Prometheus Corporation

“Os matemáticos terão de transformar-se em poetas; os ciberneticistas, em filósofos da religião; os médicos, em compositores; e os trabalhadores da informática, em xamãs.” – Peter Sloterdijk, Regras para o parque humano: uma resposta à carta de Heidegger sobre o humanismo (São Paulo, Estação Liberdade, 2000, p. 365).

O que a espetacularização contemporânea do “eu”, regada a infecções zumbis e autoajudas espiritualistas, tem a ver com a popularização e a valorização do design?

Tudo parece acontecer no deslocamento e na sobreposição da representação do “eu” para a experiência de não haver mais um si mesmo. A noção de um “projeto” como capacidade de responder a elementos como desordem, contingências, instabilidades e infidelidades do meio/contexto cede lugar a um conjunto de experiências efêmeras que vai se desdobrando em outros conjuntos aparentemente mais coesos e impactantes. Leia mais…»

Filosofia do Design, parte XXII – Projetar é Conspirar

Natalie Portman in V for Vendetta

* texto originalmente publicado no Design Simples.

Pra mim, designer é alguém que não gosta de rotinas. Se você gosta de rotinas, uma vida segura, calma e previsível, você não é designer. Apoio-me na afirmação de Giulio Carlo Argan (2000) de que projeto (e, portanto, Design) é toda tentativa do homem de determinar conscientemente seu próprio futuro. Mais ainda, com a definição de atividade não-rotineira que Terence Love (2002) atribui ao Design e que, deste modo, nos compromete com a novidade. Isso significa deixar de lado qualquer tipo de certeza e nunca mais dormir em paz.

Se você é assim, sua vida é um labirinto sem um fio de Ariadne, repleto de bifurcações e desvios imprevisíveis. Nada é o que parece ser. Ainda assim, precisamos nos guiar de alguma forma – então nós conspiramos. Conspirar é natural do ser humano, é como uma autodefesa contra um mundo injusto: quando somos demitidos, tiramos uma nota baixa, perdemos a namorada… é uma forma eficiente de ver sentido onde não tem. Este, pois, é o verdadeiro ofício do designer: convencer o maior número de pessoas (usuários) de que sua conspiração (projeto) é verdadeira. Trabalhar com isso nos faz assumir uma conspiração mais interessante: a de que não existem falsas conspirações. Leia mais…»

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