para tanto Design?) Se não há uma resposta precisa a essa questão, certamente é porque não estamos em Atenas, uma cidade que tinha apenas 240 mil pessoas, a maioria escravos. No entanto, quando se fala de Filosofia hoje, parece que se trata de algo bem menos ambíguo e indeterminado do que Design.

Por exemplo, “como posso aplicar isso no mercado?” é um questionamento constante nas aulas de Semiótica, História da Arte, Antropologia, etc. Por outro lado e talvez com menos frequência, “como avaliar um projeto de Design?” é um questionamento muitas vezes sem uma resposta precisa nas disciplinas projetuais. Não se pode supor uma resposta a tais questões, afinal não há uma definição clara do que é Design – prova disso é o fato de qualquer publicação sobre Design necessitar, sempre em seu início, a definição daquilo que o autor entende pelo termo (NIEMEYER, 2007. p. 23). Leia mais…»

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