terminologias e sotaques

menininha lendo FoucaultFrente a um texto qualquer (vamos usar de exemplo-cobaia aqui o Flores do Mal, que Baudellaire escreveu na Paris do fim dos 1800s) posso atacá-lo de muitas formas. Posso me focar nos significados literais das palavras, ou posso me prender às conotações, ou ainda posso tentar ouvir somente os sons e os ritmos transformando a poesia numa espécie de percussão. Mas essas são só possibilidades, entre outras, e ainda mais, entre uma série de possibilidades que não posso listar de antemão. Marshall Berman (em Tudo o que é sólido desmancha no ar) adota o excêntrico procedimento de usar uma análise urbanística da Paris daquela época para informar e interpretar os poemas de Baudellaire. As estratégias de leitura de um texto são múltiplas, instáveis e vão progressivamente se acumulando cada vez mais.

Inclusive algumas estratégias prospectivas revelam no texto significados que o autor não sabe que colocou lá.

Não podemos julgar as estratégias por nada além do seu resultado. Mas isso tem consequências estranhas: Uma delas é que simplesmente não existem formas certas ou erradas de ler. Toda leitura é uma tentativa, e apenas uma tentativa. Ler mais deste artigo

Mariko Mori e a Consciência Una

“A arte é necessária e indispensável enquanto existir o mundo da mente, que durará tanto quanto a raça humana continuar a existir. Arte é um tesouro para toda a humanidade.” – Mariko Mori [1]

Final de ano e mais ciclos terminam, trazendo reflexões e pontos de vistas distanciados que não poderiam nos ocorrer em nenhum outro momento, quanto estávamos imersos demais no frenesi cotidiano para torná-los o foco de nossos pensamentos. Devido a este momento de descanso, nossa mente relaxa e temos tempo para dedicar ao pensamento interiorizado, fazendo emergir reflexões sobre nós e sobre para onde estamos sendo levados por nossas escolhas. Finais - e recomeços – de ciclo, afinal, são alguns dos conceitos-chave dos trabalhos mais recentes de Mariko Mori. Ler mais deste artigo

Filosofia do Design, parte XLVIII – Leitura e Design

* texto originalmente publicado no Design Simples.

Sinceramente, não acredito que designers precisam ler. Eu disse isso naquela mesa-redonda sobre Leitura e Design e, neste post, tentarei esclarecer meu ponto de vista. Em primeiro lugar, refiro-me à leitura em seu sentido mais amplo – de Harry Potter à Baudelaire, de Crepúsculo à Nietzsche –, podendo ser entendida tanto como cultura quanto como mero entretenimento. Não cabe aqui distinguirmos, pois, uma boa e uma leitura. Mas estamos falando da leitura textual e não da leitura de imagens, gráficos, gestos, etc.

Os designers mais talentosos que conheço não leem mais do que dois ou três livros por mês. Eles não gostam de ler? Gostam sim, mas nosso cotidiano de trabalho desfavorece a leitura: prazos cada vez mais apertados, horas extras, clientes e chefes sem paciência, alterações de última hora, etc. Frente a isso, desconfio que o hábito de leitura não influencia diretamente na diagramação de um livro ou na modelagem 3D de uma cadeira. É óbvio, porém, que a leitura é um ótimo combustível para a criatividade, de modo indireto, contribuindo a longo prazo não apenas em nossa profissão, mas também em nossas relações e decisões. Leia mais…»

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