quando se fixa um centro, não se avista a circunferência.

Será preciso, primeiro, partir-lhes as orelhas, para que aprendam a ouvir com os olhos? – Friedrich Nietzsche, Assim falou Zaratustra. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007, p. 40.

Tem sido impossível arranjar tempo pra escrever porque estou me mudando para SP, mas antes que 2012 termine, quero registrar que eu AINDA acho que a confusão e o ruído (ao invés de clareza) podem ser bastante úteis no design.

A pergunta que marcou meu ano foi “por que não é preciso ter olhos para enxergar as coisas?”, quando eu explicava para alguém (não lembro quem) minha pesquisa de mestrado. A resposta foi algo como: veja, não é apenas uma questão de percepção, porque nem sempre existe um “eu” que enxerga as coisas. Leia mais…»

Filosofia do Design, parte LV – o Sentido do Design

* texto originalmente publicado no Design Simples.

Se hoje me perguntassem o que é Design, eu responderia: nem sempre. Na faculdade, aprendemos que Design é projeto, mesmo com diversos autores dizendo que Design é processo, gestão, comunicação, inovação, etc. Então o mais fácil é concluir que Design é tudo isso ao mesmo tempo. Contudo, eu acho que nem sempre.

Em geral, designers insistem em querer fazer sentido, ignorando todo o mistério que é produzir sentido. A guerra, os mitos, a história, o acaso, tudo pode produzir sentido. Mas não somos nós que produzimos conscientemente um sentido para nossas vidas. Ninguém tem autonomia para, por exemplo, decidir ser feliz (embora qualquer autoajuda diga o contrário). Leia mais…»

Post-pra-paradoxo

O paradoxo é, em primeiro lugar, o que destrói o bom senso como sentido único; mas, em seguida, o que destrói o senso comum como designação de identidades fixas.

(DELEUZE, 2007, p. 3)

Os paradoxos do sentido, expostos por Deleuze (2007), têm por característica percorrer dois sentidos ao mesmo tempo e podem ser definidos como: paradoxo da regressão ou da proliferação indefinida, paradoxo do desdobramento estéril ou da reiteração seca, paradoxo da neutralidade ou do terceiro estado da essência e paradoxo do absurdo ou dos objetos impossíveis.

Paradoxo da regressão ou da proliferação indefinida: O sentido, na medida em que se combina com o nonsense, relaciona-se com uma proliferação infinita das entidades verbais – para cada sentido, existe outro, o que desencadeia uma regressão indefinida: o excesso que remete à própria falta. Segundo Deleuze, ao mesmo tempo em que não se diz o sentido do que é dito (lembrando que significado, designação e sentido se diferem), paradoxalmente podemos assumir o sentido do que foi dito como objeto de uma segunda proposição, da qual também não se diz o sentido. Então se entra nessa regressão infinita do pressuposto, o que é testemunha de uma impotência em dizer ao mesmo tempo alguma coisa e seu sentido, embora fosse ótimo ($$) para os designers se isso fosse efetivamente praticável. Leia mais…»

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