improvisação

lâmpada com efeitosThomas Edison não escolheu a lâmpada. Ele criou a lâmpada. Apesar de que ele fez uma lista de todos os possíveis materiais para um filamento e testou pentelhamente um por um. Apesar de que ele sabia o que ele queria fazer muito antes de ter conseguido. Apesar de que a lâmpada era uma coisa que todo mundo meio que sabia que devia ser possível de algum jeito. Mas ainda assim escolhemos chamar essa ação de “invenção”. Claro, também poderíamos ter chamado de “abacaxi”. Mas vamos assumir temporariamente o (mal) pressuposto de que a palavra importa. Por que não se trata de uma escolha? E por que isso importa?

Como nos mostra Barry Schwartz (no video do último post), a fixação que nossa cultura tem com “escolhas” vem de um recalque mais profundo com a “liberdade”. Como nos mostra David Graeber (num livro que vocês não podem ler senão passarão a achar todas as minhas ideias requentadas), essa fixação do ser-livre só aparece numa sociedade em que muitos são não-livres, ou escravos ou escravos do salário ou algo do gênero. Leia mais…»

Sobre o assassinato na escola de Realengo

[caso o título não esteja explícito o suficiente, saiba que este ensaio não tem nada a ver com Design. Opinião pessoal, você não precisa ler, etc...]

“Rapaz esquizofrênico invade escola do Realengo…” (vocês já sabem do resto). Que absurdo, não? Tanto que até nossa presidenta, ex-guerrilheira, fez questão de chorar. Tiroteio, violência, morte… isso agora é novidade no Rio de Janeiro? Acontece que foram crianças inocentes, numa escola. Não estamos falando das centenas de idosos doentes que morrem diariamente nas filas de hospitais públicos, nem dos 7.254 prisioneiros que foram condenados à morte nos Estados Unidos… estamos falando de crianças. Inocentes. Que estavam na escola. Um minuto de silêncio, por favor.

Isso nos faz esquecer que, recentemente, em São Paulo, uma moça jovem e rica planejou, com seu namorado, o assassinato de seus pais. Ok, foram 2 adultos (e não 12 crianças) que morreram nessa história. Do mesmo modo, ninguém mais se lembra daquele casal que jogou a filha pela janela, nem daquele rapaz que matou outro rapaz na livraria com um taco de beisebol, nem daquele adolescente que atirou em todo mundo no cinema, nem daquele goleiro que mandou matarem sua ex-namorada… Leia mais…»

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