terminologias e sotaques
02/05/2013 1 Comentário
Frente a um texto qualquer (vamos usar de exemplo-cobaia aqui o Flores do Mal, que Baudellaire escreveu na Paris do fim dos 1800s) posso atacá-lo de muitas formas. Posso me focar nos significados literais das palavras, ou posso me prender às conotações, ou ainda posso tentar ouvir somente os sons e os ritmos transformando a poesia numa espécie de percussão. Mas essas são só possibilidades, entre outras, e ainda mais, entre uma série de possibilidades que não posso listar de antemão. Marshall Berman (em Tudo o que é sólido desmancha no ar) adota o excêntrico procedimento de usar uma análise urbanística da Paris daquela época para informar e interpretar os poemas de Baudellaire. As estratégias de leitura de um texto são múltiplas, instáveis e vão progressivamente se acumulando cada vez mais.
Inclusive algumas estratégias prospectivas revelam no texto significados que o autor não sabe que colocou lá.
Não podemos julgar as estratégias por nada além do seu resultado. Mas isso tem consequências estranhas: Uma delas é que simplesmente não existem formas certas ou erradas de ler. Toda leitura é uma tentativa, e apenas uma tentativa. Ler mais deste artigo

Compreender o design como um tipo singular de linguagem é uma das poucas relações relevantes, senão a única, que vejo entre semiótica e design. Primeiro, há uma série de “códigos gramaticais” (composição, cores, linha, volume etc.) que precisamos dominar de forma quase automática na criação e desenvolvimento de projetos. Depois há uma espécie de acordo consensual que nos permite compreender uns aos outros através de imagens e objetos.
Foram quatro anos estudando design gráfico na UFPel (Universidade Federal de Pelotas, RS), no Instituto de Artes e Design. Na verdade, me graduei em Artes visuais com habilitação em design gráfico, um curso que não existe mais e está formando sua última turma. Hoje a UFPel conta com dois bacharelados em design: gráfico e digital.
Nestor Garcia Canclini, na bela pesquisa intitulada A Socialização da Arte1 desmistifica a pergunta “O que é Arte”, analisando-a sob dois viéses: 1) a pergunta pressupõe a existência de uma definição absoluta do que seja Arte, 2) esta definição, ainda que existisse, jamais poderia abranger a totalidade das expressões artísticas, restando válida apenas para museus, livros de História da Arte ou Arte Universal, onde tudo é reduzido a um ponto de partida único, museológico e documental.






